Crises da ovinocultura em tempos de pandemia

Atualmente, Jaguarão conta com um rebanho de, aproximadamente, 44 mil cabeças. Foto: Divulgação

A criação de ovelhas está ganhando espaço em pequenas propriedades de Jaguarão, sendo o setor considerado de destaque na região. Segundo o Escritório Municipal da Emater, atualmente, são 250 propriedades no município. Desse total, 150 são pecuaristas familiares e a maioria é atendida pela instituição. Ainda, há um rebanho de, aproximadamente, 44 mil cabeças.

Porém, como em outros setores, os criadores também realizaram adequações devido à pandemia do novo coronavírus. Muitos tiveram queda na comercialização do produto, por essa razão a reportagem conversou com alguns envolvidos no setor.

Cooperativa de Lãs Mauá
Segundo o presidente da Cooperativa de Lãs Mauá, Edison Ferreira, o mercado da lã já estava sofrendo uma certa dificuldade, operando em um ritmo mais lento para a safra 2019/2020 e com a chegada do vírus o setor sofreu bastante.

Presidente da Cooperativa de Lãs Mauá,
Edison Ferreira, fala sobre o setor. Foto: Divulgação

“Em março foi interrompida a comercialização das lãs e nós, a nível de RS, ficamos com praticamente 24% das lãs estocadas. A nível de Uruguai, há um excedente de 50% da safra anterior. Há, também, um bom excedente a nível de Argentina e Chile. Ainda, cito a Austrália e China que tiveram seus setores atingidos. As notícias não são nada boas, mas todos sabemos que vai chegar um determinado momento em que os preços irão retomar e, com isso, atingir um nível satisfatório. Hoje, por exemplo, não existe preço definido no mercado”, explica Ferreira.

O presidente ressalta que diante desse quadro, a cooperativa continuará comprando lãs e criou uma alternativa para o produtor. “O produtor irá entregar sua lã para a cooperativa, nós recebemos, cobraremos um valor x por quilo e emitiremos um recibo depósito para o produtor. Vamos atuar como prestador de serviço. Nessa condição, deixaremos essa lã à disposição para comercializar futuramente. Realizaremos todos os serviços necessários para qualificar o processo de lã, como serviço de coleta, classificação, preparação do fardo. Em contrapartida, o produtor terá a liberdade de comercializar seu produto a hora que quiser, poderá futuramente vender para a cooperativa ou não”, resume.

Ferreira destaca que este é o quadro atual da ovinocultura não só em Jaguarão, mas também no Brasil e exterior. Ainda, ele enfatiza que a maior angústia é não saber até quando o mercado da ovelha vai precisar esperar para se ajustar e voltar ao normal.

Produção de ovinos
Filha de criadores e também criadora nas comunidades do Cerrito e Quilombo, com mais de 300 cabeças, Lilian Brum destaca que na produção tudo está normalizado. No entanto, como não realiza viagens para oferecer o produto, a situação é considerada complicada.
“Estamos sentido falta dos remates em Jaguarão, pois era ali que comercializávamos nossas ovelhas. Estamos nos adequando a essa nova realidade, fazendo a venda particular”, comenta Lilian.

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