Morro Redondo: A extensão rural em projetos diversificados de desenvolvimento

Chefe do Escritório Municipal, Karin Peglow, elenca projetos desenvolvidos e que estão em andamento na cidade (Foto: Carina Reis/JTR)

Com ações que promovem o desenvolvimento rural, o Escritório da Emater-RS/Ascar em Morro Redondo é um dos principais setores no município, integrando a chefe Karin Peglow, os extensionistas rurais Evaldo Alberto da Silva Voss e Adriane Lobo Costa e a estagiária Taiane Havermann Torchelsen.

Dentro da estrutura de planejamento, mais de 40 atividades são desenvolvidas voltadas para o campo, sendo dez prioritárias e pactuadas com o Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural.

Dentre as atividades, está o enfoque na segurança alimentar, através do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), além do PAA municipal, por exemplo. De acordo com Karin, o trabalho envolve assessoria e apoio junto à Cooperativa dos Agricultores Familiares de Morro Redondo (Coopamor), que hoje tem 57 associados. São 340 famílias em vulnerabilidade social atendidas que integram o Cadastro Único (CadÚnico) dos programas sociais do governo federal.

Políticas públicas como o PAA e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) são consideradas importantes para os agricultores, conforme Karin, principalmente devido à pandemia de coronavírus, como forma de garantia de renda.

Já a olericultura passa por uma fase de ampliação no número de produtores que migram para essa atividade e, consequentemente, aumento de produção. A área destinada à produção é de 60 hectares e ganha importância em função das oportunidades de mercado, por meio de feiras livres e virtuais, mercado institucional e aumento do consumo regional.
Além disso, houve um aumento de famílias que fizeram transição para produção orgânica, recebendo a formalização por meio do Ministério da Agricultura.

Ainda, há 14 agroindústrias em processo de estruturação e legalização no município. “São iniciativas importantes para as famílias e também para a economia local”, destaca a chefe do escritório.

A instituição também tem desenvolvido, através do Ministério da Cidadania, o programa Fomento às Atividades Produtivas Rurais. No município, são beneficiadas 32 famílias em situação de extrema pobreza, integrando também o CadÚnico. Com isso, é realizado o acompanhamento social e produtivo e a transferência direta de recursos financeiros não-reembolsáveis para investimento em projeto produtivo, no valor de R$ 2,4 mil. “Estamos em processo de liberação desse recurso. Tem benefício para a família, mas também para o município”, salienta.

Turismo rural
Outra prioridade da Emater é o turismo rural, estando na fase de inclusão de algumas iniciativas vinculadas aos agricultores, chamada Rota Orgânica, tornando-se mais uma opção que o município poderá proporcionar junto ao setor turístico. Outra atividade envolve o doce colonial, valorizando a cultura e a história local.

De acordo com Karin, o turismo também é visto como uma possibilidade do jovem permanecer no campo, tendo qualidade de vida e realizando atividades que agregam o meio.

Durante a pandemia, a instituição viabilizou capacitações direcionadas aos empreendedores para adequações em função da pandemia, auxiliando para o recebimento do Selo Turismo Responsável.

Produção de pêssego
Dentre as prioridades da Emater, também está o pêssego, que atualmente apresenta diminuição no número de produtores e aumento de produtividade dos pomares, devido ao uso de melhores tecnologias. Atualmente, são 60 famílias envolvidas na produção, destinando 600 hectares à cultura, num total de 6 mil toneladas, destinadas principalmente à indústria, representando R$ 8,4 milhões de faturamento.

A safra 2020/21, encerrada em janeiro, apresentou ótimos resultados, com um acréscimo de 15% na produção em relação à safra anterior.

Milho e soja
No município, o milho ocupa 1 mil hectare, sendo destinados 600 hectares para o grão e 400 hectares para silagem. Ambas produções se destinam ao consumo na propriedade, com incremento na adoção de tecnologias, promovendo uma maior produtividade.

