
Daniel Batista, Stéfane Costa, Nael Rosa e Rafael Viana
Do alerta da Defesa Civil gaúcha ao cancelamento de aulas e mobilizações de equipes e diversos setores, a passagem de um ciclone extratropical na noite de quarta-feira (12) e madrugada de quinta (13) deixou um rastro de destruição em todos os municípios da Zona Sul. Casas destelhadas, árvores e postes caídos pelas ruas e falta de energia elétrica nas residências estão entre as principais ocorrências.
Em Rio Grande, as rajadas de vento atingiram 140 km/h. O fenômeno chegou a fazer uma vítima fatal. Um homem de 68 anos no bairro Maria dos Anjos que, segundo a Prefeitura, estava dentro de casa quando uma árvore caiu em sua residência. O município emitiu um comunicado pedindo para que a população só saísse de casa em casos de extrema necessidade.
Pelotas
Pelotas também mobilizou equipes para resolver os problemas causados pela passagem do ciclone desde quarta. O levantamento feito pela Secretaria de Qualidade Ambiental (SQA) no dia seguinte indicou que aproximadamente 300 árvores foram derrubadas pelo vento, que chegou a 100km/h. A Assistência Social também iniciou o atendimento das famílias atingidas e a Divisão de Trânsito na sinalização das ruas interrompidas.
Conforme a Defesa Civil, 60 famílias receberam lonas após os telhados de suas casas serem danificados pelo vento. Até a tarde de quinta não havia registro de desabrigados ou desalojados. A falta de energia elétrica ainda afetava quatro das cinco estações de tratamento, até o fechamento desta edição, com isso a maior parte da cidade estava desabastecida. O problema também atingiu as casas de bombas e o escoamento em alguns locais. De acordo com a medição pluviométrica feita pelo Serviço Autônomo de Saneamento (Sanep), a chuva acumulada até o final da tarde de quinta atingiu 153 milímetros. Na zona rural, estradas do 2°, 3°, 4°, 6° e 7° distritos estavam bloqueadas por quedas de árvores e bueiros rompidos.
A prefeitura divulgou a suspensão das aulas também nesta sexta-feira (14), retornando após o período de férias estudantis. A medida também havia sido decretada na quinta-feira. A Secretaria Municipal de Educação entrou em contato com as escolas para avaliar os prejuízos nos prédios. Segundo a prefeita Paula Mascarenhas (PSDB), a antecipação das férias não prejudicará os alunos.
“Nós precisamos recuperar as escolas atingidas e, claro, proteger as nossas crianças. Então vamos antecipar o recesso escolar, já estamos em recesso, mas as equipes da Smed vão trabalhar na manutenção para que na volta as crianças encontrem um ambiente perfeitamente restabelecido. Não se preocupem os pais, nós tínhamos no nosso calendário escolar três dias letivos a mais, esses dois a mais não vão prejudicar o andamento e aprendizado dos seus filhos. Estamos fazendo isso para protegê-los, para arrumar ou consertar os estragos”, explica. Na Escola Municipal de Ensino Fundamental Ministro Fernando Osório, a força do ciclone deixou a estrutura da quadra de esportes da instituição praticamente destruída.
Todos os municípios da Zona Sul do estado também cancelaram as aulas nas redes de ensino na quinta. Na quarta, o governador em exercício, Gabriel Souza (MDB), já havia informado o cancelamento na rede estadual, que retorna nesta sexta-feira (14). A Universidade Federal de Pelotas (UFPel) emitiu duas portarias comunicando a suspensão das atividades desde a tarde de quarta-feira e durante toda a quinta.
O mesmo ocorreu na Universidade Católica de Pelotas (UCPel), que chegou a suspender os atendimentos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) administradas pela instituição, no Ambulatório do Campus Saúde assim como no Centro Acadêmico de Saúde (CAS), com retorno previsto para esta sexta-feira. A Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e o Instituto Federal Sul-rio-grandense também cancelaram as atividades.
