O Grupo de Artesãs AMoReLã é um grupo criado em Morro Redondo pela vontade de algumas mulheres em se reunir e trabalhar essa arte milenar de forma conjunta, dividindo espaços, técnicas, equipamentos e sonhos. Foi dessa maneira que a Emater foi procurada para auxiliar o grupo, que iniciou suas atividades em 2023 e quer uma vida longa.
Apoiado nos princípios da economia criativa, solidária e feminista, o grupo vê um grande potencial no município para essa forma de artesanato destacando a produção local de ovinos e o baixo preço da lã. “Esse precioso material acaba se perdendo nas propriedades, sendo muitas vezes até descartado, onde poderia se transformar em peças únicas e valorizadas, gerando renda para ambas as partes”, diz Valesca Athaides, que foi quem aglutinou as mulheres para compor o grupo.
Em junho passado, uma equipe da Emater regional, local e de outros municípios, se reuniu com o grupo e foi realizado um planejamento partindo das demandas de técnicas a serem desenvolvidas, organizadas no tempo, com encontros mensais até outubro. Esteve presente nesse encontro o Gerente Regional de Pelotas, Ronaldo Maciel, que declarou todo apoio para esse desenvolvimento do grupo: “temos na região pessoas que se especializaram no trabalho em lã, entre elas o colega Anderson Fontoura, do escritório municipal de Piratini e Fábio Machado Ribeiro, do escritório municipal de Arroio Grande, os dois extensionistas socias da Emater/RS e que, juntamente com a Assistente Técnica Regional, Regina Medeiros, apoiarão o grupo AMoReLã nessa trajetória de aprendizado”, revelou. Também esteve presente o chefe do Escritório Municipal, Evaldo Voss, e a extensionista rural Adriane Lobo, que estará dando apoio ao grupo e fará as conexões necessárias para o cumprimento do que foi planejado.
Já nesse dia, houve a primeira etapa do planejamento que foi a lavagem da lã, onde foi apresentada um técnica diferenciada. “A gente acha que já sabe, mas quando faz na prática, descobre que tem formas mais fáceis de fazer a mesma coisa e que facilita muito, reduzindo o tempo de trabalho e tendo mais eficiência”, disse a integrante Edith Büttow sobre o aprendizado da técnica de lavagem, ensinada por Anderson, que era desconhecida do grupo.
Já nos dias 17 e 18 de julho, aconteceu a segunda etapa do planejamento, que foi a feltragem da lã, quando Fábio e Anderson estiveram novamente com as integrantes do grupo, ensinando como feltrar a lã. As aulas ensinaram desde a feltragem básica para artesanato e vestuário, até a confecção de bolinhas de feltro para acessórios e a feltragem molhada com moldes para pantufas e boinas, por exemplo. Todo o aprendizado é feito na prática, tendo as artesãs saído já com mostras dos trabalhos prontos. Na opinião dos instrutores, o grupo tem um grande potencial, pois estão ali se dedicando a esse aprendizado e como já têm conhecimentos no tema, conseguem avançar e evoluir bastante com as técnicas ensinadas. “Esse grupo tem toda a capacidade de representar o município em feiras e eventos por demonstrarem muita criatividade, dedicação, união, vontade de aperfeiçoar o trabalho. Eu como instrutor estou sendo motivado a levar novas técnicas e conhecimentos. Parabéns ao grupo e que continuem com essa vontade de aprendizado”, declara Fábio. Para Anderson, o trabalho em grupos pequenos acaba tendo melhor aproveitamento. Também o fato delas já terem algum conhecimento no tema facilita bastante: “elas agora estão conhecendo os métodos preconizados pela Emater e assim entenderem mais o nosso trabalho. E é um grupo que está ali pelo amor à arte. O artesanato para elas tem um valor sentimental, de ancestralidade. Acho que isso resume o grupo. Está sendo muito gratificante estar aqui”.
O planejamento realizado ainda prevê mais três encontros: dia 14 de agosto, com o tema Fiação, dias 17, 18 e 19 de setembro, sobre Tingimentos Naturais e dias 16 e 17 de outubro, tecelagem.
“Nós estamos realmente encantadas com o curso da Emater. O respeito que os técnicos têm por aquele insumo, que é vivo, pelas alunas, percebe-se que são técnicos extremamente preparados. Eles transferem uma clara segurança no que apresentam e isso é conhecimento, é certeza. Além disso, eles respeitam a criatividade, a inovação e isso é muito raro, ter um professor que orienta, traz uma técnica, mas ao mesmo tempo escuta, tenta inovar. Nós estamos positivamente impressionadas com a nova forma de fazer, com a suavidade do trabalho e o carinho e o amor pela arte do beneficiamento da lã, e isso contagia. Agradeço à Emater local e regional, pelo acolhimento e agora estamos colhendo algo que imaginamos, mas que está superando as expectativas” declara Valesca.
Participaram do curso as artesãs: Valesca Pereira Athaides, Clarice Kickhofel, Edith Büttow, Márcia Elisa Müller, Maria Seloi Silveira Aires, Patrícia Hackbart, além dos instrutores Anderson Fontoura e Fábio Ribeiro, com o apoio de Regina Medeiros e Adriane Lobo.







