Vozes do Rio Grande debate demandas da Zona Sul e reúne lideranças políticas e empresariais de Pelotas

Atividade integrou a série de eventos promovidos em diferentes cidades ligados à construção do plano de governo de Gabriel Souza (MDB) e Ernani Polo (PSD) (Foto: Martha Cristina Melo)

Pelotas recebeu, na manhã do sábado (20), mais uma edição do Vozes do Rio Grande, encontro que reuniu lideranças políticas e empresariais, além de representantes da região, para discutir demandas da Zona Sul. Realizada na Associação Comercial de Pelotas (ACP), a atividade integrou a série de eventos promovidos em diferentes cidades do estado, ligados à construção do plano de governo de Gabriel Souza (MDB) e Ernani Polo (PSD).

Ao abrir o encontro, Souza, que é pré-candidato a governador do RS, afirmou que o projeto foi criado como um programa “suprapartidário” para ouvir entidades da sociedade civil e reunir contribuições ao plano de governo da pré-candidatura. Segundo ele, a proposta é percorrer municípios-polo de cada região para escutar representantes de diferentes setores, como universidades, iniciativa privada, terceiro setor, gestores públicos e lideranças políticas e sociais.

De acordo com o político, as contribuições recolhidas nos encontros devem servir de base para a formulação de um programa que contemple demandas regionais e estaduais. “A gente vai compilando o nosso plano de governo para poder ouvir a todos e, com isso, fazer um plano de governo que realmente contemple os anseios dos gaúchos e das gaúchas”, afirma.

Entre os temas mais mencionados ao longo do encontro esteve a preocupação com os pedágios e com os impactos do modelo de concessão rodoviária sobre a metade sul do estado. Lideranças presentes chamaram atenção para os reflexos que novas cobranças podem trazer à circulação entre Pelotas, Rio Grande e a Região Metropolitana, além dos efeitos sobre o transporte de cargas, o custo logístico e a competitividade econômica da região.

O coordenador da Aliança Pelotas, Raphael Morales, afirmou que uma das principais inquietações locais está relacionada à possibilidade de a região voltar a arcar com tarifas elevadas em rodovias que foram alvo de mobilização histórica da população. Ao abordar a discussão sobre as concessões, ele lembrou a luta pela duplicação da BR-116 e criticou a hipótese de que moradores e setores produtivos da Zona Sul venham a pagar por obras e estruturas que não dialogam diretamente com a realidade regional.

(Foto: Martha Cristina Melo)

“Esse é o nosso desafio aqui: não deixar que o pedágio da região metropolitana ao Porto de Rio Grande se torne caro de novo”, pontua. “Que a gente pague, sim, aquilo que é justo pela manutenção, pelo custeio, pelos serviços de uma rodovia segura”.

Segundo Morales, há preocupação com o desenho apresentado para as rotas em discussão e com o número de praças de pedágio previstas ao longo dos trechos que ligam a região ao restante do estado. Ele também mencionou o risco de fragmentação política no campo da centro-direita e defendeu um posicionamento de unidade em torno da disputa eleitoral. “A gente acredita ser crucial a questão das candidaturas ao Senado Federal”, argumenta.

A ex-prefeita de Pelotas, Paula Mascarenhas, também participou do encontro e destacou a importância de inserir a metade sul no centro das discussões sobre o futuro do estado. “A gente, a Zona Sul, levou 100 anos para termos novamente um governador do Estado”, afirma Paula. Segundo ela, a presença de Eduardo Leite no Palácio Piratini reacendeu expectativas em uma região que, ao longo do tempo, “perdeu esse poder econômico”. A ex-prefeita também fez uma defesa da condução do governo estadual diante de crises recentes. “Eu não tenho dúvida de que daqui a alguns anos, com o distanciamento histórico, a gente vai ter noção do que foi feito”, disse, ao citar a situação fiscal do Estado, a pandemia e as enchentes.

Ao longo da atividade, as intervenções reforçaram a percepção de que a Zona Sul busca maior espaço no debate estadual, sobretudo em temas ligados à logística, à capacidade de investimento e à redução de desigualdades históricas entre as regiões gaúchas. Nesse cenário, o encontro em Pelotas serviu como espaço para reunir reivindicações locais e projetar pautas que, segundo lideranças da região, precisam ser consideradas em qualquer proposta voltada ao futuro do estado.

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