Grupo prepara Sistema Agroflorestal Doceiro no Morro Redondo

Na última segunda-feira (8) estiveram reunidos, com o apoio da Embrapa, ASCAR/Emater, Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural e Turismo (SMDRTUR), um grupo de agricultores tem se dedicado ao aprendizado sobre os Sistemas Agroflorestais (SAF), que é um sistema de produção onde árvores frutíferas, energéticas e fibrosas, são cultivadas no
mesmo espaço de outras produções, como abóboras, mandioca, verduras e legumes, e também plantas de cobertura de solo, como gramíneas e leguminosas. Toda essa mistura respeita diversos princípios como de sombreamentos, espaço que cada espécie ocupa e sua vocação, como a de produção de massa verde ou condutora de nitrogênio ao solo. Esse sistema busca “imitar” a natureza em suas interações e trocas de elementos minerais e
energia, tornando o sistema mais produtivo e, através da diversidade, possibilitando diversas fontes de renda pela comercialização de seus produtos, em tempos também diversos.
No mês de junho, foi realizada a primeira reunião no Morro Redondo, onde foi apresentada a proposta da execução do SAF Doceiro Demonstrativo, em uma pequena área da SMDRTUR. Nessa reunião foi feito um apanhado de plantas que estão diretamente relacionadas com a Tradição Doceira, tradição essa que, em 2018, foi reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) através do Registro no Livro dos Saberes da Tradição Doceira da Região de Pelotas e antiga Pelotas (Morro Redondo, Capão do Leão, Turuçu e Arroio do Padre). Já na reunião, partindo-se do levantamento feito anteriormente, foi feito o desenho do SAF Doceiro, onde foram incluídas as plantas que haviam sido elencadas e feita a sua localização na área, o chamado desenho do SAF.
Os agricultores que lá estiveram trocaram conhecimentos, assim como mudas e sementes e saíram muitos satisfeitos com o trabalho realizado. “É bom ver todos se envolvendo em torno de uma ideia e construir algo que depois poderá ser feito nas propriedades dos agricultores”, disse Daniel Sedrez Costa, agricultor, doceiro e produtor de frutas, que está se adequando para o estabelecimento de um SAF em sua propriedade.

Alguns agricultores que já tem um pouco mais de experiência acabam por contribuir com os que estão querendo iniciar na atividade, como é o caso de Maria das Dores Alves. “Eu percebi que onde está plantado o guandu e a mamona, as plantas mais baixas resistiram mais à geada”, ensina. Da mesma forma os técnicos das entidades que apoiam o projeto se sentem muito gratificados por verem o envolvimento de todos, pois o conhecimento está
sempre em construção, como diz Ernestino Guarino, pesquisador da Embrapa.

O grupo SAF Doceiro estabeleceu que suas reuniões acontecerão todas as segundas segundas-feiras de cada mês, sendo a próxima no dia 12 agosto, na SMDRTUR, onde será aprofundado um pouco mais os conhecimentos do sistema, realizado um mutirão para o plantio e manejo do SAF Doceiro Demonstrativo e mais uma vez realizada a troca de mudas e sementes.

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