Morre Dona Conceição Teixeira, símbolo de afeto e resistência cultural em Pelotas

Dona Conceição criou mais de cem crianças e escreveu mais de mil sambas ao longo da vida. (Foto: reprodução)

Morreu na manhã deste sábado (5), aos 85 anos, Conceição Rosa Teixeira, conhecida popularmente como Dona Conceição do Lar, Mãe Co ou, ainda, Dona Conceição dos Mil Sambas. Moradora da Vila Castilho, em Pelotas, ela dedicou a vida ao acolhimento de crianças em situação de vulnerabilidade e à criação de sambas compostos de forma artesanal e carregados de poesia popular.

Mesmo sem formação musical formal ou o domínio de instrumentos, Conceição compôs mais de mil sambas ao longo da vida, músicas que ela mesma chamava de “filhos de papel”. As composições, muitas ainda inéditas, foram escritas à mão e guardadas em sacolas de supermercado espalhadas por sua casa, onde dividiam espaço com histórias de vida e de luta.

A artista popular foi descoberta fora dos circuitos tradicionais da música. O trabalho de resgate de suas composições teve início com o pesquisador Leandro Maia, que entre 2015 e 2018 desenvolveu uma pesquisa na Bath Spa University, no Reino Unido, reunindo e catalogando parte da vasta obra de Conceição. Em 2017, ela chegou a lançar uma coletânea com 13 de suas canções.

Além da música, Dona Conceição também ficou conhecida por sua generosidade. Criou mais de cem crianças, os chamados “filhos do coração”, que passaram por sua casa e receberam cuidado, comida e, principalmente, amor. Seu lar era um espaço de acolhimento, onde a maternidade se estendia para além dos laços sanguíneos.