
Com a intensificação do frio, os casos de síndromes gripais dispararam nos três maiores municípios da Zona Sul do estado. Pelotas, Canguçu e Rio Grande registraram aumento expressivo nos atendimentos de pacientes com doenças respiratórias, com maior incidência de Influenza A (H1N1 e H3N2). As secretarias de saúde se mobilizam para conter o aumento da demanda com a ampliação dos horários de funcionamento da rede básica, reforço das equipes em Unidades Básicas de Saúde (UBSs), Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e hospitais.
Todos os 21 municípios da 3ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS) apresentam circulação do H1N1 e de outros vírus respiratórios nas últimas semanas. Doze hospitais de oito municípios já notificaram casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) com internações neste ano.
Crescimento de casos pressiona rede pública

Nas últimas semanas, unidades de saúde e prontos atendimentos dos três municípios vêm registrando crescimento contínuo na procura por atendimento médico. Em Pelotas, a UPA contabilizou um aumento de 92% nos atendimentos por sintomas respiratórios em maio, em comparação à média dos meses anteriores.
“A gente estava observando os casos, analisando, chamando profissionais do Pronto-Socorro, da UPA e das UBSs, sempre informando que o aumento estava sendo importante, significativo — e agora se percebeu que realmente foi muito grande”, diz a secretária de Saúde de Pelotas, Ângela Vitória.
No Pronto-Socorro, de janeiro a maio, foram registrados 1,7 mil atendimentos apenas para doenças respiratórias. No mesmo período, a UPA realizou 1,5 mil atendimentos.
“Precisamos aumentar a taxa de vacinação, porque, estando imunizado, você pode até ter um resfriado, mas com certeza os danos serão menores, as reações serão bem mais sutis”, observa Vera Neto, coordenadora da Vigilância em Saúde.
Em Rio Grande, o quadro não é diferente. Abril e maio foram os meses com maior número de registros na UPA Junção: 516 atendimentos por doenças respiratórias — sendo 261 por Influenza e 230 por pneumonia. Já na UPA Cassino, tem sido atendida uma média de 100 pessoas por dia com síndrome gripal. Na última segunda-feira (26), o número de pacientes com esse tipo de doença chegou a 174.
Em Canguçu, embora o número anual de atendimentos respiratórios no Hospital de Caridade (HCC) tenha diminuído, as consultas e internações aumentaram nas últimas semanas. Dos atendimentos realizados no Ambulatório Pediátrico e no Pronto-
Socorro do HCC, 22,2% estão relacionados a sintomas gripais.
Medidas emergenciais para conter o avanço
Diante do cenário, os municípios vêm ampliando as estratégias de enfrentamento. A Prefeitura de Canguçu intensificou a vacinação em pontos estratégicos, como bancos, creches e comércios, além de visitas domiciliares a idosos acamados. Também reforçou o fornecimento de insumos e a capacitação das equipes da Atenção Básica.
Em Pelotas, além da ampliação dos horários nas sete principais UBSs — com a UBAI Navegantes passando a abrir também nos finais de semana —, houve contratação emergencial de médicos e ampliação das equipes de urgência na UPA e no Pronto-Socorro, além da aquisição de novos leitos clínicos e de UTI.
Entre as ações adotadas em Rio Grande, destacam-se o aumento da cobertura vacinal, com ampliação dos pontos de vacinação e dos horários das salas de vacina, além da criação de pontos médicos específicos para atendimento de síndromes respiratórias na UPA Cassino e na UBS Rita Lobato. A Prefeitura também adquiriu testes rápidos para detecção do vírus H1N1, com o objetivo de rastrear os vírus em circulação e evitar a evolução de casos para quadros graves ou fatais.

Estado amplia apoio aos municípios com recursos para UBSs e UPAs durante o período crítico do inverno
Como forma de reforçar a estrutura de saúde, o Governo do Rio Grande do Sul lançou a Operação Inverno Gaúcho com Saúde. A iniciativa prevê o repasse de R$ 20,8 milhões aos municípios, entre 30 de maio e 30 de junho, com o objetivo de fortalecer o atendimento durante o pico das doenças respiratórias.
Desse total, R$ 13,6 milhões são destinados à Atenção Primária, para ampliação de horários nas UBSs, contratação de profissionais e aquisição de insumos. Outros R$ 7,15 milhões irão diretamente para as UPAs, com repasses proporcionais à média de atendimentos de cada localidade — variando entre R$ 70 mil e R$ 150 mil.
De acordo com a 3ª Coordenadoria Regional de Saúde, com sede em Pelotas, a atual estação de doenças respiratórias é marcada pela circulação simultânea de diversos vírus, incluindo Influenza A (H1N1 e H3N2), Influenza B e o próprio coronavírus. Segundo a epidemiologista Dóris Schuch, a situação se agrava com a identificação de infecções, especialmente em crianças pequenas, e com o aumento de casos graves entre idosos e pessoas com comorbidades — muitas delas com vacinação incompleta ou desatualizada.
Com a previsão de dias ainda mais frios nas próximas semanas, as autoridades reforçam o chamado à população para que mantenha os cuidados básicos, como uso de máscara em caso de sintomas, lavagem frequente das mãos e, principalmente, a vacinação.
“É fundamental reforçar medidas como a etiqueta respiratória, tão comentada na época da Covid-19, e priorizar a vacinação do público vulnerável, como estratégia eficaz de prevenção e redução de complicações”, explica a secretária de Saúde de Canguçu, Vanise Nunes.



