Capão do Leão: Uma história que começa ainda no período pré-colonial

A história de Capão do Leão é datada do período pré-colonial, pela presença de indígenas, comprovada pela descoberta de artefatos arqueológicos de origem das culturas sambaquieiras e dos grupos construtores de cerritos que habitavam as zonas hídricas e alagadiças do local. (Foto: Divulgação)

Emancipado de Pelotas em 3 de maio de 1982, pela Lei 7.647, o município de Capão do Leão completa 42 anos nesta sexta-feira (3). Contudo, sua história é datada do período pré-colonial, pela presença de indígenas, comprovada pela descoberta de artefatos arqueológicos de origem das culturas sambaquieiras e dos grupos construtores de cerritos que habitavam as zonas hídricas e alagadiças do local. Entre os habitantes mais antigos estão os charruas e minuanos, e mais recentes os guaranis, mas dentro do período pré-colonial.

Nos séculos 19 e 20, ocorreram migrações em vários períodos históricos, pessoas atraídas pelos solos férteis, pela tranquilidade e beleza do lugar. Famílias ricas de Pelotas tornaram o local para veraneio. A abundância de rochas graníticas em todo o território impulsionou a chegada de trabalhadores para a extração mineral – os conhecidos “graniteiros”, ou “cortadores de pedras”, atividade laboral de grande relevância social, mas em extinção, devido ao envelhecimento destes profissionais.

A instalação da empresa mineradora Compagnie Française du Port de Rio Grande do Sul, no Cerro do Estado, em 1909, impulsionou o crescimento populacional. Além da extração de pedras, a empresa construiu uma ferrovia para transportar blocos de granito para a construção dos Molhes da Barra, em Rio Grande.

Capão do Leão integra o Batólito de Pelotas, estrutura granítica que se estende desde o Uruguai até Santa Catarina e que está presente também em outros municípios da região, como Piratini, Arroio Grande, Canguçu e São Lourenço do Sul.

Localizado na microrregião de Pelotas e mesorregião do Sudeste Rio-Grandense, o município encontra-se numa altitude de 21 metros e tem uma população de 25.409 habitantes, de acordo com o censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Seu território é banhado pelos arroios São Pedro e Padre Doutor e pelo canal São Gonçalo. É cortado pela linha férrea, que liga Rio Grande a Cacequi, e pelas BRs 116 e 293. Possui três distritos – Pavão, Hidráulica e Passo das Pedras – e cinco bairros: Centro, Teodósio, Cerro do Estado, Parque Fragata e Jardim América, o maior do município.

Há divergências quanto às origens de Capão do Leão. Há quem afirme que a exploração do granito trouxe os primeiros moradores. No entanto, a pecuária de corte era a atividade econômica mais importante desde a chegada dos primeiros luso-brasileiros no fim do século 18.

Tropas de gado e os tropeiros que as conduziam ajudaram a criar os primeiros caminhos leonenses, literalmente abertos na ponta de cascos de bois, cavalos e mulas. A maioria das estradas rurais e mesmo vias urbanas, como as avenidas Narciso Silva e Três de Maio, simplesmente eram no passado “corredores de tropas” que se direcionavam para as charqueadas pelotenses ou para serem negociadas na Tablada, como também para engorda nos campos úmidos do Pavão.

O nome também apresenta mais de uma versão. Alguns historiadores defendem que a sua origem vem de um animal chamado Suçuarana ou Puma, que vivia nestas terras. Por ser muito semelhante ao leão africano, porém com cor mais clara, também era conhecido por leão baio, nome científico Felis concolor.

Segundo o historiador Joaquim Dias, a denominação de Capão do Leão já existia desde 1809, comprovado em um documento requerido ao príncipe-regente português Dom João VI, solicitando a instalação de uma capela no “lugar denominado Capão do Leão da fazenda de Pelotas”. Mas, em 1813, iniciou-se a construção da catedral São Francisco de Paula, tornando-se uma freguesia e, posteriormente, o aglomerado urbano ao seu redor, deu origem à cidade de Pelotas.

O historiador conta em seu blog que o nome “Capão do Leão” continuou aparecendo em diversos documentos durante o século 19, em registros de viajantes, documentos eclesiásticos, contratos de venda, cartas da época farroupilha, jornais, etc. E ainda em 1893, uma lei o eleva a distrito de Pelotas, ficando “distrito de Capão do Leão”.

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