Pelotas sedia a quarta edição do Giro pelo Rio Grande da Fecomércio RS

Evento debateu questões importantes para o desenvolvimento do estado e do país. (Foto: Divulgação)

A quarta edição do Giro Pelo Rio Grande reuniu cerca de 300 pessoas no auditório do Sicredi em Pelotas. O evento, que neste ano tem como tema “Brasil 2023: para onde estamos indo”, promoveu um debate sobre o novo governo, o cenário político-econômico e contou com a participação do cientista político Fernando Schuler e do consultor econômico Marcelo Portugal. Os painelistas foram mediados pelo presidente da Fecomércio RS, Luiz Carlos Bohn, e pelo economista e gerente de Relações Governamentais da Federação, Lucas Schifino.

Representando os sindicatos da região, o presidente do Sindilojas Pelotas, Renzo Antonioli, deu as boas-vindas aos presentes ressaltando a representatividade do Sistema Fecomércio RS. “São mais de 100 sindicatos e 530 mil empresas, cerca de 1,7 milhões de trabalhadores, isso representa 54% do PIB do RS. Na nossa região, os sindicatos são responsáveis por 64% do PIB”, disse ele. Renzo destacou os investimentos do Sistema na cidade como a reforma do prédio do Sesc, na faculdade de Tecnologia do Senac e anunciou um grande investimento em parceria com a Prefeitura. “Trata-se de um dos conjuntos arquitetônicos mais importantes do sul do Brasil. A prefeitura, através de um projeto selecionado pelo governo do Estado, irá restaurar um tradicional castelo no centro da cidade. Dentro desse complexo, a Fecomércio irá construir a escola de gastronomia de Pelotas. Esse é o Sistema Fecomércio, que muitos de vocês contribuem”, disse.

Nesse sentido, a prefeita de Pelotas Paula Mascarenhas (PSDB) agradeceu a parceria da Fecomércio RS em inúmeras ações e projetos no município, seja através do Sesc, especialmente com a realização do Festival de Música, elevado a cidade em nível nacional, seja com o Senac, agora com o projeto Iconicidades. “Pelotas ficou em primeiro lugar no Iconicidades. Vamos unir patrimônio histórico e formação profissional, mas também geração de renda, pois além de um espaço turístico será uma vitrine das nossas potencialidades”, garantiu.

Ao apresentar os painelistas, o presidente da Fecomércio RS disse que o evento traz debates importantes do cenário político, econômico, que impactam direta ou indiretamente as empresas gaúchas, em especial de bens, serviços e turismo.

A primeira palestra foi do consultor econômico Marcelo Portugal. Em seu painel, o economista abordou os principais desafios econômicos do Brasil, o arcabouço fiscal e também a reforma tributária. Conforme Portugal, algumas transformações são fundamentais para o crescimento econômico do Brasil, tais como a privatização, a abertura da economia à competição externa, a separação entre produção e provisão de bens públicos e o aumento de produtividade no setor privado. Além disso, o economista enfatizou que a reforma tributária é fundamental para o país crescer, porém ressaltou a necessidade de uma reforma ponderada e sensata.

Sobre o tema, ele abordou pontos positivos da proposta que está em tramitação, como a criação de dois tributos que proporcionarão uma padronização no país e o fato do tributo incidir sobre o consumo. Em uma projeção de reforma ideal ele citou cinco pontos essenciais. Entre eles, defendeu que o imposto deveria tratar bens e serviços de forma homogênea, tendo uma alíquota única para todos os bens e serviços. No entanto, se mostrou cauteloso ao afirmar que muitas variantes da reforma ainda estão em aberto por conta da lei complementar que deve regular diversas questões. “Desta forma, qual vai ser a alíquota do IVA – CDB + IBS?”, questiona. Segundo ele, um dos problemas da mudança proposta é “a possível briga entre setores, que irão se confrontar por conta das alíquotas diferenciadas que pagarão”.

O segundo painel da noite foi o cientista político Fernando Schuler. Ele apresentou um retrospecto da política brasileira e abordou a atual conjuntura com a revolução tecnológica. Conforme o painelista, o “ziguezague” entre presidente e políticas de governo, desde então, é um dos principais problemas enfrentados pelo país. Planos de governo desiguais e reformas mal conduzidas marcaram o cenário político nacional. Schuler apontou alguns pontos nos quais foram verificados avanços: reforma da previdência, reforma trabalhista, criação da lei das estatais e da privatização e implementação do teto de gastos.

Schuler citou no campo das políticas públicas um movimento positivo chamado de “revolução silenciosa”, que é a modernização do Estado. “Gradativamente, o país vai aprendendo a trabalhar o setor público e setor privado em maior sintonia. Um exemplo foi citado hoje no projeto em parceria entre a Prefeitura e o Sistema Fecomércio-RS, e isso se reflete em diversas cidades do Brasil”. Por fim, ele demonstra preocupação com a falta de investimentos em uma área prioritária, a educação.

No encerramento do evento, o presidente da Fecomércio-RS reiterou a relevância de debater as questões apresentadas e agradeceu novamente a participação das entidades e sindicatos da região reafirmando o trabalho feito pela federação em prol do setor terciário gaúcho. “Temos de apontar os pontos positivos da reforma tributária, como o fato de apresentar cinco tributos em dois com a mesma regra, por exemplo. Porém, temos de nos manter vigilantes e continuar trabalhando, agora com as leis complementares, juntamente com a CNC, como viemos trabalhando até agora”, concluiu.

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