Especialistas reforçam cautela sobre El Niño durante reunião climática em Pedro Osório

Outro dado apresentado durante a reunião chamou atenção pelo elevado percentual de probabilidade climática divulgado pelos modelos internacionais. (Foto: Celestino Garcia/JTR)

Com auditório lotado na Câmara Municipal de Vereadores de Pedro Osório, a reunião regional realizada na noite de quarta-feira (27) reuniu autoridades, técnicos, representantes das Defesas Civis e comunidade para debater os cenários climáticos relacionados ao fenômeno El Niño e as estratégias de prevenção para a bacia do Rio Piratini. O encontro teve como foco principal a apresentação de dados meteorológicos atualizados e o fortalecimento do trabalho integrado entre municípios de Pedro Osório e Cerrito diante dos riscos climáticos.

Participaram da atividade o prefeito Ricardo Alves (MDB), o vice-prefeito Davi Lucas (MDB), a promotora de Justiça de Pedro Osório, Luana da Rocha Ribeiro, o coordenador da 4ª Coordenadoria Regional de Proteção e Defesa Civil (CREPDEC), coronel Facin, vereadores, equipe do núcleo de previsões meteorológicas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), gestores municipais, coordenadores de Defesa Civil e representantes da comunidade regional.

Na abertura do evento, o prefeito Ricardo Alves destacou a importância do monitoramento permanente e agradeceu o trabalho desenvolvido pelas equipes técnicas envolvidas nas ações preventivas da região. O chefe do Executivo também anunciou que um novo convênio voltado à área de drenagem deverá ser formalizado nos próximos dias, buscando ampliar a capacidade de resposta do município em períodos de grande volume de chuva.

A principal apresentação da noite ficou sob responsabilidade do professor Douglas Lindemann, da Faculdade de Meteorologia e integrante do Núcleo Integrado de Previsão da Universidade Federal de Pelotas (NIP/UFPel). Durante a explanação, foram apresentados gráficos e estudos climáticos atualizados em nível global, contextualizando o comportamento histórico do El Niño e seus impactos no Rio Grande do Sul.

Um dos gráficos exibidos mostrou a perspectiva histórica do Oceano Pacífico em relação aos ciclos de El Niño e La Niña desde a década de 1950, apontando que episódios de maior intensidade costumam ocorrer em períodos específicos e que as maiores cheias registradas historicamente no Estado aconteceram, em muitos casos, na fase final do fenômeno climático. Douglas destacou que “El Niño não significa obrigatoriamente grandes enchentes”, alertando para a necessidade de prudência diante de interpretações alarmistas.

Outro dado apresentado durante a reunião chamou atenção pelo elevado percentual de probabilidade climática divulgado pelos modelos internacionais.

Conforme os gráficos baseados em dados da NOAA Climate Prediction Center, os prognósticos indicam predominância quase absoluta de condições de El Niño ao longo dos próximos meses, com índices superiores a 90% em diversos períodos analisados. Em determinados cenários apresentados, a chance de ocorrência de um El Niño forte ou muito forte varia entre 60% e 70%.

Apesar disso, o professor reforçou que os modelos apontam tendências e não garantias absolutas de eventos extremos. Segundo ele, embora exista previsão de chuvas dentro ou acima da média para a região Sul, ainda não há precisão suficiente para afirmar a ocorrência de enchentes severas na bacia do Rio Piratini.

A apresentação também abordou os avanços estruturais no monitoramento climático regional, apresentados pelo professor Samuel Beskow. O coordenador regional, coronel Facin destacou que a implantação de 16 radares meteorológicos representa um importante avanço para a Zona Sul, ampliando a capacidade de acompanhamento em tempo real das condições atmosféricas e hidrológicas.

Ao final da reunião, o espaço aberto à participação do público reforçou a necessidade de manter o foco na prevenção, no planejamento e na atuação coordenada entre municípios, órgãos técnicos e Defesa Civil.

O entendimento predominante entre os participantes foi de que o atual cenário exige atenção permanente, mas também responsabilidade na interpretação dos prognósticos, evitando alarmismos e priorizando ações técnicas e preventivas junto às comunidades da região.