Melancia tem área reduzida, mas boa qualidade e produtividade na região

Área plantada recuou 44% em Pedro Osório, passando dos 250 hectares na safra passada para 140 na atual. (Foto: Arquivo/JTR)

A colheita da melancia se encaminhou para o final na região a partir da terceira semana de março. Ainda foi possível encontrar alguns frutos nas lavouras, mas o maior volume já havia sido colhido e comercializado. Pedro Osório e Capão do Leão, os mais tradicionais produtores da Zona Sul, registraram redução na área plantada e um número reduzido de agricultores dedicados à cultura.

Com sete produtores, o plantio da cultura em Capão do Leão tem se concentrado nas pequenas propriedades e como alternativa de renda. De acordo com o chefe do escritório da Emater local, Edenilson de Oliveira, foram plantados 15 hectares com a fruta e obtida uma produção de 375 toneladas.

Em Pedro Osório, a área reduziu em 44%, caindo dos 250 hectares da safra passada para 140 hectares de um ano para outro. Dois produtores se dedicaram ao cultivo e a expectativa é de uma produção superior a cinco mil toneladas.

A colheita está nos seus últimos dias e a fruta colhida agora está com dificuldades de colocação no mercado. A informação é do produtor José Pinho, que registra a colheita de pelo menos 95% da área de 50 hectares plantada por ele, na localidade de Matarazzo, na divisa com Arroio Grande. Segundo ele, o momento é conclusivo para a cultura e, na propriedade, já se inicia a movimentação para a colheita da soja.

Ele salienta que a estiagem não afetou tanto a qualidade e produtividade da fruta já que foi possível irrigar as lavouras. “Foi um verão atípico, com dias muito quentes e que provocaram a queima de alguns frutos, mas nada significativo”, destaca. Ele conta ainda que outras regiões produtoras, como Porto Alegre e Encruzilhada do Sul, tiveram problemas sérios com a estiagem, que provocou estragos nas lavouras. O fato acabou beneficiando a fruta da região no que se refere à demanda e preço.

Conforme o produtor, os seus tradicionais compradores são os mercados de Santa Catarina, Paraná e São Paulo, mas também realizou algumas vendas para o Rio Grande do Sul, onde o consumo da fruta ainda é muito baixo. O preço médio pelo quilo da fruta ficou em R$ 1,30, mas o produtor obteve remunerações entre R$ 1,70 e R$ 1,80 o quilo pelas frutas mais graúdas e entre R$ 1,10 e R$ 1 para as menores. A produtividade obtida ficou em 35 toneladas por hectare, o que deve resultar numa produção em torno de 1,75 mil toneladas na sua propriedade. Foram cultivadas as variedades Manchester e Arriba.

Para Pinho, o frio dos últimos dias não deve influenciar a qualidade das frutas, que já estão definidas e apresentaram qualidade muito boa, com altos teores de açúcar. No entanto, a demanda caiu bastante e, consequentemente, o preço.

Produtor José Pinho, de Pedro Osório, aponta que a
estiagem não afetou tanto a qualidade e produtividade
da fruta, já que foi possível irrigar as lavouras. (Foto: Arquivo/JTR)

Pinho se dedica à cultura da melancia há mais de 24 anos. Ele explica que o ciclo completo da cultura é de 90 dias. O plantio é feito de forma escalonada, entre o início do mês de novembro e final do mês de dezembro. A colheita, que começa no final de janeiro, se estende durante todo o mês de fevereiro e ainda até meados do mês de março. Na propriedade, que busca a diversificação, há também as culturas do milho e da soja.