Pelotas: Em greve desde fevereiro, técnicos da UFPel cobram cumprimento de acordos de 2024

Na ocasião foram também apresentadas as principais reivindicações da categoria (Foto: Clarissa Ribeiro)

Em greve desde o dia 23 de fevereiro, os técnicos-administrativos da Universidade Federal de Pelotas concederam uma coletiva de imprensa na manhã desta sexta-feira (6), na sede da Associação dos Servidores da Universidade Federal de Pelotas (ASUFPel), para explicar os motivos da paralisação e apresentar as principais reivindicações da categoria. Conforme os servidores, a paralisação ocorre em função do não cumprimento de acordos firmados durante a greve de 2024. Desta lista, 16 itens ainda não foram devidamente realizados pelo Governo Federal, por meio do Ministério da Educação (MEC) e o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).

De acordo com Mara Beatriz Gomes, da coordenação-geral da ASUFPel, destas pautas não executadas, destacam-se demandas relacionadas aos aposentados, como o seu reposicionamento e a aceleração da progressão da carreira, que foi implementada apenas para os servidores que estão em serviço ativo. Além disso, é pautada a luta histórica nacional pela redução da jornada dos trabalhadores, a qual deveria ter sido cumprida com o MEC.

Conforme Filipe Couto, da coordenação de comunicação do sindicato, “iniciou uma série de debates em dezembro e em janeiro, após um projeto de lei ter sido apresentado. Existiu uma fase de negociações, que se esgotaram no fim de janeiro, o que fez eclodir a nossa greve, em conjunto com outros assuntos”. Ainda de acordo com Couto, nesta quinta-feira (5) ocorreu uma reunião com o comando nacional de greve, na qual foi discutida uma articulação com o governo e o MEC para tratar da jornada de trabalho dos profissionais.

Batalhar e garantir mudanças

Segundo Luan Badia, do comando local de greve, a expectativa é que os itens que foram assinados sejam de fato executados no prazo estabelecido pelo próprio governo há dois anos. “A greve de 2024 foi muito forte e o governo se comprometeu com prazos de até 2026. A nossa perspectiva é que a gente consiga pressioná-lo para cumprir o acordo. Outras universidades já aderiram à greve, enquanto algumas esperam o início do movimento para fazer suas assembleias e debater”, ressalta.

Badia enfatiza, ainda, que devido à desvalorização da educação, a categoria dos servidores recebe salários inferiores aos de outras classes e não possui um piso nacional, que segue em debate. Todas essas condições contribuíram para a deflagração da paralisação. “A greve existe para buscar valorização e mais investimento em educação. Muitos trabalhadores, inclusive, a partir de 2012 deflagraram greve, muitas categorias até mesmo sem sindicato, pois uma nova consciência nasceu nas últimas décadas. Então nós também colocamos isso como exemplo para todos os trabalhadores que nos assistem: se organizem, lutem pelos seus direitos. Esse ano pode ser votado o fim da escala 6×1, por exemplo, que vai garantir a diminuição de carga horária e, enfim, promover vida para o povo brasileiro”, acrescenta.

Mara reforça que, desde o início da paralisação, denúncias de assédio no trabalho estão sendo feitas à associação, fato este que não deveria acontecer, já que, ao final de toda greve, os servidores fazem reposição de seu trabalho. “Se o servidor não foi trabalhar, a chefia devia presumir que ele está em greve. Estamos recebendo denúncias de chefes perguntando pelo WhatsApp e chamando a pessoa para trabalhar – isso é assédio. Ao final de todo acordo de greve, pactuamos com a universidade a partir do acordo com o governo, e discutimos como nós faremos a reposição. Em 2024 nada deixou de ser revisado”, relata.

Segundo Renata Lemos, do comando local de greve, em momentos como este, o debate pelas lutas sociais é intensificado, bem como a participação em projetos. “Durante as greves, aumentamos a participação dos trabalhadores em diversas lutas e pautas sociais. Em 2024, muitos grevistas foram voluntários nas enchentes em Pelotas durante dois meses da paralisação”, conclui.