
A atividade agrícola desempenha papel fundamental na economia de Morro Redondo em que se destacam a produção de grãos, como a soja e o milho, frutas como o pêssego e o figo, e as olerícolas, que têm se constituído em excelente alternativa de geração de renda aos pequenos produtores.
De acordo com o chefe do escritório municipal da Emater, engenheiro agrônomo Evaldo Voss, a produção de grãos apresenta grande incremento, puxado pela cultura da soja, que ocupa atualmente uma área de 2,5 mil hectares, e do milho, com área de mil hectares, além de ganhos nos rendimentos produtivos. “A produtividade do milho passou de 2,4 mil quilos por hectare no ano de 2004 para os atuais 7,2 mil quilos por hectare, e a soja atinge 3,6 mil quilos por hectare e totaliza 7,2 mil toneladas”, elenca Voss.
Segundo o agrônomo, o incremento de produtividade se deve ao melhoramento nas tecnologias empregadas, como manejo do solo, uso de máquinas mais modernas, plantio na palha, correção e fertilização adequada do solo, adoção do plantio de precisão, plantio com sementes fiscalizadas, de acordo com o zoneamento agrícola, e população de plantas adequadas por hectare. Outras práticas importantes são o controle fitossanitário de pragas, doenças e plantas daninhas, inclusive com o uso de máquinas robotizadas, e a colheita, transporte secagem e armazenamento dentro de padrões técnicos recomendados.
Voss destaca também a produção de pêssego, que ocupa área de 450 hectares e produtividade de 15 toneladas por hectare. A produção final obtida é de 6,75 mil toneladas, em sua grande maioria industrializada dentro do próprio município, que possui atualmente quatro indústrias de conservas alimentícias. “Recentemente, a cultura do figo passou a receber uma atenção maior em função, principalmente, do interesse da indústria em tal produção e, atualmente, está ocorrendo a implantação de novos pomares com ótimas condições tecnológicas”, adianta.
No ano passado, foi realizado um Dia de Campo sobre o figo com a participação de 50 produtores. O evento enfatizou a implantação e condução de pomares. Posteriormente, houve a instalação de novos pomares para dois produtores.
Outra área que ganha importância é a de olerícolas, que ocupa 120 hectares. “Essa importância se dá em função das oportunidades de mercado através das feiras livres, mercado institucional e o aumento do consumo regional”, destaca. O agrônomo aponta ainda que o sistema de produção enfrenta alterações e as áreas de maior cultivo com uma única espécie, como no caso da cenoura, batata e cebola, vêm diminuindo e se convertendo em pequenas lavouras diversificadas. “A estratégia de comercialização, antes dirigida para escala, atualmente visa o mercado consumidor diretamente, principalmente, através de feiras”, explica.
Na pecuária, alguns produtores que se dedicam à bovinocultura leiteira estão parando com a produção de leite e optando pela produção de matrizes. “Eles visam o mercado futuro de ventres, e os que optaram por se manter na atividade estão investindo fortemente em tecnologia, melhorando os equipamentos e instalações, fazendo seleção de matrizes, inseminação artificial e implantação de pastagens perenes”, destaca. A bovinocultura de corte também é atividade em expansão, caracterizada por pequenos plantéis, de ciclo completo, com uso de raças especializadas e melhoramento de alimentação.
Na avicultura, Voss ressalta o trabalho da Granja das Figueiras, com 950 aves de postura alojadas, que produzem para o atendimento de programas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e mercados regionais. “Além disso, existe uma grande produção de ovos e carne para subsistência na maioria das propriedades”, acrescenta.
Destaque ainda para a apicultura, com a realização anual do Concurso do Mel e participação de 10 apicultores, que estão investindo na atividade. Outra atividade que tende a crescer no município é a piscicultura. “É grande a demanda por aquisição de alevinos, associados à construção de açudes, através do Programa Municipal de Reservação de Água, que acabam sendo usados para a atividade”, argumenta.
Voss salienta ainda o trabalho que o escritório municipal realiza com alguns públicos especiais, como os quilombolas. “Através do Feaper (Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento dos Pequenos Estabelecimentos Rurais), oito famílias quilombolas receberam recursos no valor de R$ 40 mil, o que viabilizou melhorias no processo produtivo e ofereceu novas oportunidades de trabalho e renda”, conta. Também foram implantadas lavouras de milho e olerícolas para 20 famílias quilombolas, além do assessoramento técnico oferecido à Associação Quilombola Vó Ernestina.
Na área de artesanato e floricultura, foi realizada capacitação técnica para nove artesãs em lã ovina, do Grupo Amorelã, promovida pela mobilização de técnicos especializados egressos dos escritórios municipais da Emater de Piratini e Arroio Grande e pela extensionista rural regional Regina Medeiros. “Foi viabilizada divulgação, em cenário nacional, no programa É de Casa, da Rede Globo, do artesanato em fibra realizado pela artesã quilombola Maria Helena Duarte”, diz. No setor de floricultura, foi viabilizada a participação em feiras regionais dos empreendedores Floricultura Cantinho das Plantas, Espaço Ecoar e artesãs.
