O ritmo lento da vacinação infantil contra a Covid-19 na região

Pfizer pediátrica é um dos imunizantes liberados e conta com composição e dosagem diferentes. (Foto: Rodrigo Chagas/Prefeitura de Pelotas)

A vacinação infantil contra a Covid-19 para crianças de 5 a 11 anos começou no Brasil no dia 14 de janeiro deste ano, com a dose aplicada no indígena Davi Seremramiwe Xavante, de 8 anos, em São Paulo. Quase um mês depois do pontapé inicial, a campanha anda em passos lentos no país. Na terça-feira (8), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que apenas 15,3% do público-alvo da vacinação infantil contra a Covid-19 já recebeu a primeira dose dos imunizantes disponíveis para esta faixa etária.

Foram aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) dois imunizantes para o grupo: a Pfizer pediátrica, de composição, dosagem e rótulos diferentes, a partir dos 5 anos, e a CoronaVac, a mesma aplicada em adolescentes e adultos, a partir dos 6. Essa última não pode ser aplicada em menores imunossuprimidos. Seguindo a recomendação do Ministério da Saúde, a maioria das cidades seguem um plano de ordem decrescente de idade, com prioridade para quem tem comorbidade ou deficiência permanente e para crianças quilombolas e indígenas.

Dados divulgados pela Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul apontam que 964.273 crianças estão na faixa etária de 5 a 11 anos, mas até quinta-feira (10), apenas 11,1 % do público-alvo havia recebido a primeira dose do imunizante, ou seja, 106.784. Em contrapartida, também na quinta, o estado de São Paulo atingiu a marca de 54,46% vacinados nesta mesma faixa etária. Foram 2.180.713 de doses aplicadas.

Na maioria dos municípios da região sul do estado, optou-se pela aplicação das doses mediante agendamento. Em Pelotas, foi criado um sistema que permite aos pais ou responsáveis a escolha do dia e horário para a imunização da criança.

De acordo com a diretora em Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Aline Machado da Silva, o sistema tem funcionado de forma eficiente. Nesse sentido, aqueles que tiverem dificuldades podem realizar a marcação em qualquer Unidade Básica de Saúde (UBS). O município, que tem cerca de 27,9 mil crianças na faixa etária, aplicou 3.597 doses desde 19 de janeiro, o que, segundo Aline, está dentro do esperado. “Está dentro do planejado, visto que os horários já estão todos preenchidos. É uma estratégia projetada para que não houvesse filas e aglomerações nos pontos de vacinação”, explica.

Ainda assim, os dados obtidos pela reportagem apontam que apenas 22,30% das crianças entre 5 e 11 anos residentes em 16 municípios da Zona Sul foram vacinadas. A médica pediatra e sub-investigadora do Instituto Butantan, Ana Carolina Cuimbra, alerta sobre a importância de manter o sistema imunológico das crianças protegido contra o vírus, para nos livrarmos da pandemia o quanto antes. Segundo ela, os atendimentos pediátricos aumentaram significativamente do final de 2021 para cá.

“Muito provavelmente porque as crianças são a parcela da população que ainda não tinha iniciado a vacinação”, explica. Ainda de acordo com Ana Carolina, a ineficácia das vacinas não deveria ser uma questão, já que são necessários muitos estudos para liberação dos imunizantes. “O Brasil é um dos países que tem um dos melhores calendários vacinais do mundo. Nós sempre vacinamos muito as nossas crianças. E tanto para fazer medicamentos no geral, quanto para fazer vacinas, nós fazemos muita pesquisa até a gente ter ali o produto confiável”, afirma.

Nesta semana, Lúcio Henrique, o Lucinho, de 9 anos, acordou ansioso para vestir a fantasia em homenagem ao Naruto, personagem favorito dele, que foi pensada especialmente para o momento da vacinação. Segundo o pai, Lúcio Costa, desde que soube que poderia receber o imunizante o garoto ficou ansioso. “Ele reclama muito de não poder estar com os coleguinhas, a gente até chegou a botar ele numa escolinha de futsal, mas acabou tirando porque andou aumentando muito os casos de novo”, explica.

O pequeno Lúcio, de 9 anos, guardou
a fantasia para o momento. (Foto: Arquivo Pessoal)

Lucinho conta que foi para a vacinação sem nenhuma resistência e por vontade própria. Segundo ele, deu um pouquinho de medo, mas o choro foi de alegria por ter recebido a tão esperada dose. “Ele está feliz. E era uma tristeza que nós tínhamos de nós estarmos mais protegidos e ele estar mais vulnerável. Eu acho que a única coisa que pode nos salvar desse momento que a gente vem passando é a vacina”, comemora o pai. Agora, o garoto conta os dias para voltar à escola e rever os coleguinhas.

Volta às aulas
Em meio aos altos números de contaminações, causadas pela variante Ômicron, os municípios começam a se preparar para o retorno das aulas presenciais. Em Herval, os alunos do Polo de Educação Infantil Kelvin Vieira Sakai retomaram as atividades na quarta-feira (9). Segundo a secretária de Educação, Edisa Silveira, os alunos foram recebidos seguindo os cuidados preventivos contra o coronavírus, como a obrigatoriedade do uso de máscara para as crianças maiores de 4 anos, a higienização das mãos e a medição de temperatura na entrada do prédio.

“Cabe ao Sistema de Ensino normatizar o funcionamento, de acordo com a gravidade da pandemia. Dessa forma, optou-se pelo retorno presencial regular para atender à demanda das famílias que precisam deixar seus filhos aos cuidados desta instituição”, explica.

Herval já tem em média 61,2% das crianças vacinadas. A secretária de saúde, Mariana Araújo, atribuiu o desempenho a divulgação que está sendo feita pelos meios da Prefeitura e através dos agentes de saúde. “A Secretaria tem intensificado a campanha de conscientização dos pais e responsáveis acerca da importância de vacinar seus filhos”, conclui.

Em Pelotas, a Educação e Desporto (Smed) juntamente com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), tem trabalhado para emitir uma nota técnica a respeito do início do calendário letivo de 2022, considerando as necessidades de prevenção e monitoramento da Covid-19. De acordo com a titular, Adriane Silveira, a Smed irá estender o processo de capacitação dos trabalhadores da educação. Para ela, estes profissionais já adquiriram experiência com a presença dos alunos nas escolas, durante a pandemia, no ano de 2021.

Confira os dados sobre a vacinação de crianças entre 5 e 11 anos na região