Pelotas: RoboPel 213 promove inovação e sustentabilidade na educação regional

Ao longo dos dois dias de evento, o público pôde conferir 42 mostras de projetos desenvolvidos por alunos de diferentes faixas etárias, com apoio de professores e coordenações pedagógicas. (Foto: Julia Barcelos/JTR)

De origamis a robôs que jogam futebol, o RoboPel 213 transformou o Pelotas Parque Tecnológico em um palco de ideias inovadoras para a educação pública e privada da Região Sul. Realizado na quinta (4) e sexta-feira (5), o encontro reuniu estudantes de 41 escolas dos municípios de Pelotas, Capão do Leão, Pedro Osório e Camaquã. A proposta era integrar comunidades educacionais por meio da inovação, sustentabilidade e criatividade.

Ao longo dos dois dias de evento, o público pôde conferir 42 mostras de projetos desenvolvidos por alunos de diferentes faixas etárias, com apoio de professores e coordenações pedagógicas. Seguindo pelo auditório nos deparamos com variados projetos, como robôs feitos com peças de LEGO, prensas de lixo, foguetes, simulações do sistema solar, animais robóticos e até um sistema de alerta para cheias – pensado a partir da realidade local.

Mais do que uma feira de tecnologia, o RoboPel é um espaço de troca entre escolas municipais, estaduais, federais e particulares, com apoio de diferentes instituições. A proposta do evento é construir uma educação mais significativa, que une a teoria e a prática de forma acessível.

“A gente acredita que a robótica educacional vai além do conteúdo técnico. Ela promove o pensamento crítico, o trabalho em equipe e a resolução de problemas do mundo real”, destacou Letiane Fonseca, uma das coordenadoras do evento, que faz parte do Centro Tecnológico Educacional de Pelotas (CETEP), responsável pela organização junto à Secretaria Municipal de Educação.

Reaproveitamento e criatividade em sala de aula

No estande do CETEP, o professor e coordenador pedagógico Jardel Borges apresentou projetos feitos com reaproveitamento de materiais, como carrinhos movidos a fricção e organizadores de fios construídos a partir de apontadores e canudos reutilizados. “Isso aqui ia pro lixo, mas tem muito componente que dá pra reaproveitar e não precisa comprar. A gente transforma em material pedagógico e ainda ensina sobre sustentabilidade”, explicou o professor, que leciona para turmas do Ensino Fundamental I.

Com experiência em escolas como Oswaldo Cruz e Joaquim Assumpção, Borges defende uma educação conectada com o cotidiano e o meio ambiente. Para ele, mais importante que decorar conceitos é saber aplicá-los na prática. “A gente trabalha a base. Não é só aprender por aprender, é entender onde aquilo vai ser usado. Às vezes o quadro cheio não mostra que o aluno aprendeu, mas com a mão na massa eles vão visualizando, compreendendo”.

Curso do IFSul aposta na robótica como ferramenta pedagógica

O evento contou também com a presença do curso de Licenciatura em Computação do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul), com uma exposição de projetos criados por futuros professores para aplicação da robótica como ferramenta pedagógica.

O professor Tauã Cabreira nos apresentou alguns projetos, como carrinhos movidos a balão, feitos com papelão e CDs, e jogos de lógica programados em Arduino, com interfaces construídas com materiais recicláveis. “A ideia é mostrar que é possível ensinar computação e robótica mesmo sem muitos recursos tecnológicos. A gente trabalha com materiais simples, como tubos de papel higiênico, papelão, balões, e ainda assim consegue criar atividades ricas e interativas”, explica Cabreira.

Também foram apresentados exemplos de computação desplugada, que permitem o ensino de conceitos de programação e lógica sem o uso de computadores. A proposta é democratizar o acesso à tecnologia educacional, tornando possível trabalhar esses conteúdos em qualquer escola, mesmo com poucos equipamentos.

Aprendizado que conecta diferentes realidades

Ao fim, mais do que expor projetos, o RoboPel proporcionou vivências significativas para alunos e professores, promovendo o intercâmbio entre diferentes realidades e formas de aprender. Para a coordenadora pedagógica Daiane Leal, esse contato direto com outras escolas e ideias amplia horizontes e inspira novas práticas. “É uma oportunidade de tirar os estudantes da rotina da sala de aula e colocá-los num ambiente de troca com outras realidades. Eles veem que o que aprendem pode ser útil e transformador”, comentou.