Arroio Grande: Escolas Estaduais Aimone Soares Carriconde e 20 de Setembro enfrentam problemas estruturais

A Escola 20 de Setembro foi totalmente fechada, em novembro de 2023, devido a sérios problemas na parte elétrica e estrutura do telhado. (Foto: divulgação)

As direções das duas maiores escolas estaduais de Arroio Grande seguem travando uma luta para que as reformas estruturais sejam realizadas em seus prédios. Com o início do ano letivo, as cenas que se espalharam nas redes sociais da atual situação da Escola Estadual 20 de Setembro chocam e comovem a comunidade. A luta não vem de hoje, uma vez que direções anteriores já cobravam e buscavam soluções junto ao governo do Estado para as reformas nos prédios, que são antigos. No entanto, a situação ficou insustentável.

A Escola 20 de Setembro chegou a ser parcialmente interditada em fevereiro de 2023, na parte superior do prédio. Porém, em novembro do mesmo ano, o prédio foi totalmente fechado devido a sérios problemas na parte elétrica e estrutura do telhado. Mais uma vez, a direção da escola lutou para que as reformas fossem executadas através de uma grande mobilização envolvendo a comunidade. Na ocasião, ficou acertado que em quatro meses a reforma seria concluída, projeção que não se concretizou, acumulando mais transtornos.

Desde então, o educandário enfrenta problemas com o isolamento do prédio principal e nas demais dependências foi realizada manutenção após muita insistência por parte da direção e diversas trocas de local. O telhado foi retirado quase que na sua totalidade, deixando o prédio exposto a inúmeras intempéries, como chuva, e também infiltração. A cobertura com lonas foi realizada recentemente, depois de muita insistência da direção. As ferramentas da obra, muitas delas guardadas dentro do prédio, estão danificando o piso. O material do passivo escolar não pode ser retirado por falta de local para armazenagem e, devido às infiltrações, encontra-se coberto por lonas, depois de solicitação da direção. A entrega dos materiais é feita pelo mesmo portão de acesso dos alunos, o que gera transtornos e insegurança. Os vidros das janelas estão, em sua maioria, quebrados. Os funcionários da obra seguidamente se recusam a trabalhar, segundo eles, por falta de pagamento. Segundo a diretora Claudete Botelho, aconteceram situações de total tensão em que a equipe diretiva foi informada que os trabalhadores desmanchariam o que já haviam construído em razão de não receberem o pagamento. Os banheiros também estão danificados. Além disso, o engenheiro responsável afirmou que alguns serviços tiveram que ser refeitos, pois o material utilizado não era o indicado e nem de boa qualidade – caracterizando uma falta de controle e fiscalização, acarretando em desperdício do dinheiro público. A retirada de telhas foi feita de forma indevida, sendo jogadas para a pracinha.

“O prazo estimado com certeza não será cumprido, o que gera uma indignação e uma preocupação muito grande”, afirmou Claudete. A direção do educandário procura constantemente o governo estadual para que tomem providências e agilizem os serviços. Foram realizadas duas denúncias no Ministério Público – uma on-line e outra presencial – entregando documentos e fotos da obra.

Já no Instituto Estadual de Educação Aimone Soares Carriconde, a situação não é diferente. A escola retornou as aulas no dia 13 com o acolhimento dos alunos em um ambiente que só é possível graças ao esforço da equipe de profissionais. As reformas realizadas no ano passado seguem apresentando problemas. Desde julho do ano passado, duas salas de aulas, consideradas importantes para o recebimento de cerca de 45 alunos cada uma, seguem com problemas estruturais. Segundo a diretora Luciana Nunes, os espaços em questão ficam no térreo e são essenciais para a acomodação de estudantes com mobilidade reduzida. Uma das lutas travadas desde o ano passado era a reforma no auditório da escola, que chegou a ser interditado após uma grande mobilização da comunidade escolar.

No Instituto Estadual de Educação Aimone Soares Carriconde, algumas salas de aula seguem apresentando problemas estruturais. (Foto: divulgação)

Houve êxito nos trabalhos de reparo do local, no entanto, as salas de aula seguem apresentando problemas. O transtorno se dá no formato de contratação das empresas por parte do governo do Estado, uma vez que as instituições que venceram as licitações para o cumprimento das obras acabaram terceirizando os serviços, que não foram finalizados até o momento. Conforme Luciana, a exemplo da Escola 20 de Setembro, os operários alegam que não receberam os salários e, por consequência, pararam de trabalhar. Fora isso, os reparos que foram efetuados na escola já apresentam problemas e a estrutura elétrica, que é antiga, precisa ser refeita.

Mesmo assim, os alunos e profissionais retornaram às aulas nas duas escolas com tranquilidade. No Aimone, as salas do Curso de Aplicação continuam interditadas, sendo que as aulas estão acontecendo, de forma improvisada, no Laboratório de Ciências e na Sala de Artes. Já no 20 de Setembro, as atividades escolares estão ocorrendo nas salas anexas à escola, com aulas do 1º ao 9º ano e Educação de Jovens e Adultos (EJA) com um ambiente em perfeitas condições de uso. No entanto, os espaços administrativos da escola estão comprometidos, sendo que os profissionais ocupam apenas um pequeno espaço para o trabalho. A Educação Especial, Brinquedoteca, Biblioteca e a Sala de Jogos foram afetadas e tiveram que ser readequadas em um esforço dos profissionais da escola.

Audiência Pública
Nesta sexta-feira (21), às 17h, no Plenário da Câmara de Vereadores, será realizada uma Audiência Pública promovida pelo Legislativo municipal, com o intuito de envolver a comunidade e lideranças políticas de diversas siglas partidárias para discutir o assunto e pressionar o governo do Estado a solucionar os problemas dos educandários. A reunião foi proposta pelo vereador João Victor Larrosa (PT).