
*Com informações da Assessoria de Imprensa
A retirada das praças de pedágio da Ecovias Sul, prevista para a meia-noite de terça-feira (3), transfere à administração pública a responsabilidade pelo atendimento de urgência e emergência em rodovias da Zona Sul do Rio Grande do Sul. A concessionária, ligada ao Grupo EcoRodovias, deixa de operar 457,3 quilômetros das BRs 116 e 392, incluindo serviços de manutenção, monitoramento e apoio imediato a acidentes.
Ao longo de quase três décadas, a Ecovias Sul investiu aproximadamente R$ 2,5 bilhões em obras, manutenção e melhorias na infraestrutura rodoviária da região. Em pavimentação, foram aplicados R$ 773,5 milhões, além de R$ 240 milhões em Imposto Sobre Serviços (ISS) repassados a 19 municípios entre 2001 e 2025. Contudo, durante o período, a concessionária foi responsável pelo aumento das taxas, que chegaram à quase R$ 20 até o fim do contrato, conquistando a aversão dos que trafegam pelas estradas em vista do valor elevado em comparação a outros trechos.
Até o último minuto de vigência da concessão, às 23h59 de segunda-feira (2), a Ecovias Sul seguirá prestando atendimento aos usuários, segundo o diretor superintendente, Miquéias Neuenfeld. “Cumprimos o contrato com excelência até o último dia, garantindo segurança, inovação e respeito ao meio ambiente”, afirma.
A mudança representa um desafio para os serviços de urgência, que passam a atender diretamente trechos anteriormente cobertos pela concessionária, incluindo bairros de Pelotas como Sítio Floresta, Vila Princesa e Posto Branco. O SAMU local já registra, em média, 45 chamadas diárias, com quatro viaturas circulando mais de 100 quilômetros por dia. Com a desativação das praças de pedágio, a expectativa é de aumento significativo de ocorrências, especialmente acidentes de maior gravidade.
Na manhã desta segunda-feira, o vereador Paulo Coitinho (Cidadania) visitou o SAMU de Pelotas, conversou com profissionais da linha de frente e protocolou um requerimento na Câmara Municipal solicitando esclarecimentos sobre o planejamento para o novo cenário. Entre os pontos questionados estão a frota de ambulâncias, a localização das viaturas, o efetivo de profissionais, protocolos para múltiplas vítimas e integração com outros órgãos de segurança.
“Não sou contra os pedágios, sou totalmente contrário aos valores abusivos que estavam sendo cobrados. A estrutura das estradas está pronta, o que se precisa agora é manutenção e, principalmente, garantir atendimento rápido e eficiente quando algo acontecer. Estamos falando de vidas”, pontua Coitinho.
O SAMU de Pelotas, em conjunto com a Rede de Urgência e Emergência (RUE) e o Corpo de Bombeiros, solicitou à 3ª Coordenadoria Regional de Saúde, à Secretaria Estadual da Saúde e ao Ministério da Saúde a ampliação da frota. O pedido inclui, para Pelotas, uma Unidade de Suporte Básico, uma Viatura de Intervenção Rápida e rádios digitais para comunicação entre ambulâncias e o Centro de Regulação de Urgência (CRU). Para Rio Grande, foi solicitada uma Unidade de Suporte Básico.
Marcelo Rodrigues da Rosa, coordenador geral do SAMU e diretor da RUE, destacou a importância do planejamento e da comunicação. “O aumento do número de viaturas e de profissionais é necessário, já que atendemos dentro da cidade e na região. A demanda é alta. Estamos mapeando a área e nos preparando cada vez mais”, diz.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) também se preparou para o fim da concessão. Na sexta-feira (27), representantes da PRF participaram de reunião na Associação dos Municípios da Zona Sul (AzonaSul), em Pelotas, com prefeitos e chefes de delegacias. O objetivo foi alinhar fluxos de comunicação e pontos de contato para garantir agilidade no atendimento de acidentes, remoção de veículos e socorro pré-hospitalar nas rodovias federais.
Nos últimos meses, o SAMU e a Ecovias Sul trocaram informações sobre indicadores de acidentes, permitindo planejamento mais preciso das equipes e da sinalização de trânsito. Apesar disso, autoridades municipais e estaduais reconhecem que a transição aumenta o risco de demora no atendimento em casos graves, até que a estrutura pública se adapte à nova realidade.



