Com mais de duas décadas de existência, o Projeto Vi-Vendo realiza testes de visão em crianças de idade escolar, entre quatro e 14 anos. O projeto de extensão da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) foi idealizado por Roni Quevedo, professor da instituição e médico homeopata, e que é acompanhado por estudantes do curso de Medicina. O teste, feito a partir da Tabela de Snellen, é realizado todos os semestres em departamentos da Associação Pelotense de Acesso à Cultura (APAC).
A incidência de problemas de visão, como a miopia, está cada vez maior e mais comum na sociedade atual, inclusive entre crianças e adolescentes. Segundo um levantamento do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), realizado em 2023, a taxa de progressão deste problema de visão entre pacientes de 0 a 19 anos foi 70% maior naquele ano em relação a 2020. Há pesquisas que relacionam esse fenômeno ao uso excessivo de telas. Durante a avaliação realizada por Quevedo e seus alunos, também são feitos questionários sobre hábitos e estilo de vida das crianças. De janeiro a setembro de 2024, foram realizadas 66 avaliações e, destas, 40 apresentaram algum tipo de problema visual, sendo que a maior parte dessas crianças relatou o uso excessivo de eletrônicos.
As pesquisas envolvendo os impactos do uso de telas a longo prazo ainda estão sendo desenvolvidas. No entanto, os problemas de visão, independentemente da origem, podem impactar diretamente no aprendizado e alfabetização de crianças e adolescentes. Pensando nisso, Quevedo deu início ao Projeto Vi-Vendo, promovido pela iniciativa “UCPel mais Saudável”, e implementado há mais de 25 anos na universidade aplicando testes de acuidade visual em escolas e outras instituições municipais. “O objetivo é identificar essa falha, que a criança não se dá conta. A importância é que você tire uma criança do analfabetismo e até do bullying na escola porque ela não enxerga e não consegue evoluir nos estudos”, explica o médico.
O teste mede a acuidade visual, ou seja, a nitidez da visão – existem vários tipos de tabelas. Quevedo utiliza de uma com várias letras E, de diversos tamanhos e direções; e outra com desenhos, também de vários tamanhos, para crianças mais novas. Assim, os pacientes são posicionados a cinco metros da tabela e devem ir dizendo para qual direção as letras estão viradas ou qual a figura elas veem. Com base no tamanho das figuras que o paciente enxergou, define-se o nível de visão. A partir desse resultado, Quevedo faz uma requisição de exame oftalmológico que será encaminhada à rede pública de saúde ou convênio.
Essas ações são realizadas, pelo menos, uma vez por semestre da faculdade para familiares dos funcionários da instituição do grupo APAC, o qual envolve o Campus 1, Hospital Universitário São Francisco de Paula, Campus da Saúde e Unidades Básicas de Saúde sob administração da UCPel. Também são realizados testes no Instituto de Menores Dom Antônio Zattera, Instituto Nossa Senhora da Conceição e Associação Escola Louis Braille. Em breve, o projeto deve ir também à Associação de Amigos, Mães e Pais de Autistas.




