Dia dos Namorados: Uma história de amor da vida real

Há 25 anos casados, a história de Débora e João dos Santos é uma dessas na qual quem se senta para escutar a respeito, fica mais encantado pelo filme que consegue ver passar diante dos olhos. (Foto: Divulgação)

Nas voltas que o amor percorre, há caminhos que se cruzam. Assim, começam todas as histórias que buscam um coração que se assemelha ao seu. Datando do mais antigo dos tempos, busca-se pelo amor nas tragédias, nas comédias, no mais intenso dos romances. Mas, o que compreende tal sentimento, que entre distinções e sinfonias, se dá principalmente em escolha?

Há 25 anos casados, a história de Débora e João dos Santos é uma dessas na qual quem se senta para escutar a respeito, fica mais encantado pelo filme que consegue ver passar diante dos olhos. Os dois são pais de Felipe, de 22, e Flávia, de 18, e moram no bairro Fragata, em Pelotas. Débora define o início da história com o marido como “amor à primeira vista”. “Em um dia comum, estava na minha casa e meu tio chegou para falar com meu pai. Como ele estava na casa da minha madrinha e, naquela época, não tinha telefone, fomos eu e minha prima buscar meu pai. Chegando lá, minha madrinha estava estendendo roupas e ela foi chamar ele. Um lençol levantou com o vento e o João estava conversando com meu primo. Naquele momento, nos olhamos e pintou um clima”, conta a administradora, que diz ter perguntado para a madrinha quem era o rapaz.

Assim, como toda boa sequência de cena cinematográfica, o próximo encontro do casal aconteceu na festa de aniversário de outra prima de Débora, quando a troca de olhares entre os dois ao se encontrarem entre os convidados carregou muito mais do que vontades adolescentes, embora, na época, nada soubessem a respeito do que o futuro lhes reservava.

O primo de Débora – que era amigo de João – sugeriu que todos os adolescentes fossem a uma festa no antigo Bailão Estrela Gaúcha. Ali, a jovem enxergou a oportunidade de finalmente falar com o rapaz. “Lá, tive que esperar tocar uma música lenta para ele me tirar para dançar. Dançamos, conversamos e ele me beijou. Foi tudo lindo, terminou a festa, ele me deixou na porta de casa e disse depois a gente se falava”, relata Débora.

Por morarem a cerca de duas quadras de distância, a administradora pensou que ambos poderiam pegar o mesmo ônibus para trabalhar, assim, achava que no outro dia, após a festa, veria João novamente. “Só que para minha surpresa ele não apareceu. Eu entrava primeiro no ônibus, ele olhou e não entrou. Eu pensei: ‘certo, não deu, amanhã ele vem’. Só que não. Percebi que era de propósito. Ele estava evitando encontrar comigo”, disse. A mulher acrescenta que, na época, não ficou triste, mas furiosa.

Como todo bom roteiro de comédia romântica que mantém a audiência em expectativa, fazendo com que o público se agarre em um balde de pipoca para acompanhar o desenrolar da história, a vida real seguiu conforme a arte e os próximos eventos catapultaram o casal de jovens para a família que tem hoje. “Um dia, ele esqueceu e entrou no ônibus que eu estava, e não fiquei com isso engasgado. No ônibus mesmo olhei para ele e disse: ‘não sei o que eu fiz, também não estou interessada em saber, só que eu acho que você teria que ter um pouco de educação. Não quero ser tua namorada, só que como você me conhece, pode só dizer um oi’”, relata.

Nas telas do cinema, saltos temporais são um tormento ao espectador, mas sempre mostram que há uma evolução nos personagens. Seguindo o mesmo rumo, a vida de Débora e João manteve-se afastada pelo exato período de um ano, logo após a discussão no ônibus, em que a mulher decidiu que evitá-la havia sido algo absurdo, decidindo, assim, que fingiria nunca ter conhecido João, e que se possível, ele também evitasse qualquer contato com ela.

“Depois de um ano, em novembro de novo, como no aniversário que nos encontramos, eu e minha prima fomos em uma festa. Quando estava lá dançando com minhas amigas, olhei e vi que o João pedia para o amigo dele olhar se eu estava olhando. Pensei: ‘o que ele quer agora?’”.

Um claro exemplo de mulher decidida, naquele momento, Débora soube que precisava resolver aquilo de uma vez por todas e, assim, inicia-se a conclusão desta história, com uma jovem obstinada dando um ultimato àquele que um dia seria seu marido. “Vem aqui ou eu vou aí”, disse ela.

“Ele veio e eu disse: que palhaçada é essa de pedir para teu amigo ficar olhando? Ele disse que não estava fazendo isso”, conta ela, acrescentando que a conversa foi selada com um beijo do qual João não poderia ter escapado. Um beijo que simbolizou a juventude dos dois e tudo o que seria gerado a partir dele, uma vida a dois que seria multiplicada, um momento de futuro no instante que havia entre dois jovens.

Em seis meses, o casal noivou e, depois de três anos, veio o casamento. Assim, 25 anos após os votos serem feitos, o amor ainda se faz presente entre a rotina, os filhos e os problemas.

“Falar que tudo são flores é mentira. […] São muitas dificuldades, mas que com muita conversa e um compreendendo o outro é mais fácil de conseguir. Nós somos companheiros que conversamos muito e dividimos tudo juntos, assim fica mais fácil. E se eu faria tudo novamente? Com certeza!”, concluiu Débora.

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