Jaguarão completa 165 anos de história

Conjunto arquitetônico preserva a história e a cultura local (Fotos: Juliana Lima/JTR)

No dia 23 de novembro, Jaguarão completa 165 anos, com muito orgulho, garra e conquistas.

O município guarda em seu conjunto arquitetônico diversos pontos turísticos que encantam a todos como, por exemplo, as ruínas da Enfermaria Militar, erguida no ano de 1880, por ordem do ministro de Guerra Visconde de Pelotas, e foi concluída em 1883. Está situada no ponto mais elevado da cidade, o Cerro da Pólvora. Possui características neoclássicas, destacando-se na paisagem por sua imponência. Tinha como objetivo principal atender os oficiais do exército da região da campanha.

Outro ponto muito visitado é o Mercado Público, construído entre os anos de 1864 e 1867 junto à antiga Praça do Comércio, a fim de promover a circulação de gêneros alimentícios de produção local e de mercadorias aportadas no rio Jaguarão.

O prédio, que ficou fechado por cinco anos, foi todo reestruturado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). No local, foram feitas mudanças nas estruturas elétrica e hidráulica, além da instalação de um sistema anti-incêndio.

A Igreja Matriz do Divino Espírito Santo, localizada no Centro Histórico, teve o início de sua construção em 1847, porém por falta de recursos e controvérsia quanto sua localização, sua conclusão só ocorreu em 1875, quando o Governo Provincial forneceu recursos para serem investidos na área religiosa. Seus altares são de madeiras esculpidos a mão, possui parlatório em mármore de carrara e belíssimos vitrais. Também conta com um grande acervo mobiliário e de imagens sacras.

A igreja conserva suas linhas gerais e seu aspecto original, tanto na parte interna quanto na parte externa, o que faz com que a mesma tenha grande importância arquitetônica, histórica e artística. Durante 166 anos, a manutenção realizada no templo era apenas no telhado, o que a fez preservar sua originalidade. O prédio passou três anos fechado e no ano de 2019 foi entregue à comunidade totalmente restaurado pelo Iphan.

Localizado no Centro, o Teatro Esperança é considerado um dos mais lindos do estado. Sua construção foi iniciada em 1887, como uma grande casa de espetáculos, inaugurada dez anos depois. As obras foram comandadas pelo construtor Martinho de Oliveira Braga e o trabalho artesanal em madeira pelo artífice Gustavo Guimarães. Ao longo de sua história, o teatro foi palco de apresentações de grandes companhias nacionais e internacionais, tendo vários usos, adaptando-se também a espetáculos circenses, com a remoção do tablado, que transformava a plateia em um grande picadeiro. O local possui uma excelente acústica e em seus bastidores pode se movimentar mais de oito cenários. É um grande marco do engajamento da cidade com a movimentação cultural e artística do país e do Uruguai.

E finalizando, há a Ponte Internacional Mauá, que liga Jaguarão (Brasil) a cidade de Rio Branco (Uruguai), construída entre 1927 e 1930, depois de um tratado firmado em 1918 entre os dois países para pagamento de dívida de guerra. É o primeiro bem binacional tombado pelo Iphan, reconhecido como patrimônio cultural do Mercosul.

A ponte mede 2.113 metros de comprimento, sendo 340 metros sobre o rio Jaguarão, tendo 12 metros de largura. Na parte central, existe uma via férrea com duas bitolas ladeadas por duas faixas para veículos de três metros cada uma. As faixas possuem, ao longo do comprimento, calçada para pedestres.

Na construção da ponte, trabalharam 6.215 operários de diversas nacionalidades. O lado uruguaio da ponte foi tombado em 1977, enquanto o lado brasileiro da ponte foi tombado em 2011.