
A Cia de Dança Afro Daniel Amaro mergulha na musicalidade visceral de um dos maiores ícones da cultura brasileira em seu novo espetáculo: uma homenagem a Luiz Melodia. Mais do que um tributo, a montagem propõe um encontro afetivo entre o movimento negro contemporâneo e a herança rítmica deixada pelo “Poeta do Estácio”.
A proposta não é apresentar uma biografia linear do artista, mas proporcionar uma experiência sensorial. No palco, os bailarinos atravessam diferentes paisagens simbólicas, como se percorressem as ruas do Rio de Janeiro, transitando entre a melancolia e a celebração, o morro e o asfalto. A dança afro aparece em sua forma mais expansiva, inspirada na obra de um artista que nunca aceitou ser rotulado.
O resultado é um espetáculo que pulsa com a mesma “mandinga” de Luiz Melodia, convidando o público a redescobrir o artista sob a ótica do corpo negro que dança a sua própria história.
Para o diretor e coreógrafo Daniel Amaro, o espetáculo possui um significado profundamente pessoal. A obra de Melodia não foi apenas uma trilha sonora, mas um dos pilares de sua formação artística e identitária durante a adolescência e o início da vida adulta.
Entre os acordes de “Estácio, Holly Estácio” e a sofisticação de “Pérola Negra”, Daniel encontrou o espelho de sua própria negritude e o estímulo para expressar, por meio do corpo, as diferentes nuances de ser artista no Brasil.
Para traduzir em movimento a mistura de samba, blues e brasilidade presente na obra de Luiz Melodia, a companhia convidou três importantes nomes da cena coreográfica contemporânea: Wallace Araújo, Bella Timbaí e Luciano Tavares, que assinam a criação coreográfica da montagem.
O espetáculo integra o projeto Andanças nos Caminhos da Cultura, realizado pela Cia. de Dança Afro Daniel Amaro em parceria com a Organização Caminhos da Cultura. A iniciativa é viabilizada por meio de emenda parlamentar da deputada federal Denise Pessoa e prevê apresentações em Porto Alegre, Região Metropolitana, Pelotas e Santa Rosa, destinadas a grupos e comunidades de fazedores de cultura, especialmente aqueles que ainda não tiveram acesso a recursos públicos para produção cultural.