Outros municípios da Zona Sul
Municípios de toda a região se mobilizaram para amenizar os danos causados pelo ciclone. Em Pedro Osório a prefeitura divulgou que as equipes da Secretaria de Obras iniciaram os trabalhos de limpeza das ruas nas primeiras horas dr quinta. De acordo com a Defesa Civil do município, não havia sido registrada nenhuma ocorrência de destelhamento ou alagamento de casas.
A Prefeitura de São Lourenço do Sul emitiu um comunicado informando que os telefones de emergência 190 e 193 ficaram fora do ar, restando à população, em caso de emergência, contatar a Defesa Civil pelo (53) 99100-0645. A sede da administração operou com auxílio de gerador para dar atendimento emergencial à população no prédio central. O Executivo também pediu para que a população evitasse sair de casa e relate a ocorrência de fios elétricos caídos para a CEEE Equatorial.

Em Arroio Grande, a Prefeitura trabalhou na remoção de árvores na área urbana através da Secretaria de Obras, e na rural em parceria com a Agricultura. Os dados completos sobre os danos ainda estão sendo levantados pela Defesa Civil que estabeleceu um plantão de atendimento e monitoramento do nível da água do arroio.
Em Piratini, cinco famílias foram afetadas, três delas desalojadas, todas na zona urbana. Segundo o gestor da Defesa Civil no município, Daniel Morales de Moura, um dos casos mais graves ocorreu no bairro Sinuelo, onde César Ortiz, a esposa e o filho de 12 anos, correram risco iminente de morte.

“Nos salvamos porque agi rápido e arrombei uma porta para podermos sair. A enxurrada arrastou o que encontrou pela frente e perdemos quase tudo, sobrando só uma televisão. A água chegou a um metro e destruiu o que tínhamos dentro de casa”, contou Ortiz, que pediu ajuda à comunidade.
Os reflexos também foram observados nas estradas. Conforme a Polícia Rodoviária Federal (PRF) diversas árvores caídas na BR 392 próximo ao acesso a Morro Redondo dificultaram a chegada ao município, tendo sido ainda o ponto mais crítico da rodovia, no trecho entre Canguçu e Pelotas.
O km 36 da BR 293 também acabou bloqueado, obrigando os motoristas a desviarem por Pedro Osório saindo da BR 116.
Energia elétrica
No último boletim divulgado antes do fechamento desta edição, a CEEE Equatorial havia registrado a falta de energia elétrica em mais de 280 mil clientes na região, sendo 118 mil em Pelotas, 68 mil em Rio Grande, 21 mil em São Lourenço do Sul, 15 mil em São José do Norte, 10 mil em Piratini, 10 mil em Capão do Leão, 5 mil em Pinheiro Machado. Em todo o território gaúcho, quase 595 mil unidades consumidoras atendidas pela concessionária ainda estavam sem o serviço, após o restabelecimento em 120 mil.
A companhia afirmou ter adotado um plano de contingência para minimizar os efeitos É possível contatar a CEEE Equatorial através da assistente virtual Clara, pelo WhatsApp (51) 3382-5500, para solicitar religação e informar falta de energia, site http://ceee.equatorialenergia.com.br/, tele atendimento pelo 0800 721 2333 ou informar falta de energia pelo SMS 27307, que deve ser preenchido com a palavra LUZ e o número da Unidade Consumidora (UC), encontrado no canto superior direito da fatura de energia.
Estado
A Defesa Civil havia registrado 23 feridos, até o início da noite de quinta-feira, com 234 desabrigados e 331 desalojados. Em coletiva de imprensa na manhã de quinta-feira (13), o governador do Estado, Gabriel Souza, destacou que o ciclone deixou um rastro de destruição, com possibilidade de enchentes em alguns locais.
“Pedimos às pessoas que moram em áreas de risco, próximo a rios que podem transbordar ou em encostas de morro, que saiam de suas casas e se dirijam a residências de familiares ou amigos, ou até mesmo a abrigos indicados pelas prefeituras de suas cidades. É muito importante seguir as orientações da Defesa Civil e estamos à disposição pelos telefones 190 e 193”, salientou.



