Em reunião na manhã deste sábado (23), na sede da Associação dos Municípios da Zona Sul, prefeitos da região apresentaram demandas e pediram apoio do governador Eduardo Leite (PSDB) para recuperação dos danos causados pelas chuvas intensas das últimas semanas.
A agenda foi confirmada na sexta-feira (22). Durante a madrugada, novos prejuízos foram registrados com a queda de granizo durante a madrugada. Em Arroio do Padre, cerca de 200 casas foram atingidas, segundo o prefeito Rui Peter (União). As famílias já foram atendidas com mais de 1 mil metros de lonas. Os danos também se estenderam ao Centro de Eventos Dorothea Coswig Buss, escolas e outros prédios do município.
Em Morro Redondo, o granizo atingiu residências e afetou a produção de pêssegos. Para enfrentar a situação, o prefeito Rui Brizolara (União) afirmou que deverá decretar situação de emergência na segunda-feira (25), ato que estava resistindo em adotar. Segundo ele, a Prefeitura deverá investir na compra de novas telhas, pois as famílias atingidas não têm condições de investirem.
Os gestores de Turuçu e Pelotas também irão decretar situação de emergência devido aos danos causados pelos eventos climáticos extremos. A chefe do Executivo pelotense, Paula Mascarenhas (PSDB) adiantou que o prejuízo está em cerca de R$ 10 milhões. “Isso sem contar danos em pontes e asfalto”, afirma. A estimativa é que 29 ponte e 1,6 mil km de estradas estão prejudicadas.

Para ela, é preciso definir prioridades nos investimentos de reconstrução, considerando a perspectiva de mais chuvas intensas nos próximos meses. “Nas [estradas] de saibro, na colônia, não podemos investir com muito material sabendo que vem mais chuvas”, exemplifica.
A continuidade das condições adversas também foi citada pelo prefeito do Rio Grande, Fábio Branco (MDB), que propôs a elaboração de um decreto de calamidade pública para a região, que poderia contribuir com a questão financeira das administrações municipais, afetadas pela queda de receitas. Ele aponta que precisará descumprir um decreto de contingência devido à necessidade de aplicar recursos no resgate e auxílio às famílias atingidas.
Ele propôs ainda que haja auxílio na contrapartida estabelecida aos municípios no âmbito do programa A Casa é Sua, destinado à construção de moradias populares, e que as novas residências sejam destinadas à famílias que residem em áreas de risco.
Outra preocupação compartilhada pelos gestores é a continuidade do ano letivo, tendo em vista a dificuldade de acesso dos estudantes. No município de Canguçu, com 8 mil km de estradas, o prefeito Vinícius Pegoraro (MDB) informou que das 23 escolas na zona rural, somente quatro estão funcionando e outras 13 estão sem condições de acesso. “Se não tivermos apoio do governo do Estado iremos demorar muito para normalizar”, lamenta. Em Piratini, o prefeito Márcio Porto (MDB) também solicitou apoio, apontando danos em 50 pontes e 7,2 mil km de estradas. “Não temos condições de restabelecer”.
Em Cerrito, além dos 200 km de estradas, o prefeito Douglas Silveira (Progressistas) apontou que 500 pessoas ficaram desabrigadas após a elevação do nível do Rio Piratini. Ele pediu celeridade na concessão de recursos. As consequências do excesso de chuvas, aponta, também atingem o setor primário, que estão perdendo a dificuldade de pagamentos e para implantação da nova safra. Além disso, destacou obstáculos na obtenção de seguro agrícola e crédito rural.
Providências
Leite afirmou que as demandas serão repassadas aos setores responsáveis dos governos estadual e federal e que a prioridade é o abastecimento das famílias com alimentos. Salientou o repasse de R$ 2,5 mil para famílias necessitadas e reforçou a necessidade das Secretarias Municipais de Assistência Social repassaram informações à gestão estadual.
Em relação à recuperação de estradas, afirmou que a administração estadual poderá fornecer “kits” com equipamentos e operadores de máquinas contratados diretamente pelo Estado, dentro da capacidade orçamentária. Ele também se comprometeu a elaborar uma proposta para substituição das pontes de madeira por estruturas de concreto, mais resistentes, ação que foi sugerida pelos gestores municipais.
Sobre o decreto de Calamidade Pública, afirmou que é baseado em critérios técnicos e que a situação na região terá que ser avaliada. Na Zona Sul, ele afirmou que os danos são causados por eventos prolongados. No Vale do Taquari, no entanto, foram em curto espaço de tempo.
Para o governador, as ocorrência de condições adversas deve fazer com que a pauta da resiliência deva estar presente na elaboração dos orçamentos, projetos e obras, projetadas de forma a resistirem aos eventos extremos, como estiagem ou excesso de chuvas.




