Trajetória literária de Maria Alice Estrella é homenageada na Feira do Livro de Pelotas

Maria Alice tem quatro livros publicados e é cronista do JTR desde 2024. (Foto: Lylian Santos/JTR)

A escritora, cronista e poetisa Maria Alice Estrella foi escolhida como uma das patronas da 51ª Feira do Livro de Pelotas. Reconhecida por sua trajetória literária marcada pela sensibilidade e olhar observador, a cronista se diz honrada por ter o reconhecimento de seu trabalho, que vem de muitos anos. Estrella atualmente é cronista do JTR.

A paixão pelas palavras surgiu cedo. Aos 12 anos, ainda no primário já escrevia seus primeiros textos. O talento não passou despercebido e uma professora chamou os pais para conversar sobre o que via como um potencial a ser trabalhado. Desde então, os escritos sempre a acompanharam. O incentivo dentro de casa, especialmente por parte da mãe, também escritora, ajudou a firmar o seu amor pelas letras. “A literatura me ajudou em um momento difícil, com o luto, eu tinha necessidade de escrever e botar em palavras o que eu estava sentindo”, explicou.

Ao falar sobre autores que a influenciaram, a porto-alegrense cita, nomes como Fernando Pessoa, Clarice Lispector, Castro Alves, Guilherme de Almeida, Fagundes Varella e um dos primeiros a conquistar sua admiração, Mario Quintana. “Eu fiz literatura porque convivi com os imortais, eu lia noite a dentro desde de menina. As pessoas tem sede e fome de literatura, mas hoje o mundo não te dá espaço e oportunidade”.

Formada em Direito pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Maria Alice é reconhecida pela escrita precisa e sensível. Ela trabalhou na universidade como secretária dos Conselhos Superiores, e também na Rádio Federal FM. Por três décadas, assinou crônicas no extinto jornal Diário Popular, até se juntar à equipe do Jornal Tradição Regional em 2024.

Ao longo dos anos a, também poetisa, acumulou prêmios em concursos literários nacionais, entre eles os da Academia Literária Feminina do RS, que lembra como um daqueles que mais a emocionou. Em 1992, foi patrona da Feira do Livro de São Lourenço do Sul.

Esta não será, aliás, a sua primeira colaboração com a Feira do Livro de Pelotas pois já atuou como apresentadora das atividades da feira por três anos. “O maior prêmio para mim é ser reconhecida, quando alguém fala que me leu no jornal ou alguma de minhas poesias”, contou.

Sua produção inclui cinco livros, publicados entre 1989 e 2003: Por entre as pedras, Vitral, Um perfil no tempo, Maria Alice Estrella em crônicas e Perdidos e Achados, além do livro colaborativo Fifty-fifty (2016).

Maria Alice mantém-se fiel àquela garotinha que preenchia cadernos com versos e histórias. Sua escrita serena é capaz de despertar sentimentos, sem alardes, traduzindo o ordinário em poesia espontânea. Uma das grandes vozes das letras pelotenses, agora é consagrada como patrona da principal festa literária da cidade. “Para essa Feira do Livro eu trago minha bagagem e anos de trajetória. Essa festa irá sair da infância, passar da juventude e vai para a vida adulta e a maturidade”, conclui Estrella.