Município de Jaguarão comemora 170 anos de história

Ruínas da Enfermaria Militar, erguidas no ano de 1880, tinha como objetivo atender os oficiais do Exército da região da Campanha. (Foto: Divulgação)

Neste ano, Jaguarão completa 170 anos no domingo (23). A trajetória de emancipação do município é lembrada pela comunidade com orgulho, garra e conquistas.

A elevação à cidade ocorreu no dia 23 de novembro de 1855. Guarda em seu conjunto arquitetônico diversos pontos turísticos que encantam a todos que aqui chegam, como as Ruínas da Enfermaria Militar, erguidas no ano de 1880 por ordem do ministro de Guerra Visconde de Pelotas, e foi concluída em 1883. Está situada no ponto mais elevado da cidade, o Cerro da Pólvora. Possui características neoclássicas, destacando-se na paisagem por sua imponência.  Tinha como objetivo atender os oficiais do Exército da região da Campanha.

Outro ponto bastante visitado é o Mercado Público, construído entre os anos de 1864 e 1867, junto à antiga Praça do Comércio, a fim de promover a circulação de gêneros alimentícios de produção local e de mercadorias aportadas no rio Jaguarão.

Mercado Público foi construído entre os anos de 1864 e 1867 junto à antiga Praça do Comércio. (Foto: Juliana Lima/JTR)

O prédio, que ficou cinco anos fechado, foi todo reestruturado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). No local foi feito mudanças nas estruturas elétrica, hidráulica, além da instalação de um sistema anti-incêndio.

A Igreja Matriz do Divino Espírito Santo, localizada no Centro Histórico, começou a ser construída no ano de 1847. Porém, por falta de recursos e controvérsia quanto sua localização, sua conclusão só ocorreu em 1875, quando o Governo Provincial forneceu recursos para serem investidos na área religiosa. Seus altares são de madeiras esculpidos a mão, possui parlatório em mármore de carrara e vitrais exuberantes. Também conta com um grande acervo mobiliário e de imagens sacras. A igreja conserva suas linhas gerais e seu aspecto original, tanto na parte interna quanto na parte externa, o que faz com que a estrutura tenha grande importância arquitetônica, histórica e artística. Durante 166 anos, a manutenção realizada no templo era apenas no telhado, o que a fez preservar sua originalidade. O prédio passou três anos fechado e, em 2019, foi entregue à comunidade totalmente restaurado pelo Iphan.

Igreja Matriz do Divino Espírito Santo, localizada no Centro Histórico, começou a ser construída no ano de 1847. (Foto: Juliana Lima/JTR)

Também localizado no Centro da cidade, o Theatro Esperança é considerado um dos mais imponentes do Estado. Sua construção foi iniciada em 1887, como uma grande casa de espetáculos, inaugurada dez anos depois. As obras foram comandadas pelo construtor Martinho de Oliveira Braga e o trabalho artesanal em madeira pelo artífice Gustavo Guimarães. Ao longo de sua história, o teatro foi palco de apresentações de grandes companhias nacionais e internacionais, e teve vários usos, adaptando-se também a espetáculos circenses, com a remoção do tablado, que transformava a plateia em um grande picadeiro. Possui uma excelente acústica e em seus bastidores pode se movimentar mais de oito cenários. É um grande marco do engajamento da cidade com a movimentação cultural e artística do país e do Uruguai.

Theatro Esperança é considerado um dos mais imponentes do RS. (Foto: Divulgação)

Por fim, um dos cartões-postais da cidade, a Ponte Internacional Mauá, que liga Jaguarão a Rio Branco, no Uruguai. Foi construída entre 1927 e 1930, depois de um tratado firmado em 1918 entre os dois países para pagamento de dívida de guerra.

Ponte Internacional Mauá foi construída entre 1927 e 1930, depois de um tratado firmado em 1918 entre Brasil e Uruguai para pagamento de dívida de guerra. (Foto: Adilson Cruz/JTR)

É o primeiro bem binacional tombado pelo Iphan, reconhecido como primeiro patrimônio cultural do Mercosul. A ponte mede 2.113 metros de comprimento, sendo 340 metros sobre o rio Jaguarão, tendo 12 metros de largura. Na sua parte central existe uma via férrea com duas bitolas ladeada por duas faixas para veículos de três metros cada uma. As faixas possuem ao longo do comprimento calçada para pedestres.

Na obra, trabalharam 6.215 operários de diversas nacionalidades. O lado uruguaio da ponte foi tombado em 1977, enquanto o lado brasileiro da ponte foi tombado em 2011.