
A primavera, que começou no dia 22 de setembro, será marcada por chuvas entre normal e abaixo da média na Zona Sul do estado. A previsão é da meteorologista do Centro de Pesquisas e Previsões Meteorológicas da Universidade Federal de Pelotas, Carina Padilha, que também prevê temperaturas acima da média. Nas regiões norte e noroeste do RS, pode haver maior quantidade de chuvas. A nova estação inicia, ainda, com a perspectiva de formação do efeito La Niña, que pode trazer seca para o estado, especialmente no verão.
“Nossa equipe está esperando chuva entre normal e abaixo da média, em Pelotas e cidades próximas. A chuva média na primavera deve ser de 250 a 300 mm em toda a estação. Em relação à temperatura do ar, as condições para a primavera mostram valores acima da média, espera-se um aumento gradativo da temperatura nos próximos meses”, afirmou a meteorologista.
Diferentes fenômenos a cada ano
Nos anos anteriores, o fenômeno do El Niño foi protagonista, resultando em excesso de precipitação e chuvas fortes no Rio Grande do Sul. O fenômeno, que pode ocorrer em intervalos regulares, se dá pelo aquecimento anormal e irregular das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Ao enfraquecer os ventos alísios, há um deslocamento das águas quentes e mudanças na circulação atmosférica. Com a distribuição de calor e umidade afetadas, chuvas expressivas marcaram o estado, resultando na inundação histórica de maio de 2024, que afetou 70% dos municípios gaúchos.
Neste ano, mesmo com as condições no Oceano Pacífico Equatorial estando neutras, há um monitoramento para uma possível configuração do La Niña, de acordo com Carina.
“Estamos monitorando uma transição para um oceano com temperatura superficial abaixo da média, o que deve configurar o La Niña. Isso costuma influenciar as condições meteorológicas no nosso estado, podendo favorecer as chuvas abaixo da média tanto nos últimos meses deste ano, como no verão em si”. explicou.
O fenômeno, por sua vez, é causado pelo fortalecimento dos ventos alísios, os quais empurram as águas quentes do Oceano Pacífico Equatorial para o oeste, criando um acúmulo de calor nessa região. Com impactos opostos aos do El Niño, traz chuvas acima da média somente para o Norte e Nordeste do Brasil e condições mais secas para o Sul.
Alertas da nova estação
De acordo com a meteorologista, os agricultores também devem ficar em alerta a partir de agora, especialmente se o La Niña realmente acontecer: “Na agricultura, as perdas nos cultivos de verão estão associadas à escassez de chuvas. Embora a previsão para a primavera não indique volumes de chuva tão baixos, é importante acompanhar as condições previstas para o início do verão, período em que há maior expectativa de redução das chuvas, caso se confirme a formação do La Niña”, disse.



