Emater fortalece agricultura familiar e incentiva novas cadeias produtivas em Morro Redondo

A extensionista Neiva Borges, o engenheiro agrônomo Evaldo Voss e Júlia de Campos da área administrativa. (Foto: Luciara Schneid/JTR)

A Emater segue desempenhando papel fundamental no desenvolvimento da agricultura familiar em Morro Redondo, atuando em assistência técnica, extensão rural e incentivo a novas cadeias produtivas. Com uma equipe formada por quatro profissionais, o escritório municipal acompanha centenas de famílias do interior e desenvolve ações voltadas ao fortalecimento das pequenas propriedades rurais.

A equipe local é composta pelo engenheiro agrônomo Evaldo Voss, responsável pelo escritório; pelo médico veterinário Samuel Rutz; pela extensionista social rural Neiva Borges; e por Júlia de Campos, na área administrativa.

Somente em 2025, o escritório realizou atendimento a 463 famílias de agricultores, pecuaristas familiares, quilombolas e outros públicos em 19 localidades do município. O trabalho é realizado por meio de convênio renovado anualmente com a prefeitura.

Uma das ações de destaque neste ano é o fortalecimento da cadeia da apicultura. Durante a festa de aniversário do município, será apresentada oficialmente a Associação de Apicultores Mel do Morro, formada por 15 associados e presidida por José Carlos Barbosa.

Também serão divulgados os vencedores do 7º Concurso Municipal de Qualidade do Mel, nas categorias mel claro e mel escuro. Os primeiros colocados representarão Morro Redondo na etapa regional, marcada para o dia 22 de maio, em Santa Vitória do Palmar, reunindo representantes de 22 municípios da região.

Segundo Voss, a apicultura vem sendo estimulada como alternativa viável para pequenas propriedades rurais. “A apicultura é uma das cadeias que nós estamos tentando estimular no município, por suas características coloniais e propriedades muito pequenas, em que há dificuldade de adoção de atividades que exigem área maior”, explica.

O agrônomo afirma que a associação também poderá futuramente viabilizar uma agroindústria coletiva para os apicultores, permitindo o processamento adequado do mel dentro das exigências sanitárias. “Não há dificuldade de venda do produto, mas a produção ainda é muito pequena para se estabelecer um negócio, de dez a vinte quilos de mel por colmeia”, ressalta.

Conforme Voss, a estrutura coletiva possibilitaria aos produtores realizar etapas como filtragem, envase, rotulagem e comercialização de forma organizada e legalizada.

Produção multicultural
Além da apicultura, a Emater definiu para 2026 prioridades em outras dez áreas produtivas: pêssego, milho, conservação de solos, reservação de água, olericultura, morango, agroindústria, abastecimento, turismo rural e acesso a políticas públicas.

Entre os eventos técnicos previstos está o 4º Dia de Campo do Milho Família Tuchtenhagen, programado para o dia 26 de maio. O encontro busca incentivar a cultura do milho, apresentando cultivares, técnicas de manejo, armazenamento e preparo correto de defensivos agrícolas.

Na última edição, o evento reuniu cerca de 60 participantes entre agricultores e técnicos.
Outra cultura que vem sendo incentivada é a produção de figo, impulsionada pela demanda das indústrias conserveiras locais. Segundo levantamento realizado junto às agroindústrias Citral e Neumann, a capacidade de compra das empresas chega a 400 toneladas da fruta. “Nós não trabalhamos com fomento, o que é feito pela Secretaria de Desenvolvimento Rural. Nós atuamos no sentido de difundir a tecnologia da produção de figo”, explica Voss.

Nos últimos anos, a Emater promoveu dias de campo e reuniões técnicas voltadas à cultura, destacando exigências como irrigação e manejo adequado. Para este ano, a expectativa é ampliar em cerca de cinco mil mudas os plantios de figo no município. “A perspectiva é de que a produtividade chegue a cinco mil quilos por hectare, ainda longe da demanda das indústrias, mas se constituindo em uma grande oportunidade”, ressalta.

A Emater também realiza capacitações voltadas à emissão de nota fiscal eletrônica e ao uso correto de defensivos agrícolas. Entre os cursos oferecidos está o de Boas Práticas de Pulverização, que orienta produtores sobre segurança, regulagem de equipamentos e utilização de EPIs.

“Orientamos os produtores a fazerem o trabalho da forma mais adequada, observando fatores como direção e velocidade do vento, uso de EPIs e regulagem de máquinas e aplicadores, para segurança do produtor e de quem está ao redor”, afirma.

Outro destaque é o Dia de Campo sobre Sistema Agroflorestal (SAF) Doceiro, voltado à produção de matéria-prima para doces tradicionais. “Temos em Morro Redondo um embrião bem forte de trabalho neste sistema agroflorestal, aproveitamos o espaço para fazer uma difusão”, destaca.

Na área das agroindústrias familiares, o município conta atualmente com quatro empreendimentos cadastrados no Programa Estadual de Agroindústria Familiar (Peaf), além de outras cinco em processo de inclusão. Cada agroindústria recebeu R$ 50 mil do Feaper para investimentos em equipamentos e melhorias estruturais.

Outro programa em andamento é o Terra Forte, que iniciou neste ano com atendimento a 20 famílias ligadas a diferentes cadeias produtivas, como fruticultura, grãos, tabaco, floricultura, olericultura, pecuária e sistemas agroflorestais. “Seis delas já estão na fase de aplicação dos recursos a fundo perdido e, numa segunda etapa, devem entrar outras sete”, explica Voss.

O município também foi selecionado para executar um projeto-piloto regional de recuperação de solos e ações socioambientais, incluindo melhorias na qualidade da água, segurança alimentar e saneamento básico rural.