Capão do Leão: Laudo de perdas no setor agropecuário está em fase de conclusão pela Emater

A soja é a cultura mais prejudicada. Dos 11 mil hectares plantados, estima-se que foi colhido apenas seis mil, restando cinco mil hectares para serem colhidos. (Foto: Ilustrativa/Luan da Costa)

No período de um ano e meio, Capão do Leão decretou Situação de Emergência por quatro vezes em curtos espaços de tempo por questões climáticas. Em fevereiro do ano passado, foi pela seca. Em setembro, o motivo foi o excesso de chuva. Já em março deste ano, devido ao vendaval. E no final de abril, outra vez, por conta dos altos acumulados de chuva.

Segundo o chefe do escritório municipal da Emater, Edenilson Oliveira, o Rio Grande do Sul vive um período sem precedentes no setor agrícola devido às questões climáticas afetando totalmente a produção das culturas. “O arroz praticamente já se havia concluído a colheita, portanto sem perdas significativas. A soja foi a mais prejudicada. Dos 11 mil hectares plantados, estima-se que foi colhido apenas seis mil, restando cinco mil hectares para serem colhidos, com grande risco de perda deste montante”, explicou o extensionista.

Oliveira afirma que o produtor que tiver seguro terá que acionar sua seguradora e aquele que não tem terá que arcar com os prejuízos. A soja que não foi colhida é incorporada ao solo como matéria orgânica, fortalecendo-o para a plantação da próxima cultura. Já o milho é bem menos expressivo que a soja – 700 hectares plantados. Os 70% colhidos foram transformados em silagem, já o restante a colher será transformado em grãos.

A Emater também estima perdas em hortaliças com baixo desenvolvimento devido ao excesso de água no solo. Nas frutas começam a aparecer fungos afetados pela falta de luminosidade. “O município possui uma produção significativa de plantação de morangos e nossa expectativa é da chegada do sol e que grande parte da plantação do morango seja aproveitada”, relatou.

Pecuária de corte

Segundo o extensionista da Emater e médico veterinário, Hector Diaz, a pecuária de corte será afetada pela falta de pastagens. Isso significa que o reflexo na agropecuária é grande com baixa nos preços e falta de comprador. “O preço caiu em torno de R$ 1,00 e R$ 1,50. Além da queda no preço, os produtores não terão comida suficiente para alimentar o gado, então, provavelmente teremos um inverno bem complicado’, justificou Diaz.

“Em relação ao gado leiteiro, o vendaval de abril afetou bastante a cultura do milho e silagem. E agora, com essa chuvarada, o produtor não conseguiu plantar pastagem para o gado, consequentemente, comida escassa para os animais do campo. A solução para o produtor é dar ração para o gado. Isso gera mais custos, além de várias propriedades terem sidos afetadas pela destruição de galpões e salas de ordenhas. O produtor terá um inverno com pouca comida, pouco dinheiro e frio. E Deus queira que a chuva seja pouca”, analisou Diaz.

A Emater elaborou os laudos circunstanciados nos quatro decretos que tiveram estimativa de perdas agropecuárias.

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