Realizada reunião de atualização técnica com produtores de pêssego de Morro Redondo e região

A reunião foi sediada no prédio do Centro Cultural de Eventos Valdino Krause. (Foto: Diones Forlan/JTR)

Uma reunião de atualização técnica para os produtores de pêssego de Morro Redondo e região foi realizada na terça-feira (16), no prédio do Centro Cultural de Eventos Valdino Krause, visando a safra deste ano. O encontro foi promovido pela Emater/RS-Ascar, Embrapa, Sindicato das Indústrias de Doces e Conservas de Pelotas (SINDOCOPEL), Associação dos Produtores de Pêssego da Região de Pelotas (APPRP), Sindicato dos Trabalhadores de Agricultores Familiares de Pelotas e Região e as secretarias de Agricultura de Morro Redondo, Pelotas e Canguçu.

O chefe do Escritório Municipal da Emater de Morro Redondo, Evaldo Voss, destacou que a reunião abordou vários aspectos importantes relacionados à safra do pêssego e serviu como oportunidade para tirar inúmeras dúvidas dos produtores.

O supervisor do Regional da Emater Pelotas, Edgar Norenberg, apontou sobre a importância destas reuniões para a cadeia de produtores. “Por enquanto, temos uma boa expectativa para a safra deste ano em relação aos anos anteriores. Agradeço o apoio dos parceiros”, disse.

Dori Edson Nava, pesquisador do Laboratório de Entomologia da Embrapa, relatou que a cultura tem grande relevância para muitos produtores e que os assuntos a serem abordados nestas reuniões foram elencados por agricultores. Também detalhou que entre o final de agosto e início de setembro ocorrerá o lançamento do boletim semanal de monitoramento do sistema de alerta mosca das frutas.

Amilcar Zanotta, secretário do SINDOCOPEL citou que as pautas a serem abordadas surgiram de duas reuniões realizadas anteriormente, em abril e maio, que oportunizam uma atualização de informações.

O secretário de Desenvolvimento Rural e Turismo, Antônio Martins, disse ser uma satisfação para a administração municipal receber este encontro com os produtores e parceiros que fortalecem este setor através do diálogo e discussão. “Para o nosso município é muito importante, pois temos várias indústrias, produtores e são gerados muitos empregos. E aqui vemos as novidades para resolver os problemas em conjunto com os profissionais qualificados, a cada dia estamos sempre aprendendo”, concluiu.

Na sequência, os especialistas abordaram em painéis diferentes temas relacionados a safra do ano. Nava falou sobre o uso do dimetoato (inseticida indicado para o controle de pragas nas culturas de algodão e citros). Também comentou que os produtores sempre quiseram que este produto entrasse na lista dos agrotóxicos para serem usados, sendo o primeiro ano com o registro permitido. O seu uso é sistêmico, pois entra na fruta e controla a larva e o ovo da mosca da fruta – é o único com esta ação. O uso é recomendado na isca tóxica. Segundo Nava, a liberação foi articulada por três anos junto às indústrias, com o envolvimento SINDOCOPEL, que deu aporte para bancar 50% dos valores do registro. A preocupação é que o produtor utilize da melhor forma possível. O manejo será importante, inclusive com uso de outros inseticidas.

Nava comentou ainda sobre o difícil controle dos formigueiros, ensinando uma técnica para combater o ataque de formigas nos pomares por meio da isca com granulado embalado com um atraente alimento. Para ter uma ação eficiente, deverá seguir algumas recomendações: fazer aplicação em ambiente seco; o controle dos formigueiros deve acontecer antes do plantio dos pomares; quanto menor for a planta mais forte será o ataque das formigas, por isso, o controle maior deverá ser na época de brotação e floração, que são os mais críticos.

