O Natal inspira a magia. É a época em que crianças e adultos dão asas à imaginação e fazem do Papai Noel um dos símbolos de comemoração da festa. Em Arroio Grande, o casal Cleusa Maria da Silva Ferreira e João Luiz da Silva Ferreira deu um sentido solidário para o personagem que encanta a todos nas festas natalinas.
Casados há 35 anos, eles ficaram conhecidos na comunidade por interpretarem o Papai e a Mamãe Noel em eventos e ações desenvolvidas na cidade. De maneira despretensiosa, inicialmente em Jaguarão, Ferreira começou a se vestir de Papai Noel para presentear os filhos dos amigos. Após o casamento, já em Arroio Grande, Cleusa conta que as ações começaram com os alunos, visitando as salas de aula e distribuindo presentes para as crianças. Desde então, começaram a ser convidados para interpretar os personagens em festas de família e ações sociais, sem nunca cobrar qualquer quantidade financeira.
O gesto de altruísmo exercido por eles reflete-se na emoção com que falam em tantos anos que atuam juntos alegrando o Natal de tantas pessoas. “Depois de você colocar aquela roupa, você não tira mais. É viciante. Você encontrar o sorriso de uma criança, receber um carinho de um adulto, embora sabendo que tudo é uma fantasia, isso traz um sentimento tão bom que chega a ser inexplicável”, relata Ferreira.
Com o tempo a família do casal foi aumentando, e as ações de solidariedade passando a arrecadar donativos para doar à comunidade mais carente, tanto que atualmente o casal só participa de ações que abrangem causas sociais. Nesta época, a família fica totalmente voltada para as ações solidárias e o grande desafio é encaixar as datas para tantos convites de entidades que promovem eventos de solidariedade e contam com a atuação do Papai e da Mamãe Noel.
Faltam palavras na hora de dizer o que mudou na vida do casal depois que passaram a conviver com esse tipo de ação. Eles que também já enfrentaram dificuldades financeiras entendem a realidade daqueles que são mais carentes, por isso a tônica que os motiva é vivenciar a realidade de que quem dá, recebe.
Cleusa conta que está de cirurgia marcada para os dias que antecedem os compromissos de 2019, no entanto não abre mão de cumprir toda a agenda. Ela, que está com 66 anos, e Ferreira com 61, pensam em parar por questões de saúde. Por isso, o casal sempre procurou envolver os filhos e os netos, buscando fazer com que a tradição e a corrente solidária sejam sempre mantidas.
Entre as histórias marcantes, o casal relembra de uma ocasião em que uma mulher queria ganhar um rádio. O casal fez questão de presenteá-la, refletindo que a felicidade não custa caro e o que parece ser pequenos atos para quem faz, representa muito para quem recebe.
Para eles, o Natal representa a unidade da família e mesmo com os tempos mudados e com a dificuldade de reunir a todos, sempre buscam manter a essência através das ações que desenvolvem. “Ver o sorriso de uma criança por uma bala, sendo que muitas vezes não possuem condições nem de se alimentar é muito triste, se cada um de nós puder se doar um pouquinho é possível fazer um Natal mais feliz”, finaliza Cleusa.




