Zimmermann se despede mais uma vez do Xavante

Zimmermann em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (10) (Foto: Vitória Leitzke/JTR)

Na manhã desta quarta-feira (10), o técnico Rogério Zimmermann concedeu uma coletiva de imprensa, solicitada por ele, para falar sobre os motivos de sua saída do Grêmio Esportivo Brasil (GEB). Em uma conversa de mais de uma hora, Zimmermann apontou três principais motivos do desligamento: o atraso dos salários dos jogadores, a descontinuidade do projeto do Centro de Treinamento (CT) e a falta de investimentos para o ano.

O técnico apresentou duas situações para a imprensa: a primeira na sua passagem na Série B do Campeonato Brasileiro no ano passado. O time, que estava na zona de rebaixamento, com 14 rodadas para o final do campeonato, venceu oito jogos e subiu na tabela. Porém, para o Gauchão 2018, não houve negociação. “Quando questionei a folha para o campeonato, com números fictícios: me falaram R$ 250 mil de orçamento. Não aceitei, não consigo produzir aquilo que o torcedor espera. Veio o novo treinador e subiu para R$ 350 mil, R$ 400 mil”, desabafou falando sobre a contratação do técnico Paulo Roberto Santos e concluiu com um sentimento de que, segundo ele, “com esse valor o Rogério faz mágica, ele traz aquele jogador que ninguém conhece, o Rogério consegue”.

O segundo cenário é o atual. Em março deste ano, após um fraco campeonato estadual, o clube procurou Rogério Zimmermann para ajudar o time. Segundo o treinador, foi solicitada duas condições: o pagamento em dia dos salários dos jogadores e o andamento do projeto do CT. “Perguntei se com a folha falada teria como pagar, eles me falaram que sim e eu aceitei. O que você faz? Você acredita nas pessoas”, conta.

“É ruim você estar na área técnica, o teu jogador estar com algumas dificuldades, não está pensando só no adversário, ele erra e o torcedor vaia. Você sabe que dificuldade esse jogador está passando, o que ele passou se preparando para aquela partida. Evidentemente, o time se recuperou como sempre recupera comigo, por coincidência. As promessas continuam e tu sempre acredita nas pessoas”, destaca.

Conforme Zimmermann, após um mês no comando, houve outro pedido de regularização dos salários, o qual não foi cumprido. Logo, antes da pausa, em reunião ele havia falado para a direção que eles teriam um mês para colocar em dia e conseguir jogar com tranquilidade contra o Botafogo – partida marcada para amanhã (13), fora de casa -. O retorno foi mais promessas.

“A minha passagem anterior foi para salvar o Brasil da Série B e a minha passagem agora foi para dar um rumo, pois o Xavante começou muito mal. Mais uma vez o clube estava em dificuldade e eu vim ajudar, consegui. Hoje o time tem uma ideia de jogo, os jogadores estão crescendo, nas últimas quatro partidas, o rubro negro venceu três”, ressaltou.

Questionado o porquê de sair agora, o treinador destacou que foi em respeito à história com o clube e motivado também pelas duas paralisações dos jogadores, nos últimos dias 28 e 2, durante os treinos. “Jogamos quatro partidas, não ganhamos nenhuma e os salários estão atrasados. Você acha que é um bom momento para sair? Eu não faço isso. Com a história que eu tenho aqui, eu não vou sair por uma questão salarial com os atletas, com o Brasil há quatro partidas sem vencer. Como eu vou estar em dia com os salários dos jogadores atrasados? Treinei, os preparei e agora estão preparados para o campeonato”, rebateu.

Direção sabia

De acordo com o presidente Ricardo Fonseca, a saída de Zimmermann teria pego a direção de surpresa, porém, Rogério garantiu sempre deixar claro que sempre falou que ficaria pouco tempo. O que inclui, durante a coletiva, a retirada de um papel do bolso com o minuto exato em que falou sobre isso em sua primeira coletiva após assumir. “Eles sabiam que eu ia sair, mas talvez não acreditassem, esse que deve ser o motivo da surpresa. Não é que não sabiam, eu avisei em uma reunião, só não sabe quem não estava nela. Se o salário está atrasado, tem pessoas que nem aparecem no vestiário, aí não vão saber nada”, afirma.

Ao ser questionado pela reportagem se uma possível má gestão poderia estar contribuindo para a crise, o treinador afirmou “não estar falando em má gestão, porém em quatro anos de Série B, ele e os torcedores esperavam estar em outro patamar”. “Falam que é normal atrasar salário no futebol. Mas isso é mau exemplo. Quando falam “lá também está atrasado”, eu saio de perto. Por que não usamos o bom exemplo?”, questionou.

E finalizou garantindo que, até o momento, não havia sondagens e procuras de outros clubes. “A minha relação com o Brasil é diferente, eu não sairia para ir para outro clube”, garantiu.

Ainda pela manhã, o time apresentou o novo treinador. Fabian Guedes, o Bolívar, será o novo comandante rubro negro. Junto ao Bolívar, chegam ao clube no próximo domingo (14) o auxiliar Patrício Boques e o analista de desempenho Jeferson Ramos.

Enviar comentário

Envie um comentário!
Digite o seu nome