Moradores protestam contra desligamento de sinalizadores de velocidade na BR-293, no Parque Fragata

A mobilização ocorreu nos quilômetros 11 e 21 da rodovia, onde pneus foram queimados e uma barreira humana chamou a atenção dos motoristas que passavam pelo local. (Foto: Gerson Baldassari/JTR)

Moradores do Parque Fragata em Capão do Leão protestaram contra o desligamento dos pardais na BR 293, na tarde de sexta-feira (15). O trecho é considerado de alta periculosidade devido ao elevado número de acidentes fatais registrados nos últimos anos.

A mobilização ocorreu nos quilômetros 11 e 21 da rodovia, onde pneus foram queimados e uma barreira humana chamou a atenção dos motoristas que passavam pelo local. Centenas de pessoas participaram, entre elas homens, mulheres e crianças, que pediam a volta dos equipamentos de fiscalização com coro diziam: “Queremos a Volta dos Pardais” e uma faixa com a frase “Acidentes não acontecem por acaso, mas por descaso” que mostrava a indignação de uma comunidade que durante o seu dia a dia vive momentos angustiantes ao terem que realizar a travessia da BR 293.

Para os moradores, os pardais são fundamentais para reduzir a velocidade dos veículos e oferecer mais segurança aos pedestres que precisam atravessar a rodovia diariamente.

Em meio aos protestantes e muito emocionado, Emerson da Rocha de 46 anos, relatou ao JTR como foi o acidente que há pouco tempo ceifou a vida de sua esposa. “Minha esposa estava indo para o trabalho quando foi atropelada por um carro que excedia a velocidade permitida no local. Com o choque ela foi jogada longe e acabou em óbito”, relata Rocha que vive esse drama diariamente ao atravessar a BR para levar a filha Evelin da Rocha, de 10 anos, que estuda na escola municipal do Parque Fragata.

Emerson da Rocha e a filha Evelin perderam esposa e mãe em acidente na BR-293. (Foto: Gerson Baldassari/JTR)

A moradora Bruna Alves, de 29 anos, perdeu a mãe neste mesmo local. “ Na época do acidente de minha mãe não existia os pardais. É como se fosse agora, trânsito intenso no dia a dia. Minha mãe foi atropelada por um carro e ao ser jogada longe uma carreta passou por cima dela. Uma cena trágica que não sai da minha cabeça. E por isso, estou aqui junto com essa comunidade reivindicando sinalização e providências dos órgãos competentes. Os pardais nos dão uma segurança a mais ao atravessar a BR”, conclui.

Bruna Alves perdeu a mãe neste mesmo local. (Foto: Gerson Baldassari/JTR)

Luismar Machado, de 63 anos, acha que os pardais ajudam porque o veículo freia e o pedestre tem mais tempo para atravessar a BR, mas ele faz uma ressalva. “Minha opinião é que esse trecho deva ser duplicado o quanto antes. Eu perdi o meu pai em acidente há algum tempo, mas vejo diariamente cenas aterrorizantes de motoristas que desrespeitam a lei e a sinalização de trânsito”, argumentou.

Luismar Machado perdeu o pai em acidente na BR 293. (Foto: Gerson Baldassari/JTR)

O ex-vereador Valentim Aguiar passou por momentos difíceis com a morte da filha em acidente de moto no ano passado. “Essa rodovia é muito perigosa e as crianças precisam atravessar a BR para embarcar no ônibus escolar. É uma preocupação constante para a família destas crianças”, frisou.

Valentin Aguiar perdeu a filha em acidente de moto no techo. (Foto: Gerson Baldassari/JTR)

Segundo os organizadores do protesto, o movimento correspondeu às expectativas e aguardam uma posição dos órgãos competentes sobre essa questão. A organização do movimento de luta pela volta dos radares tem o apoio da Câmara de Vereadores, da Prefeitura Municipal, da população em geral e outros órgãos públicos, além de representantes da Assembleia Legislativa e Câmara Federal.