
Desde a 31ª edição da Fenadoce, personagens como Morani Bomboni e Juaquim Quindim ajudam a contar a história da tradição doceira de Pelotas durante o evento. Integrantes do elenco artístico da Feira há mais de uma década, os atores unem, desde o ano passado, teatro e interação com crianças e adultos para transformar a experiência dos visitantes em uma narrativa sobre a origem dos doces, o saber doceiro como patrimônio e a identidade cultural da “terra do doce”. Neste ano, o espetáculo “Doces Aventuras de Pelotas: uma jornada mágica” foi incorporado para trazer ainda mais encanto para quem visita a Feira.
Os atores contam que ingressaram no elenco oficial da Fenadoce entre 2013 e 2014, após já desenvolverem atividades artísticas no espaço. “Nessa época recebemos um convite para entrar no elenco oficial. Antes disso, já fazíamos alguns movimentos aqui dentro da Feira, trabalhos bem relevantes. Depois fomos convidados a montar o elenco que faz esse tipo de trabalho que realizamos hoje. São muitos anos dentro do Centro de Eventos, trazendo essa alegria e recebendo os visitantes. Já estamos aqui há mais de 15 anos. Este lugar praticamente é a nossa segunda casa”, conta Juaquim. Morani destaca que a caminhada dos dois na Feira começou no mesmo período. “Nós começamos exatamente juntos. Foi a mesma trajetória”, lembra.
Criado na 31ª edição da Fenadoce, o elenco reúne os doces tradicionais de Pelotas em uma narrativa lúdica. Segundo Juaquim, o objetivo é ampliar esse universo nos próximos anos. “A ideia é mantê-lo por mais tempo e talvez ampliá-lo, incluindo mais doces para fazer tudo parecer ainda mais verdadeiro. Hoje trabalhamos com 15 doces tradicionais. A intenção é que todos estejam representados. Além deles, há o bombom de morango, representado por Morani, que ainda não é um doce tradicional, mas é um dos mais vendidos da Feira. Por isso foi incluído”, diz.
História por trás de cada doce
Na encenação, Juaquim Quindim representa um personagem ligado às origens da tradição doceira pelotense. “O meu personagem é como se fosse quem trouxe as receitas dos doces. Eu represento um português, e a maioria dos doces tem origem em receitas portuguesas e africanas. Essa mistura e a influência de Portugal na cultura doceira são características muito marcantes da nossa tradição. Contar essa história é sempre muito especial”, relata.
Segundo ele, a proposta principal é transformar informações históricas em uma experiência teatral. “O personagem ajuda a integrar toda essa narrativa, mostrando a doçura de cada doce e como foram criados. Cada doce tem suas próprias qualidades e ingredientes. Nós tentamos transformar esses elementos físicos em algo cênico, criando um contato humano com o público”, explica.
Público participa e marca a experiência dos personagens
De acordo com os atores, o contato com os visitantes e suas interações representam partes extremamente marcantes do trabalho. “Acho que os adultos voltam a ser crianças. Já as crianças são muito criativas. Sempre que temos contato com elas, acabamos aprendendo muito, porque elas sempre trazem algo novo. Estão descobrindo o mundo, enquanto nós já o enxergamos de outra forma. É muito bonito ver o olhar delas e perceber como nos veem”, afirma Juaquim.
Morani observa que, ao encontrar os personagens, a reação dos pais costuma ser semelhante à dos filhos: “Muitas vezes olhamos para pais e filhos e percebemos que reagem exatamente da mesma forma. Eles adoram, e nós também adoramos viver esse momento”. Para ela, o retorno recebido após cada apresentação é essencial para o trabalho dos atores. “O público é uma das principais razões que nos fazem querer voltar todos os anos. Agora mesmo terminamos a primeira apresentação e pelo menos 50 crianças vieram falar conosco, nos abraçar, dizer que ficaram felizes e que adoraram. Isso é incrivelmente maravilhoso”, ressalta.
Cultura doceira é destaque em cena
Para Juaquim, participar do elenco também significa contribuir para a valorização da história de Pelotas. “Fazer parte disso é muito importante, porque nos permite contar a história do município, da tradição e da cultura doceira, que movimenta a economia da cidade. A Fenadoce recebe centenas de turistas de todo o estado. Ficamos muito felizes em representar essa história e mostrar que o futuro é hoje”, pontua.

Neste ano, o evento conta diariamente com o espetáculo “Doces Aventuras de Pelotas: uma jornada mágica”, com sessões às 15h e às 19h30, na Praça de Alimentação, inspirado no livro que deu nome à peça, de Jorge Braga, com ilustrações de Mariana Pouey. Conforme o diretor de cena, Flávio Dornelles, o processo de criação do roteiro foi repleto de diversão.
“O texto de Braga revisita Pelotas, conta toda a tradição do doce. Eu fiz a direção de cena do espetáculo e foi muito gostoso, muito divertido e eu acho que ele está bem acabado em relação ao público que ele é devido”, diz.
Morani também participou da estruturação da apresentação, sendo diretora artística e criadora do roteiro. “Foram três dias praticamente sem parar. Nós tínhamos como base o livro criado por Braga. A partir dessa obra, desenvolvi o espetáculo. Passei três dias inteiros em frente ao computador transformando aquele material em um roteiro. Tivemos pouco tempo para preparar tudo, já que essa foi a novidade deste ano”, elenca.
Segundo ela, o espetáculo tem o propósito de enfatizar que os doces carregam, além do sabor, a cultura dos pelotenses. “Muitas pessoas chegam pensando apenas em conhecer a Feira ou provar os doces. Nós mostramos que existe uma história por trás de cada receita, desde a sua origem até os dias de hoje. Queremos mostrar que um doce não é apenas um doce. Existe muito mais por trás dele”, finaliza.