A demanda pela estruturação de silos para secagem e de armazenagem tem crescido no município. Ainda, a Emater destaca o uso de calcário, adubação, plantio direto (na palha), controle de plantas daninhas, uso de população de plantas adequadas por áreas e melhorias na colheita.

Já a soja possui uma área ocupada de 2 mil hectares, sendo uma cultura que apresenta expansão de área cultivada, embora seja pequena a disponibilidade de área apropriada a este cultivo, ocorrendo a formação de pequenas lavouras.

Conforme a instituição, esta safra de grãos é excelente devido à adoção de tecnologia e ocorrência maior de chuva durante o ciclo cultural. De novembro de 2020 a abril de 2021, comparando com a safra anterior, representa um acréscimo de 68,4% no regime pluviométrico.

Bovinocultura de leite
Nos últimos anos, os produtores ligados à bovinocultura de leite têm abandonado a atividade. Dentre os motivos, estão a situação envolvendo, inicialmente, a Cosulati; as Normativas 76 e 77, que tratam das etapas da produção de leite cru refrigerado, pasteurizado e do tipo A, desde o início até a qualidade final do produto. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) modificou essas normas que foram colocadas em vigor em 2019; e as rotas de coleta inviabilizadas pelos freteiros que passaram a restringir aqueles que entregavam abaixo de 100 litros/dia, causando exclusão da atividade.

Estima-se que 50 famílias estejam envolvidas na produção leiteira. A produção comercializada está estimada em 3.066.000 litros/ano e em torno de 400.000 litros anuais são consumidos na propriedade, seja para consumo in natura ou produção de derivados para comercialização.

Mais informações
Conforme relatório do Escritório Municipal, contendo informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – Censo Agropecuário 2006 – dos 727 estabelecimentos rurais, 651 são da agricultura familiar (89,5%), ocupando uma área de 11.002 hectares, enquanto 76 (10,5%) são de outras categorias, com uma área total de 3.615 hectares.

A população é de 3.579 (57,5%) habitantes no meio rural para 2.648 (42,5%) no meio urbano, de acordo com o Censo IBGE 2010.

Outras atividades
• Atualmente, está sendo disseminado o pasto capim BRS Kurumi nas propriedades como forma de reduzir o custo com alimentação;

• A bovinocultura de corte vigora no município e algumas iniciativas de confinamento tem se expandido. Estima-se em torno de 20 pecuaristas na atividade;

• A piscicultura, embora ainda com baixa tecnificação, também é uma atividade que diversifica a produção e a alimentação das famílias, tendo crescimento;

• A apicultura conta com cerca de 30 apicultores, sendo que 12 fazem parte do Grupo de Apicultores de Morro Redondo, com uma produção estimada de 3 toneladas/ano, em 180 colmeias. O mel é considerado de excelente qualidade, numa pesquisa realizada pela Embrapa;

• Em relação à avicultura, existem algumas iniciativas de produção de ovos, inclusive aproveitando os aviários ociosos pela parada de produção de frangos de corte. Nesse momento, os cooperados (13 famílias) estão recebendo orientações para adequarem suas produções como forma de organização dessa nova cadeia produtiva que promete ser promissora;

• Quanto à cultura do fumo, a área está diminuindo, principalmente em função do envelhecimento da mão de obra ocupada nessa atividade;

• A cultura do morango, ocupa uma área de 2 hectares, com produção de 60 toneladas. Tem despertado interesse de cultivo por mais produtores, principalmente com o uso de plantio em ambiente protegido e uso de slab;

• A produção de figo ocupa 10 hectares e produção de 80 toneladas. Também tem despertado interesse por parte dos produtores;

• Em 2019, foi constituído o grupo de mulheres quilombolas Pérolas Negras, voltado para fortalecer a participação e autoestima, bem como a geração de renda através do artesanato étnico.

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