
A reabertura do Museu da Baronesa, da Bibliotheca Pública Pelotense (BPP) e do Theatro Sete de Abril – três dos prédios históricos mais importantes para patrimônio cultural de Pelotas – ainda dependem de adequações de segurança, conclusão de obras e recomposição das equipes. Mesmo com diversos avanços, os espaços seguem fechados ou limitados ao público, impactando nas atividades culturais, educativas e no acesso da população à memória da cidade.
A secretária de Cultura, Carmem Vera, ressalta que a preservação e reativação dos prédios históricos não têm apenas valor arquitetônico, mas também representam vínculos afetivos, sociais e simbólicos da população com sua própria história.
Museu da Baronesa tem reabertura prevista para o início de 2026
De acordo com a secretária, o Museu da Baronesa está em fase final de execução do Plano de Prevenção e Proteção Contra Incêndio (PPCI), última exigência para que o espaço seja reaberto. A expectativa da Prefeitura é concluir o plano até dezembro e retomar o funcionamento no início de 2026. Além do PPCI, faltam a instalação completa de luminárias adequadas para exposições, ajustes nas salas internas e, principalmente, a definição da equipe de operação, que inclui atendimento ao público, vigilância, limpeza e mediação cultural. “Somente com todas essas etapas concluídas poderemos garantir uma reabertura segura e contínua”, afirmou Carmem.
O Museu está fechado desde 2020 e passou por uma grande obra de restauro iniciada em 2022, incluindo fachadas, coberturas e pisos, com investimento de R$ 1,8 milhão do Fundo de Defesa dos Direitos Difusos (FDD). Os trabalhos foram concluídos em dezembro de 2024.
Para Carmem, a demora leva a prejuízos não apenas culturais, mas também turísticos. “O fechamento prolongado compromete um ativo relevante da cidade, reduz visitantes e limita o uso comunitário desse patrimônio. Há reconhecimento público de que a reabertura trará benefícios para a identidade local, economia criativa, turismo e educação patrimonial”, explicou.
Comemorações dos 150 anos da Biblioteca Pública ficam para depois
Embora seja um espaço de uso público, a BPP é administrada por uma associação privada, responsável pela obra de restauro e pelo acervo. A secretária reforça que a Prefeitura não define prazos, mas oferece apoio institucional e de pessoal para manter serviços internos durante o fechamento. A reforma, inicialmente prevista para terminar em outubro deste ano, foi adiada para março de 2026 devido à complexidade dos danos estruturais, principalmente no telhado do Salão Nobre. A mudança também adiou as comemorações dos 150 anos da instituição, celebrados no dia 14 de novembro.

O Banrisul oficializou a doação de R$ 200 mil para a restauração da Bibliotheca em julho deste ano. A instituição foi a primeira contemplada com recursos do programa Banrisul Cultural, que prevê um investimento total de R$ 10 milhões na recuperação de bibliotecas públicas afetadas pelas enchentes de 2024 no RS.
Além da BPP, outras quase 40 bibliotecas públicas do Estado, direta ou indiretamente atingidas pelas enchentes, também deverão ser beneficiadas pelos recursos do banco – entre elas a Biblioteca Riograndense, em Rio Grande, a mais antiga do Estado. A iniciativa inclui unidades localizadas em regiões não necessariamente alagadas, mas que desempenham papel essencial na promoção da cultura e da educação.
Para Carmem, o impacto é grande. “A Biblioteca é um espaço de democratização da leitura e um símbolo da memória e da identidade cultural da cidade. Porém, quando a Biblioteca estiver plenamente estruturada, poderão ser retomadas as ações comemorativas que valorizem esse marco e entreguem à comunidade a celebração que ela merece”, celebrou a secretária.
Obras avançam no Theatro Sete de Abril, mas estrutura e equipes ainda travam reabertura
O Theatro Sete de Abril, um dos maiores ícones do patrimônio pelotense e o mais antigo do RS, segue fechado desde 2010 porque ainda não concluiu todas as etapas do projeto de revitalização. Segundo a pasta, a reabertura definitiva exige a conclusão do PPCI, montagem total dos sistemas cênicos, cujos equipamentos começam a chegar esta semana, testes operacionais, vistorias técnicas e aprovação final do Corpo de Bombeiros.

segue fechado desde 2010. (Foto: Manoela Santos)
Carmem explica que a visitação ocorrida durante a Semana do Patrimônio não configurou reabertura. “Foi uma ação controlada, sem caráter de retomada das atividades. O Theatro segue em obra”, destacou.
Além disso, assim como no Museu, há outro desafio, a falta de recursos humanos. “Além das obras, há a insuficiência de recursos para a operação regular do espaço, incluindo administração, equipe técnica, portaria e bilheteria. A Secretaria está organizando o instrumento jurídico adequado para viabilizar essas contratações e garantir equipe mínima de funcionamento”, relatou.
A titular da pasta reforça que o Theatro é um equipamento cultural estruturante para o município e que a Prefeitura prioriza entregá-lo com total segurança. “O Sete de Abril é referência histórica e arquitetônica e sua plena revitalização envolve a adequação integral. A prioridade é entregar o Theatro à cidade com segurança técnica e operação estável, tanto para quem se apresenta quanto para quem assiste os espetáculos”, disse.



