Safra do pêssego movimenta a economia na região Sul mas carece de mão de obra

Um dos maiores desafios enfrentados pelas indústrias é conseguir completar o recrutamento estimado e, após, manter os colaboradores ativos. (Foto: Vinicius Peraça)

A safra do pêssego em Pelotas é motivo de expectativa para os produtores, consumidores e, também, para as indústrias. Com uma estimativa de aumento de 30% de produção em relação ao ano anterior e 42 toneladas esperadas, o número de vagas de emprego nas indústrias cresce junto aos números, o que enriquece a economia de toda a região.

Conforme dados oficiais da Emater/RS-Ascar, 15% dos hectares cultivados com pessegueiros são de variedades de mesa. O restante é de produção para a indústria, que absorve 85% do total da safra. Além disso, o município se mantém como o maior produtor da fruta para a indústria nacional, com 615 produtores.

Necessidade de colaboração
Diante dessa quantidade de produção, a necessidade de mais colaboradores em cada etapa torna-se essencial. De acordo com Adriano Bosenbecker, presidente da Associação dos Produtores de Pêssego de Pelotas, o trabalho é bem remunerado e pode ser importante na renda familiar. “É um trabalho manual, mas ele é super bem remunerado. Um trabalhador consegue, na safra do pêssego, fazer uma diária de R$ 300 a R$ 400. Isso é um incremento muito importante na renda de uma família, se você considerar uma safra de um mês, você consegue facilmente incrementar um valor de três, quatro, até cinco salários mínimos na renda. Claro, para quem se esforça, tem um comprometimento ali todo dia, porque é um trabalho por rendimento”, explicou Bosenbecker.

Para Carlos Oderich, diretor das Conservas Oderich, a preparação para a safra inclui um planejamento conjunto entre os setores da empresa, bem como a divulgação de vagas. “Iniciamos o processo com um planejamento conjunto entre as áreas de produção, gerência e Recursos Humanos, baseado na estimativa de safra que se desenha para elaborar um plano quantitativo de colaboradores. O RH realizou anúncios nas redes sociais e também abriu vagas por meio do Sine de Pelotas e Capão do Leão”, disse.

Oderich ressaltou também que a procura por vagas desse tipo é baixa atualmente, diferente de outras épocas. O diretor cita a necessidade de expandir as distâncias entre as unidades para ter uma área maior e, por consequência, aumentar a procura por vagas que alcancem o número necessário para a safra.

Ele reforçou ainda a possibilidade de efetivação após o período de trabalho na safra. Em relação aos maiores desafios enfrentados, orienta manter os colaboradores mais ativos. “Fazemos a manutenção dos colaboradores que se destacam neste período, mas ano após ano, um número menor demonstra o desejo de continuidade para trabalho. Em média, 20 pessoas permanecem efetivas. O maior desafio é conseguir completar o recrutamento estimado e, após este, manter os colaboradores ativos, minimizar as faltas de atestados e desistências, que acontecem cada vez em escala maior”, afirmou Oderich.

Segundo a coordenadora do Sine em Pelotas, Evanir Barz, as indústrias Schramm e Oderich estão com vagas em aberto desde o fim de setembro, sendo mil para Schramm e 250 para a Oderich. Cada uma delas contou com um momento de entrevistas presenciais, as quais ainda seguem abertas.

Dificuldade para além das indústrias
Já nos pomares da região, a etapa do raleio, retirada do excesso de frutos – fundamental para uma colheita rentável – mesmo com pomares saudáveis, encontra dificuldades para sua finalização devido à falta de mão de obra, conforme afirma o produtor Mauro Scheunemann. “Aqui, a gente teve bastante problema com mão de obra, não existe praticamente, principalmente na questão do raleio”, destacou. Scheunemann garantiu que possui 10 hectares de pomares, com cerca de três diaristas em épocas convencionais e sete durante a safra.

Município se mantém como o maior produtor da fruta
para a indústria nacional, com 615 produtores. (Foto: Divulgação)