Dia de Campo do Figo é realizado em Morro Redondo

As atividades foram divididas em dois grupos que receberam instruções dos especialistas em quatro estações. (Foto: Diones Forlan)

Na tarde da última sexta-feira (16) foi realizado o Dia de Campo do Figo em Morro Redondo na propriedade da agricultora Suzana Hermann, localizada na VRS-802, que, sendo uma realização da Emater/RS e da Embrapa Clima Temperado, contou também com apoio da Prefeitura Municipal. Onde abordou-se nas estações temas como: solos, irrigação, manejo de pragas e doenças, manejo do pomar, colheita e transformação. Participaram produtores de Morro Redondo, Pelotas, Cerrito, Canguçu e Piratini.

Suzana Hermann, proprietária do local, conta que a ideia surgiu para implantar algo que fosse dar rentabilidade, uma por ser pequena e que não precisasse grandes equipamentos para manejo e plantio. “Em 2021, com incentivo da Prefeitura, da Emater/RS e da Embrapa Clima Temperado, que disponibilizaram apoio técnico para manejo e os cuidados, em que foi implantado um pomar com 700 pés de figueira numa área 0,75 hectare. Agora passados dois anos está sendo feita a primeira colheita na propriedade.” Hermann destaca ainda para para quem for iniciar, que faça análise do solo, tenha irrigação, inclua manejo de cobertura de solo e tenha sempre os cuidados contra as pragas. Por fim, a proprietária cita que os ganhos do pomar vão ser a partir do quarto ano e que objetiva é colher figos verdes que serão comercializados com a indústria.

O chefe de transferência em tecnologia da Embrapa, Leonardo Dutra, relatou que a instituição é uma empresa de pesquisa e inovação, que está sempre à disposição para contribuir com os projetos desenvolvidos na região, em especial com a Emater e prefeituras municipais.

Edgar Noremberg, supervisor regional da Emater, pontuou inicialmente o trabalho de parcerias, que culmina por mais esta ação juntamente com a Prefeitura e a Embrapa.

“Buscou-se alternativa de renda para as famílias, pois o figo era tradicional, ao longo do tempo teve a queda de produtores e diminuição de frutas nas indústrias, grande parte do que é industrializado aqui vem de muito longe. Objetivo é termos um grupo de produtores na região que possam atender a demandas das indústrias com o figo verde, já o figo maduro para as doceiras da região,” relata. Noremberg reforça ainda que produtores foquem na qualidade da muda adquirida, que tenham água próximo ao pomar, além de que as pessoas interessadas nesta produção busquem primeiramente, informações junto a Emater, antes mesmo de implantarem os seus pomares para evitar gastos desnecessários.

A vice-prefeita, Angelica Boettge dos Santos (PSDB), disse que quando começou a gestão da administração em 2021, através de visitas nas indústrias se conversou para verificar as possibilidades de agregar algum produto da agricultura familiar que fosse demanda delas, na época foi apontado o morango e o figo como necessidade do setor. “A partir daí procurou-se a Emater e a Embrapa para que pudessem dar um suporte técnico para se trabalhar a cultura do figo no município. Começou-se a estruturar encontros que foram trabalhados três módulos. Com isso buscou-se amparo maior para os produtores que proporcionassem ter um assessoramento desde a preparação do solo inicial, e a Suzana foi uma das primeiras produtoras que começou este projeto,” relatou Boettge, que agradeceu a agricultora por poder abrir a propriedade para acompanhar o trabalho feito e ainda ver a primeira colheita, onde contempla proporcionar a diversos produtores interessados em implantar esta cultura em suas propriedades através desta tarde de muito conhecimento sobre o figo.

“Para nós do executivo é muito importante a data de hoje para dar andamento em mais um programa municipal, o qual é possível apresentar uma nova oportunidade de geração de renda com qualidade de vida e sem grandes investimentos financeiros”, pontuou.

As atividades foram divididas em dois grupos que receberam instruções dos especialistas em quatro estações.

Jair Costa Nachtigal pesquisador da Embrapa expressou conhecimentos sobre o manejo das figueiras, poda, colheita, mudas, qualidade do tipo de muda, espaçamento e um pouco da cobertura de solo. Ainda mostrou a diferença de frutíferas e explicou o porquê da diferença entre um pés com poucos frutos e outros mais desenvolvidos com mais frutos.

O pesquisador da Embrapa, Bernardo Ueno e a engenheira agrônoma e extensionista da Emater, Patricia da Silva Grinberg detalharam os problemas fitossanitários por intermédio da apresentação da clínica fitossanitária, mostraram a importância de dar boas condições para a planta poder se desenvolver visando diminuir os problemas com doenças, como uso de cobertura morta com irrigação, atentar ao uso de produtos fitossanitários como calda bordalesa, demonstrado como preparar e aplicar. Apontam que para nossa região é um produto de fácil confecção que pode ser feito em casa, somente ter um cuidado com o tipo de cal hidratado ou virgem a ser usado. Além de fazer os tratamentos preventivos que é o fundamental. Outras possibilidades apresentadas foram enxofre de calda sulfocalcica ou enxofre líquido. Se tiverem dúvidas, sugeriram a criação de um grupo para que possam fazer futuramente uma atividade prática com o uso das técnicas citadas acima. Frisam que na dúvida antes de fazer qualquer ação nas figueiras que procurem sempre antes orientação de um técnico.

Evaldo Voss chefe do escritório municipal da Emater e o extensionista municipal da Emater Patric Medeiros falaram sobre solo, apresentaram dados do histórico do levantamento das análises de solo do município, onde veem a necessidade de adubação e calcário, repassaram aspectos de densidade de solo, importância da análise para se ter a necessidade do que a terra irá precisar, forma de como aplicar o calcário, orientação de fazerem camalhões para levantar o perfil da frutífera sendo mais alto que o solo, adubação de manutenção com os números do que será consumido por ano. Quanto a média aceitável é 7 mil toneladas por hectare para figo verde, detalharam a quantidade suficiente de nutrientes para produção citada acima. Ainda comentaram sobre os planos de cobertura de solo, com dados de matéria orgânica, potássio e fosforo. Frisam que os produtores antes de implantarem o pomar devem fazer a análise do solo bem feita com uma boa coleta que auxiliará para definir qual adubação será necessária.

Vendedor da Diarroz Comercial Agrícola, Nelci dos Santos Souza comentou sobre Irrigação com Fertirrigação onde colocou a necessidade de ter água sempre para as plantas visando o ápice da colheita e que possam extrair o máximo possível. Recomendou para instalação do pomar próximo as fontes de água que podem ser de um arroio ou açude. Mostrou ainda os equipamentos de irrigação que foram colocados nesta propriedade, colocou a empresa a disposição para ir até as propriedades e que também fazem o processo da instalação.

No encerramento do encontro foram degustados cuca e bolo com recheio de figo.

Prestigiaram o evento o secretário municipal de desenvolvimento rural e turismo Antônio Martins, Sergio Bender supervisor de transferência de tecnologia da Embrapa, outros pesquisadores da Embrapa, extensionistas da Emater, técnicos do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), dentre outros.

Confira outros registros do evento:
Fotos: Diones Forlan

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