Arroio do Padre: Pandemia restringe o mercado de caqui e frustra produtores

(Foto: Adilson Cruz/JTR)

Pelo segundo ano, as restrições geradas pela pandemia, como o cancelamento da Festa do Caqui e da Maçã de Arroio do Padre, vem frustrando os produtores que além de não poderem contar com esta forma de divulgação e comercialização da fruta, ainda precisam driblar a concorrência com outros alimentos. “As pessoas perderam o poder de compra e as frutas não são prioridade na sua alimentação”, dizem. A produção total de caqui no município chega a 50 toneladas.

Maior produtor individual da fruta na cidade, Valter Thomsen diz que a venda está complicada junto aos supermercados, por exemplo, que têm proposto apenas a venda consignada. “Para isso eu teria que contratar uma pessoa para fazer a reposição da fruta nas gôndolas, o que inviabiliza o custo”, afirma.

Dedicado à atividade da fruticultura desde a juventude e reconhecido pela qualidade da fruta produzida, o produtor ressalta que o melhor ponto de venda tem sido mesmo a sua casa, localizada às margens da rodovia, entre a BR-116 e Arroio do Padre. “Está sendo um ano complicado, tenho entregado ainda a depósitos, mas em quantidade pequena”, explica.

A propriedade de Thomsen possui 3,5 hectares da fruta nas variedades Rama Forte, Kyoto, Chocolate, Taubaté, Granado e Fuyu. A produção, que começa no início de março, deve se estender até o final de maio. Conforme ele, a maior quantidade de variedades permite uma produção escalonada e por um período maior.

Valter Thomsen é o maior produtor
individual da fruta no município (Foto: Divulgação)

O produtor preza pela diversificação e por isso cultiva diferentes variedades de frutas, entre elas a goiaba, com 800 plantas, pois a oferta de mais de uma fruta atrai os consumidores. No pomar podem ser encontradas, ainda, a pitanga, que proporciona três safras por ano (outubro/novembro, janeiro e abril) e a ameixa, colhida entre outubro e novembro. A maçã, nectarina e pêssego de mesa também são espécies cultivadas.

Neste ano, que foi chuvoso, associado ao calor tornou o ambiente propício à antracnose que atacou, pelo menos, 15 plantas das variedades Kyoto e Chocolate e atingiu algumas árvores de Fuyu, que também é suscetível à mosca-das-frutas, outra praga que ataca os pomares.

A intermediação via Cooperativa dos Produtores de Arroio do Padre (Coopap) tem sido uma saída para as 50 famílias de produtores associadas, que produzem basicamente frutas e legumes. Conforme o presidente da cooperativa, Gustavo Lapschies, o maior comprador atualmente é o Quartel de Bagé, com cinco locais para abastecer. “Abastecemos também através do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), os municípios de Rio Grande e Capão do Leão com frutas da época”, diz.

Segundo ele, neste ano já foi entregue uma tonelada de frutas por meio do PAA, restando ainda cinco toneladas. “Termina o caqui começa a goiaba”, explica.

Conforme Lapschies, a festa do município sempre foi, sem dúvida, um excelente canal de comercialização para o caqui, pois além da venda direta nas bancas, a Prefeitura também adquiria a fruta para distribuição na compra dos ingressos. No momento, algumas vendas vêm sendo realizadas junto a atacados e Ceasa. Os preços obtidos não passam de R$ 2 o quilo na venda aos atacados e de R$ 2,50 na Ceasa.

Produtor há 15 anos, Lapschies conta que o seu pomar da variedade Fuyu foi implantado há sete anos, através do Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento dos Pequenos Produtores Rurais (Feaper), o primeiro concedido no município. A expectativa é colher em torno de 3,8 mil quilos.

Enviar comentário

Envie um comentário!
Digite o seu nome