Escola para atividades por falta de professores em Jaguarão

Escola tem enfrentado problemas pela falta de profissionais e transferência de alunos para outros educandários (Foto: Juliana Lima/JTR)

Desde o início de outubro, a Escola Estadual Hermes Pintos Affonso está sofrendo uma queda no seu currículo escolar com a falta de professores e sem a realização de aulas para os estudantes.

Sem a reposição de três profissionais que se aposentaram, seis disciplinas – Português, Literatura, Geografia, História, Ensino Religioso e Artes – deixaram de ser ministradas e espalham prejuízos nos três turnos da instituição.

Pela manhã, adolescentes do 7º, 8º e 9º ano do ensino fundamental, além de turmas de ensino médio, têm precisado ajustar horários para evitar que se desloquem à escola para ter aula de apenas uma disciplina, por exemplo. À tarde, o desfalque de pessoal atinge alunos do 5º e 6º ano. Já à noite, são afetados os jovens do 2º e 3º ano do ensino médio.

Sem perspectiva de solução e com o número de transferências de alunos em alta, a comunidade escolar decidiu agir e tentar amenizar a situação. O primeiro passo foi realizar uma assembleia, que resultou em uma moção de apoio dos vereadores de Jaguarão para intensificar a cobranças por respostas.

Segunda a diretora da rede de ensino, Verônica Rodrigues de Lima, os maiores prejuízos são didático-pedagógicos. “No início do ano estávamos sem professor de Filosofia e a solução demorou um semestre. Agora passamos a esperar a substituição desses três profissionais, mas o governo só nos diz que não tem fonte de custeio para contratações nem para ampliar a carga de outros professores”, afirma.

Enquanto não dispõe de quadro completo, a direção não consegue definir nem estratégias para recuperação dos conteúdos. São mais de 30 dias sem as seis disciplinas e com o agravante de não ter uma definição imediata.

Orgulho por um lado, problemas de outro

No ano de 2019, a escola foi escolhida pelo Ministério da Educação (MEC) para implantar o ensino médio integral, ocorrendo com duas turmas de 1º ano que permanecem na escola – popularmente conhecida como Polivalente -, das 8h às 17h.

A medida virou motivo de orgulho, afinal, é a única instituição da cidade com horário prolongado ao ensino médio.

Por outro lado, o educandário enfrenta sérios problemas com a falta de pessoal, que não se esgotam com os três professores que encerraram a carreira. O déficit inclui um professor supervisor e chega também à equipe de funcionários, com a carência de um merendeiro, um secretário e um auxiliar financeiro. É uma precariedade que vai além dos transtornos ao processo de ensino, provocando a perda de alunos. No começo do ano, o número era de 670 estudantes e hoje são de 607.

O que diz a 5ª CRE

Segundo a titular da 5ª Coordenadoria Regional de Educação (5ª CRE), Alice Szezepanski, a demanda já foi repassada ao setor de Recursos Humanos em busca de duas hipóteses: remanejos junto a outras escolas da rede e ampliação da carga horária de profissionais para suprir a necessidade.

“Depois deste primeiro mês de trabalho tenho um rol de demandas e vou apresentá-las na Secretaria de Educação (Seduc), em Porto Alegre, na próxima semana”, assegurou.

O levantamento para atender à reivindicação de Jaguarão, entretanto, já teria iniciado no dia 3 de outubro.

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