
Moradores ao redor da empresa de exportação de gado vivo Estância Delsul, localizada nas dependências do desativado Frigorífico Marfrig, participaram de audiência pública, realizada no CTG Tropeiros do Sul, no último dia 22, para discutirem alternativas de eliminar ou diminuir ao mau cheiro que exala do confinamento dos animais em dias de vento.
Para o vereador proponente da audiência pública, Marco Aurélio (PT), esse encontro entre empresários, produtores, gestores municipais, vereadores e comunidade é salutar e importante devido ao momento difícil e crucial de geração de renda e emprego. “Essa audiência era para ter acontecido antes da instalação desse empreendimento no Jardim América, mas nesse momento é muito importante, porque temos uma comunidade que está reclamando desse cheiro forte. Cabe a Casa socializar com órgãos públicos e empresa maneiras de ameninar esse impacto que aflige a comunidade”, ressaltou.
De acordo com o engenheiro agrônomo Juliano Schusch, a empresa já vem tomando algumas medidas para resolver a questão, dentre elas, a análise laboratorial diária da água usada. Os animais mortos são colocados na câmara mortuária e cobertos com casca de arroz, impedindo a formação de mau cheiro. Ele também disse que o excesso de esterco poderá causar odor, mas mesmo assim o material coletado é colocado numa base impermeabilizada que fica decompondo, em média, 150 dias e, após, é utilizado para adubação na propriedade, sem contato com o lençol freático.
“Outra medida que adotamos refere-se à plantação de árvores. Já plantamos cerca de 200 mil mudas de marmelo e faremos a plantação de árvores nativas de maior porte que serve para quebrar o vento e fazer com que o cheiro suba e não se espalhe pelo bairro. Só que para tudo dar certo teremos que seguir algumas regras de legislação e certamente levará algum tempo para ser concluído”, explicou Schusch, que acrescentou não medir esforços para realizá-los.
Representando os produtores rurais e o setor produtivo, Clóvis Victória disse que a maior arrecadação do município vem desta área com uma contribuição de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) de 30% ao município e o setor de água/indústria que representam 34% do ICMS, portanto, ao todos são gerados 64% de ICMS.
“O município precisa de investimentos, de empreendedores, de produtores motivados a produzir mais. Antes dessa empresa chegar, o produtor recebia R$ 5 pelo quilo do gado vivo e levava até 90 dias para receber. Hoje é pago cerca de R$7,21 o quilo, antes do gado embarcar”, disse Victória.
Já o presidente da Câmara, Jonsélio Martinez, o Duca (MDB), disse que o Legislativo não é contra esse empreendimento, mas como fiscalizador da comunidade é necessário ouvir e apoiar e que as medidas necessárias aconteçam o mais rápido possível. Também presente na sessão, Paulo Renato Miranda (MDB), David Martins (REDE), Emerson Brito (PTB), Fernando Madeira (PSB), Cesar Domingues (PT), além do secretário de Obras, Edmar Barros, e representantes de entidades governamentais.
Conforme o gerente regional da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), Afrânio Costa Filho, a licença ambiental foi emitida com base no regramento feito pela empresa junto ao solo e tem validade por cinco anos, mas não quer dizer que a empresa não possa ser fiscalizada no decorrer do ano. Em relação ao mau cheiro, a Fepam fará uma readequação ao projeto incluindo mudas de árvores.
Para acompanhar todo o processo que ainda se estenderá por um longo período foi criada uma comissão composta por todos os vereadores, presidente do Conselho Municipal do Meio Ambiente, Rafael Diaz, moradora da localidade do Sitio São Marcos, Noeli Maders, representante do bairro Jardim América, por Tiago Rocha, e representante da localidade do Armazém Brasil, Rodrigo Leite.



