Audiência Pública discute situação do Mercado Central de Pelotas

O vereador Ronaldo Quadrado (PT) propôs o encontro, que também contou com a presença dos secretários de Urbanismo, Otávio Peres, de Turismo, Danilo Rodrigues, e o diretor da secretaria de Desenvolvimento, Empreendedorismo e Inovação (Sdei), Leonardo Feijó. (Foto: Eduarda Damasceno)

A Câmara de Vereadores de Pelotas promoveu, na noite de segunda-feira (28), uma Audiência Pública sobre o Mercado Central. As queixas dos permissionários sobre a demora da Prefeitura em resolver problemas estruturais, como a manutenção da Torre do Relógio, as infiltrações e alagamentos na parte interna, a reforma dos banheiros e o aumento da segurança, motivaram o vereador Ronaldo Quadrado (PT) a propor o encontro. Além dos comerciantes, comunidade e vereadores, participaram os secretários de Urbanismo, Otávio Peres, de Turismo, Danilo Rodrigues, e o diretor da secretaria de Desenvolvimento, Empreendedorismo e Inovação (Sdei), Leonardo Feijó.

“O novo governo ainda está no início, ainda está engatinhando, mas a gente está cobrando prazos para que tudo aconteça, pois temos vários problemas e, agora, saiu essa denúncia de que a Torre está se deteriorando e isso é muito grave, precisamos de uma urgente para isso e outros problemas”, disse o presidente da Associação dos Permissionários, Guilherme Fiss.

O presidente da Associação dos Permissionários, Guilherme Fiss, cobrou prazos do poder público para melhorias no local. (Foto: Eduarda Damasceno)

Durante as 3h de duração da audiência, os comerciantes puderam expor seus dramas cotidianos causados pela falta de apoio do poder público e de soluções para problemas do prédio e do entorno do Mercado Central. “Nós, da gastronomia, estamos agonizando. Muitos já fecharam por causa da dificuldade de se trabalhar. No inverno não trabalhamos, o Mercado morre porque não temos estrutura. É o frio, a chuva, e o que acontece? As pessoas chegam ali e não encontram nada. Eu estou há três anos com goteiras no meu restaurante. Precisava pintar e não pude, porque chove como se fosse na rua, as pessoas têm que se levantar e ir embora e eu nem cobro a conta, de vergonha”, disse o comerciante Maurício Falkenberg.

Maurício Falkenberg foi um dos comerciantes que expôs a falta de apoio do poder público e os diversos problemas do prédio e do entorno do Mercado Central. (Foto: Eduarda Damasceno)

A demora na realização da licitação para ocupação de 20 bancas fechadas foi outro ponto levantado pelos comerciantes. “Estamos há três anos sem licitação, empreendedores estão desistindo de se instalar no Mercado pela demora do poder público em realizar esse processo”, afirmou Jordana de Lima.

A demora na realização da licitação para ocupação de 20 bancas fechadas foi outro ponto levantado pela comerciante Jordana de Lima. (Foto: Eduardo Damasceno)

Os espaços com metragens que variam entre 11 até 152 metros quadrados, dependendo da localização, poderiam receber empreendimentos de um a mescla com mais de 20 atividades e de nichos que vão desde gastronomia até artigos gauchescos e produtos artesanais. No início do ano, os permissionários apresentaram à Prefeitura uma lista com 29 novos segmentos que, hoje, não existem no Mercado e poderiam se encaixar à mistura atual.

Arrecadação com aluguéis paga apenas custos de zeladoria

Provocado pelos comerciantes a respeito da falta de transparência com relação a destinação dos recursos arrecadados pelo município com os aluguéis das bancas – que variam entre R$ 850 e R$ 4.460, dependendo da metragem dos espaços – Peres revelou que, atualmente, a arrecadação gira em torno de R$ 60 mil e é suficiente apenas para pagar os custos com a empresa de zeladoria, que ficam em R$ 59 mil mensais.

A informação foi confirmada pelo diretor da Sdei. Feijó explicou, ainda, que os recursos são destinados a uma conta específica do mercado e as sobras usadas conforme projetos da secretaria para melhorias no Mercado. De acordo com o gestor, os relatórios podem ser acessados pelos permissionários diretamente na secretaria.

O secretário de Turismo, por sua vez, disse que estão sendo tomadas medidas com o objetivo de atrair mais visitantes como, por exemplo, a construção de uma agenda de eventos mensais. Em maio, conforme Rodrigues, deve acontecer a primeira atividade: uma exposição sobre o Grupo Tholl. “Essa programação está sendo organizada no Centro de Atendimento ao Turista (CAT) e a ideia é que o CAT seja tematizado mensalmente para respirar junto com o Mercado e se possa desenvolver ações para incentivar o movimento”, disse.

O início da reforma dos banheiros, nas próximas semanas, também foi confirmado pelos secretários.

Após discussões, avaliação foi positiva

Tanto para o vereador Quadrado quanto para os representantes dos permissionários a audiência representou um avanço nas relações entre os ocupantes do Mercado Central e o poder público.

“O Mercado tem seus problemas, ele é lindo, todo mundo adora frequentar, todo mundo gosta de fazer compras no Mercado, mas ele tem problemas estruturais, problemas históricos que precisam ser resolvidos. Mas um encaminhamento importante que foi tirado dessa audiência é a criação de um fórum permanente de discussão sobre o Mercado, que envolva Câmara de Vereadores, Executivo, permissionários, usuários e conselhos ligados ao tema, como os conselhos de Cultura e de dos Povos de Terreiro. Acho que a criação deste espaço foi um bom encaminhamento”, comentou Quadrado.

Para o presidente da Associação dos Permissionários, a reunião representou um primeiro passo em busca das melhorias que o grupo espera ver realizadas muito em breve. “Essa audiência veio para dar luz aos nossos problemas e a gente não quer nada mais do que um Mercado pulsante, revitalizado, as pessoas, as famílias circulando e consumindo ali. Então, é de extrema importância essa audiência aqui e eu creio que não vai ficar só nessa audiência, pois agora vamos seguir cobrando a Prefeitura, através dos vereadores e dos canais abertos aqui nessa noite”, afirmou Fiss.