Nas agroindústrias, houve a destinação de recursos no valor de R$ 300 mil para sete agroindústrias por intermédio de projetos Feaper. Além disso, a Emater auxilia na viabilização da participação das agroindústrias locais nas grandes feiras regionais e na Expointer (Bem me quer, João de Barro, Granja das Figueiras, Vinícola Nardelo e Embutidos Novack). O suporte técnico para o Sistema de Inspeção Municipal (SIM) foi feito pelo extensionista Renato Cougo dos Santos, da Emater Regional.
A entidade também realiza assessoramento técnico à construção e adequação de reservatórios para 40 famílias, por meio do Programa Municipal de Reservação de Água, financiados com recursos municipais e do Feaper. Também presta assessoramento técnico ao Programa Municipal de Correção do Solo, junto ao Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural. “Foram164 encaminhamentos de amostras de solo para análises laboratoriais, interpretação técnica das análises e recomendações para correção e fertilização de solo para as diferentes culturas e criações”, acrescenta.
No setor de crédito, foram elaborados 18 projetos do Avançar RS, totalizando R$ 127.471 para investimento em projetos produtivos. Outras iniciativas de fomento produtivo foram destinadas a 41 agricultores familiares e 30 famílias quilombolas, com recursos de R$ 4,6 mil por família e total de R$ 326,6 mil também para investimento em projetos produtivos.

Outras ações
Cultura do Milho
No dia 7, foi realizado o 3º Dia de Campo do Milho na Família Tuchtenhagen, ação integrada com 17 empresas fornecedoras de insumos e serviços com a participação de 170 pessoas, entre técnicos e produtores, com a mostra de cultivares, fertilização, controles químicos e biológicos, uso de drone para pulverização, equipamentos para colheita, secagem e armazenamento. O resultado na área demonstrativa talhões, teve produtividade superior a 12 mil quilos por hectare, o que evidenciou o potencial produtivo do município. Conta com o apoio dos extensionistas Evair Ehlert e do engenheiro agrícola Geverson Lessa dos Santos.
Destaque ainda para a instalação de oito unidades de secagem e armazenamento de milho, com capacidade de estoque de 240 mil quilos do grão para abastecimento do mercado local e regional, com tecnologia desenvolvida pela Emater.
Cultura do feijão
Instalação de unidades demonstrativas em três propriedades visando difundir o uso de cultivares melhoradas e de bioinsumos e adoção de práticas de cultivo. O resultado obtido foi a ampliação da oferta de feijão para venda aos mercados institucionais PNAE e PAA, que abastece 500 famílias, e potencialização do comércio entre vizinhos.
Olericultura
Fortalecimento da produção olerícola por meio da organização e elaboração de projetos para atendimento aos mercados institucionais, assistindo 47 famílias que produzem as mais diversas olerícolas (folhosas, tomate, abóbora, pimentão, batata-doce e temperos).
Projetos de financiamento via Feaper para implantação de sistemas de irrigação por gotejamento e sistema de proteção para cinco famílias de agricultores familiares e quilombolas.
Pêssego
Suporte técnico ao Sistema de Alerta mantido pela Embrapa com os demais parceiros, viabilizando as orientações técnicas e acompanhamento da evolução da safra para as 60 famílias de persicultores em 450 hectares de pomares, o que garantiu a produção de 6.750 toneladas de fruta para processamento industrial.
Realização do Encontro Municipal de Produtores de Pêssego, no início da safra, com a adesão das quatro agroindústrias municipais e da totalidade dos produtores.
Festa do Pêssego, exposição e homenagem às famílias tradicionais produtoras de pêssego (Tuchtenhagen, Flugel, Fick, Ebeling, Oliveira, Milech, Scheer, Froner e Norenberg).
Encaminhamento de materiais para análise no Laboratório Fitossanitário da Embrapa, com a engenheira agrônoma fitopatologista, Patrícia Grinberg, da Emater.
Viabilização de análises de solo e correção para 150 hectares de chácara e construção de reservatórios de água para irrigação em 15 propriedades de produtores da fruta.
Morango
Viabilização por meio de elaboração de projeto de investimento e acompanhamento de modernas estufas para produção de mudas de morango no Viveiro Proeza.
Curso de capacitação para seis produtores no Centro de Treinamento de Canguçu visando a qualificação para a produção em ambiente protegido e uso de slab.
Encaminhamento de materiais para análise no Laboratório Fitossanitário da Embrapa, também com a participação de Patrícia Grinberg.



