
Entre aniversários de municípios, grandes feiras, tradições culturais, turismo, agronegócio e histórias do cotidiano, existe um elemento que ajudou a fortalecer a identidade editorial do Jornal Tradição Regional ao longo de seus 20 anos, os cadernos especiais. Criados como uma forma de aprofundar temas e aproximar ainda mais o jornal das comunidades, os cadernos são produtos de diferentes editorias que acompanham momentos importantes da região. Eles funcionam como espaços para valorizar pessoas, registrar transformações e ampliar a circulação de histórias que, muitas vezes, superam os limites do jornal semanal.
A proposta nasceu ainda nos primeiros anos do jornal. “Com as reportagens especiais, conseguimos mostrar a realidade, o dia a dia daquela população, promovendo o desenvolvimento econômico e social da cidade”, resume o fundador e diretor geral do Jornal Tradição Regional, Adilson Cruz.
Da identidade regional aos novos mercados
Os primeiros especiais foram dedicados aos municípios e Canguçu abriu esse caminho. Segundo Adilson, a ideia sempre foi fazer com que o leitor se enxergasse no jornal. “Quando fazemos um caderno de município, ele circula em toda a região de cobertura e também distribuímos uma quantidade ampliada dentro da própria comunidade. Isso aumenta o acesso às informações e o impacto das reportagens produzidas”, diz.
O sucesso dos primeiros especiais mostrou que havia espaço para novos formatos e também para ampliar o olhar sobre setores que fazem parte da identidade regional. Entre os produtos que ganharam força ao longo dos anos está o Caderno Especial do Colono e Motorista, hoje um dos carros-chefes do jornal. Ele surgiu inicialmente para valorizar a presença da agricultura familiar e do pequeno produtor rural. Antes mesmo do JTR Agro, o especial já abordava temas ligados ao campo, destacando a produção de tabaco, feijão, batata e outras culturas que movimentam pequenas propriedades da região. Segundo Cruz, a proposta era abrir espaço para um público que nem sempre ocupava lugar de destaque no noticiário econômico tradicional.
Como a celebração do Dia do Colono coincide com o Dia do Motorista, o jornal ampliou a proposta editorial e passou a homenagear também quem conecta produção e circulação econômica. O especial passou a retratar desde motoristas de carga até profissionais do transporte coletivo, ambulâncias e aplicativos, abordando desafios da profissão e o impacto desses trabalhadores na rotina da sociedade.
Logo vieram os cadernos dedicados às grandes feiras e eventos da região, abrindo espaço para setores que giram a economia local e fortalecem identidades culturais, entre eles, o especial da Feira Nacional do Doce (Fenadoce). Com foco na valorização da tradição doceira e do potencial econômico e turístico do evento, o caderno reúne reportagens sobre cultura, empreendedorismo, gastronomia e experiências vividas durante a feira. Para Cruz, o caderno da Fenadoce abriu novas oportunidades de mercado e também de visibilidade para quem participa dele.
Na mesma linha vieram os especiais ligados às expofeiras da região – como Canguçu, Pelotas, São Lourenço do Sul e Arroio Grande – e, posteriormente, o Caderno do Agronegócio. O JTR Agro passou a mostrar toda a cadeia produtiva de safras e eventos do setor, abordando pesquisa, extensão, indústria, produção e os impactos econômicos do campo na Zona Sul. “O agronegócio tem um espaço fundamental no desenvolvimento econômico da região.
Desde o pequeno ao grande produtor está nas nossas reportagens. Então é um produto que vem se consolidado e crescendo cada vez mais. A gente fica muito contente em ter um produto nesse nível no jornal”, afirma Cruz.
Cultura, turismo e histórias
Se alguns cadernos nasceram para acompanhar setores econômicos, outros surgiram para registrar períodos que movimentam o cotidiano regional. O periódico de verão passou a reunir roteiros, turismo, atividades culturais, saúde, lazer e serviços para moradores e visitantes. “Nosso caderno é composto tanto pelo turismo das praias como Cassino, Nereidas e Laranjal, quanto pelo turismo que valoriza as atividades rurais que cresceram muito nos últimos anos. A gente traz um caderno bem eclético, também com informações sobre saúde para a temporada”, informa o diretor.
Já a Semana Farroupilha reforça a valorização das tradições gaúchas. Reportagens sobre CTGs, manifestações artísticas, memória, costumes e personagens ajudam a construir, ano após ano, um retrato da identidade cultural da região. “O jornal, pelo próprio nome diz, é a Tradição, então a gente entende que a gente tem que valorizar nossas raízes”, aponta Cruz.
Outros especiais, como o Caderno de Natal, seguiram a mesma proposta de conectar economia, comportamento, cultura, serviço e histórias, mas com um olhar especialmente voltado para aquilo que mobiliza comunidades. “A gente procura contar histórias de quem faz a diferença e ajuda a construir um Natal melhor para todos”, conta o diretor. Segundo ele, o objetivo do especial nunca foi somente acompanhar o calendário comercial, mas mostrar como diferentes setores da sociedade se mobilizam em torno de uma época marcada pela convivência, solidariedade e renovação.

Um jornal, muitos olhares
Ao longo de duas décadas, os cadernos especiais também acompanharam a transformação do próprio JTR. Cada edição reúne profissionais de diferentes áreas, conecta municípios, amplia fontes e cria espaço para reportagens que exigem mais tempo de produção e aprofundamento. “É isso que faz a diferença. Ter vários produtos para o leitor ter vários pontos de vista e, ao mesmo tempo, informação diferenciada ao longo do ano em diversas áreas”, resume Cruz. Ao celebrar 20 anos, o jornal olha para os cadernos especiais como parte dessa construção coletiva e, se depender dos próximos passos já projetados pelo JTR, novas páginas ainda estão por vir.



