Especial JTR: Cosulati se fortalece e reconquista mercado regional

Almir Mendonça completou um ano em 23 de abril à frente da administração da cooperativa que está em ritmo de recuperação (Foto: Luciara Schneid/JTR)

Após dois sucessivos episódios de dificuldades financeiras enfrentados pela Cooperativa Sul Rio Grandense de Laticínios (Cosulati), a instituição completou no dia 23 de abril, um ano sob a administração atual, que tem à frente o diretor administrativo Almir Fernando Miguel Mendonça, que se mostra otimista em relação à sua recuperação e “volta aos trilhos”. “Enquanto houver produtor que queira produzir e entregar seu produto à cooperativa, estaremos fazendo o nosso trabalho”, salienta.

Segundo ele, é preciso confiar que está sendo feito o melhor pelo bem do produtor, sempre com foco na solução e não no problema. Ele conta que ao assumir, em abril do ano passado, encontrou os produtores sem receber a cinco meses, uma enorme insatisfação e como consequência uma redução drástica da captação de leite. A primeira iniciativa foi a regularização dos pagamentos aos associados, o que restabeleceu a confiança perdida e o resultado pode ser conferido já na chegada do leite na plataforma, que subiu de 38 mil para entre 100 e 120 mil litros de leite por dia.

De lá pra cá, a prioridade tem sido o resgate de associados, cumprimento com os colaboradores e renegociação com fornecedores e sistema financeiro, o que tem transformado a situação de preocupação em um quadro de mais otimismo, principalmente pela relação de transparência com todos os envolvidos no processo.

Além da sua importância direta na arrecadação do município do Capão do Leão, pois impacta positivamente o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que ultrapassa os R$ 500 mil por mês, a cooperativa atua em outros 20 municípios da região, onde possui 400 produtores envolvidos. Somados às cooperativas parceiras, que captam leite para a cooperativa, Mendonça projeta mais de seis mil famílias envolvidas no segmento. A Cosulati conta ainda, com 234 colaboradores, na sua unidade no Capão do Leão, com escala de trabalho organizada nas segundas e sextas-feiras, de acordo com a necessidade.

Os sinais iminentes da recuperação da cooperativa podem ser vistos pelos consumidores, que voltam a ter no mercado os tradicionais produtos com a marca Danby Cosulati, como o queijo, a manteiga, o doce de leite, nata em balde e os leites UHT integral, desnatado e semi-desnatado, já disponíveis em vários pontos de venda e também na loja da cooperativa na Praça 20 de Setembro, reaberta recentemente. “Existe ainda a previsão da volta ao mercado do queijo lanche e do requeijão, o que deve ocorrer em breve”, projeta. O queijo Danby Cosulati não era encontrado nas prateleiras dos comércios da cidade e região desde 2015 e o leite UHT desde julho de 2017.

Segundo Mendonça, está em tratativas ainda, uma parceria para a ração e o frango, e com isso, podem ser retomadas as atividades de forma terceirizada do frigorífico, em Morro Redondo e da fábrica de rações, em Canguçu. “Queremos retomar a produção e recolocar no mercado todos os produtos que os consumidores estavam acostumados”, diz.

Junto à loja, funciona também a Feira da Agricultura Familiar, sempre às quartas-feiras, agora das 16h às 21h, com produtos como frutas, hortaliças, doces, compotas e artesanatos. Todos os produtos obrigatoriamente com a regulamentação que normatiza os princípios de comercialização e de produção saudável.

Ele reitera que “a cooperativa é uma reunião de pessoas que se estabelecem na confiança e hoje o foco está voltado para o produtor”. Uma das preocupações do diretor diz respeito à normativa 77/2018 que regra o controle da qualidade do leite, desde a captação até a chegada para o processamento na indústria, que prevê a troca dos resfriadores de imersão por refrigeradores a granel. Segundo ele, isto é inviável para praticamente 140 produtores associados da Cosulati, que vão ficar impedidos de manter a atividade leiteira, bem como resultará em uma redução de captação por parte da cooperativa de quase oito mil litros de leite por dia. “Isto representará um impacto de R$ 3 a R$ 5 milhões que serão retirados do campo”, salienta.

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