A Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias, bens e veículos da Bertoldi Veículos, revenda de automóveis investigada por não repassar valores a clientes em Pelotas. A decisão foi expedida em 13 de março pela Vara Estadual de Ações Coletivas de Porto Alegre, a pedido do Ministério Público (MP), no âmbito de um inquérito civil que apura os danos.
Segundo levantamento anexado ao processo, o prejuízo total já identificado chega a R$ 1.719.936,94. A medida busca garantir eventual ressarcimento às vítimas diante do risco de dilapidação do patrimônio dos investigados.
De acordo com o MP, a empresa adotava um padrão recorrente: abordava proprietários com propostas de venda de veículos por valores próximos à tabela Fipe, com promessa de pagamento parcelado. Após receber os automóveis, revendia os carros — muitas vezes por preços menores — sem repassar o dinheiro aos donos originais.
Além do bloqueio de valores até o limite do prejuízo estimado, a decisão judicial inclui restrição sobre veículos registrados em nome dos sócios e indisponibilidade de imóveis.
O proprietário da revenda, Vitor Acosta Bertoldi, foi preso preventivamente na terça-feira (17), por ordem da 3ª Vara Criminal de Pelotas.
Defesa nega irregularidades
Em nota divulgada na quarta-feira (18), a defesa do empresário afirma que ele não cometeu ilícitos nem buscou vantagem econômica ilegal. Segundo o advogado Gabriel de Souza Renner, os débitos decorrem de “mera insolvência empresarial”.
A defesa sustenta que Bertoldi colaborou com as investigações desde o início e se apresentou voluntariamente à polícia ao tomar conhecimento da ordem de prisão. Também afirma que o empresário tenta resolver as pendências de forma extrajudicial.
Sobre um imóvel indicado como garantia em contratos, a defesa diz que não houve fraude e que o bem tem valor de mercado suficiente para cobrir as dívidas. O imóvel, segundo o advogado, está à venda para viabilizar o pagamento aos credores. O caso segue em investigação.




