
Há quase duas semanas, Arroio Grande enfrenta os efeitos de um incêndio que continua ativo em um dos silos de soja da empresa Cotribá, localizado a cerca de 3 quilômetros do centro da cidade. A fumaça persistente e o forte odor provenientes do local têm causado preocupação entre os moradores, que relatam problemas respiratórios e desconforto, especialmente nos dias em que os ventos direcionam a fumaça para a área urbana.
O caso tem ganhado repercussão nas redes sociais e nas discussões locais, principalmente por se tratar do segundo incêndio em um silo da empresa em menos de quatro meses. No mês de julho, um outro sinistro causou o colapso parcial de uma estrutura e resultou na autuação da Cotribá por crime de poluição ambiental, após ação da 3ª Companhia Independente de Polícia Ambiental (3ª CIPAM).
De acordo com informações da Prefeitura de Arroio Grande, foi registrado um aumento significativo de pacientes com sintomas respiratórios nas últimas semanas, o que pode estar diretamente relacionado à fumaça oriunda do incêndio. O município já protocolou denúncias junto à FEPAM e ao Ministério Público, buscando por providências e medidas que garantam a segurança da população e a proteção ambiental.
O tema também foi debatido na Câmara de Vereadores, onde o vereador João Victor Larrosa (PT) tem cobrado respostas e soluções junto aos órgãos competentes. “Tenho uma ligação direta com o bairro São Gabriel, onde os moradores estão sofrendo com diversos relatos de 2025problemas respiratórios. Por isso, estamos atrás, junto à Secretaria de Meio Ambiente e à Comissão de Agricultura da Câmara, de um retorno em defesa da comunidade”, destacou o parlamentar.
Larrosa reconheceu a importância da Cotribá como investimento para o município, mas reforçou a necessidade de responsabilidade e prevenção. “Compreendemos que situações como essa podem ocorrer, mas este já é o segundo caso. Há também a preocupação com os próprios produtores que têm soja armazenada no local. Este episódio deve servir como um aprendizado para futuras empresas que queiram se instalar no município, sempre priorizando o bem-estar da comunidade”, concluiu.
O presidente do Legislativo, Ailton Vargas “Kuka” (PP), também se manifestou sobre o caso, destacando a gravidade da situação e a necessidade de ação imediata por parte das autoridades competentes. “É fundamental que todos os órgãos competentes tratem o caso com seriedade e responsabilidade, e que tomem providências urgentes, até porque, quando se fala em saúde pública, nossa comunidade já sente os reflexos em face das fuligens, que causam problemas respiratórios” afirmou.
O parlamentar ainda reforça o respeito a todos os envolvidos — inclusive à empresa atingida, que presta relevantes serviços à comunidade. Mas cobra a necessidade de ação, dos poderes constituídos, pois os danos podem ser irreparáveis. “Que esse momento sirva para reforçar a importância da prevenção e do cuidado com o meio ambiente e com a saúde de nossos munícipes, sabendo que nenhum de nós deseja que algo assim aconteça” finalizou.
O incêndio segue sendo monitorado enquanto moradores e autoridades aguardam posicionamento oficial dos órgãos ambientais e da empresa sobre as causas e as medidas de controle da situação.



