Altos e baixos nas atividades econômicas durante o verão

Shopping Mar de Dentro está localizado na av. Dr. Antônio Augusto de Assumpção, 9347, na Colina Verde - Laranjal. (Foto: Luciara Schneid/JTR)

O período de verão abre algumas oportunidades às atividades típicas da estação, como bares, restaurantes, sorveterias, ambulantes, entre outras, que aproveitam a movimentação maior de pessoas ao ar livre, principalmente nas praias, para melhorarem suas receitas.

No Shopping Mar de Dentro, clima é de espera
Situado próximo à orla da praia do Laranjal, o Centro Comercial Mar de Dentro, conhecido popularmente como o Shopping do Laranjal, funciona o ano inteiro com lojas de moda praia, brinquedos, bebidas, restaurantes, lotérica, barbearia, salão de cabeleireiro, farmácia, sorveteria, costureira, chaveiro e outros, mas durante o veraneio funciona como local para compras rápidas e serviços, já que de novembro a março, a população do bairro pode chegar a quase 50 mil pessoas.

Com o aumento da movimentação na praia, o esperado seria uma movimentação maior também de compras, mas não é o que se tem observado. Os dias têm sido de corredores vazios, mesmo com a praia lotada, dizem as irmãs Andressa e Vitória Machado Araújo, proprietárias do salão de beleza Stúdio Ama. Elas trabalham de segunda a sábado, das 9h às 19h30, e estão instaladas no Shopping há cerca de dois anos.

Segundo elas, as moradoras preferem sair do Laranjal e buscar os serviços de beleza, em outros locais da cidade. “O movimento já vem caindo há algum tempo e para os salões de beleza em geral, os meses de janeiro e fevereiro já são considerados fracos”, disse Andressa. Ela acredita que investimentos do poder público em estruturas e eventos na orla, em frente ao centro comercial, poderiam melhorar o movimento e atrair o público para a área do Shopping, já que a maioria dos eventos ocorrem mais próximos ao trapiche.

O proprietário do Boteco Sambar Shopping, Geovani Carúccio, trabalha no local de terça a domingo, das 11h às 18h e oferece almoço, petiscos, pastéis e fritas, com foco nos trabalhadores do Shopping. No domingo, procura oferecer música ao vivo aos clientes, o que atrai frequentadores. Proprietário de um outro ponto, mais próximo ao trapiche, que funciona à noite, também com música ao vivo, ele registra maior movimentação principalmente aos sábados. “O movimento se molda muito pelo clima, em dias de forte calor o movimento aumenta e chega a faltar mesas no bar”, disse.

A lojista Leonice Nunes, da Boutique Vitrô, trabalha com moda feminina, há 12 anos no local, e não sabe se consegue se manter por muito mais tempo: “O movimento foi caindo gradativamente, mas piorou depois da pandemia”. Segundo ela, as lojas menores conseguiram se manter devido à proibição de funcionamento para as lojas maiores, e no caso dela, por ser um espaço pequeno, conseguia trabalhar de portas fechadas e fazer entregas em domicílio. Neste período, Leonice conta que conseguia viajar de 15 em 15 dias para buscar mercadoria na Serra e em Santa Catarina.

Para incrementar as vendas, ela antecipou a liquidação de verão e está oferecendo promoções, com descontos de até 40%. “Em outros tempos, na época de Natal eu trabalhava até as 22h, e o movimento no Shopping era intenso”, disse. Conforme ela, ao contrário da movimentação no Laranjal, o seu público compra mais no inverno.

O síndico Olavo Renato Santos da Silveira atribui a queda no movimento a diversos fatores, entre elas, às mudanças nas relações de consumo, principalmente, após a pandemia, que acelerou as vendas virtuais e transformou a rotina e a cultura dos consumidores. Ele acredita que esta mudança afeta a economia da cidade como um todo e não apenas o Laranjal. Silveira relata ainda que “das 70 lojas do condomínio, 30% estão vazias por que não tem apelo”, e acredita que isso é motivado por diversos fatores, entre eles, a cultura do pelotense em preferir outras praias ao Laranjal, devido à água imprópria para banho, e outros.

Além disso, o estabelecimento de pontos comerciais ao longo da avenida Adolfo Fetter, o que antes não existia, facilita para quem vem para o Laranjal ir se abastecendo ao longo do caminho: “Com a pandemia, ficamos quase dois anos parados, em que só podiam funcionar a farmácia, caixas eletrônicos e a lotérica e quando estávamos nos recuperando, veio a enchente, em que o Shopping parou por mais 30 dias”. Com a enchente, muita gente deixou o Laranjal e demorou a voltar, aumentando o número de casas para vender e alugar no bairro.