Bernardo Ueno, fitopatologista da Embrapa, abordou o uso eficiente de fungicidas para o controle de doenças no pessegueiro, salientando que os produtores devem usar de maneira correta para obter êxito. Sobre fatores que influenciam na produção, deve-se reconhecer a doença que precisa controlar, qual fungicida usar e tê-los em estoque, analisar o histórico do pomar e estar atento às condições climáticas, saber o momento exato de entrar com o uso de forma preventiva.

Reforçou que alguns tratamentos preventivos de inverno já foram realizados, mas que serão repetidos em outros períodos, como na floração, para evitar podridão, e depois quando surgir frutos novos. O processo sempre deverá ser de acordo com o período anterior à chegada de chuvas, observando o tempo suficiente para secagem completa. Os fungicidas têm vários modos de ação e o produtor precisa saber se o produto penetra na planta de forma sistêmica ou se age apenas no contato como proteção. É necessário observar os produtos quanto a sua classificação como forma de ação. O especialista recomendou ainda que o produtor não pode usar o mesmo fungicida em sequência porque o fungo ficará resistente, ou seja, deve realizar uma rotatividade.

O meteorologista da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Julio Renato Marques, destacou a perspectiva climática para a próxima safra. “Aqui é uma região influenciada por eventos, como o El Niño, com o excesso de chuvas, como ocorreu ano passado, ou o La Niña, que é a redução de chuvas, como previsto para a próxima primavera, mas ainda não se tem noção da certeza do que irá acontecer”. Uma previsão mais precisa será divulgada pelo Centro de Pesquisas Meteorológicas da UFPel mais perto do começo da nova estação com dados mais precisos. No entanto, Marques ressaltou que o melhor para a safra é ter menos chuva para o controle de pragas e doenças. “Ainda estamos no período de transição entre os fenômenos sob perspectiva de ter menos dias frios consecutivos, prevemos ventos que provoquem menos tempestades”, disse.

Rodrigo Franzon, pesquisador da área de melhoramento genético da Embrapa, apresentou detalhes da cultivar BRS Jaspe, que foi lançada em 2019, mas pouco falada em virtude da pandemia. Citou que ela tem um grande potencial, variedade quase junto ao Granada, pela metade de novembro, com características do fruto de tamanho em torno de 6,5 cm, de boa qualidade, firmeza e sabor, mantendo estabilidade de produção (produz todos os anos mantendo uma média boa de produção), mas que depende do manejo do produtor. A partir desta safra, a projeção é de um aumento desta cultivar nas propriedades da região, produtor que plantar novo, entre segundo e terceiro ano já irão começar a colher frutos, quanto ao manejo é o mesmo das demais cultivares.

Já os engenheiros agrônomos da Emater Regional Pelotas, Eduardo Reis Souto Mayor e Marcio Carus Guedes, relataram sobre as novidades do Crédito Rural e do Plano Safra, como a alíquota do Proagro, com variações de 2% a 23%, mas que para os produtores de pêssego, ficará entre 2% a 7%, apresentando queda – o que torna mais interessante para o produtor acessar. Já a taxa de juros para custeio está em 6% e limite de até R$ 450 mil; para investimento, a taxa de juros está em 3% e o limite é de até R$ 250 mil. Os palestrantes orientaram ainda que o produtor precisa ter cuidado ao solicitar seguro, pois após seis pedidos seguidos, o recurso poderá será bloqueado.

Também participaram da reunião o gerente regional da Emater, Ronaldo Maciel, representantes do Sicredi, das indústrias de conservas Simons, Citral, GB e Neumann, produtores e técnicos agrícolas de Morro Redondo, Pelotas, Canguçu e Piratini.

As reuniões ocorrerem das 13h30 às 17h em sequência nesta quarta-feira (17), na Comunidade São Pedro, Vila Nova, em Pelotas; na quinta (18), na Comunidade São Mateus, em São Manoel, Pelotas; e na sexta (19), no Centro Comunitário da Glória, em Canguçu.

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Créditos: Diones Forlan/JTR