Cenário da pandemia de Covid-19 ainda requer atenção na Zona Sul

Cuidados são necessários para evitar o contágio pelo vírus. (Foto: Michel Corvello/Prefeitura de Pelotas)

Em março de 2020, a pandemia do novo coronavírus chegou ao mundo de surpresa. Pouco depois, foram registrados os primeiros pacientes que testaram positivo para Covid-19 na zona sul do Rio Grande do Sul. Passado mais de um ano e meio, apesar do início da vacinação e os sinais de uma possível volta à normalidade, com o relaxamento de protocolos, a região vem recebendo notificações por parte do Grupo de Trabalho (GT) Saúde, que monitora constantemente os dados da pandemia no Estado.

As ações fazem parte das etapas do Sistema de monitoramento 3As, com o qual o governo do Estado gerencia a crise sanitária no Rio Grande do Sul. Na última semana, porém, a região recebeu um Alerta e, neste caso, as autoridades locais tiveram 48 horas para responder sobre o quadro regional da pandemia e apresentar um plano de ação a ser tomado. A resposta da Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul) foi publicada no dia 12 de novembro, em um documento assinado pelo presidente Vinicius Pegoraro (MDB), prefeito de Canguçu, e pelo coordenador do Comitê Técnico, Favio Telis (MDB), prefeito de Jaguarão.

No texto, ficaram determinadas algumas medidas que devem ser realizadas pelas prefeituras, sendo elas: levantamento dos pacientes; acionamento das vigilâncias sanitárias; realização de busca ativa para o fechamento do esquema vacinal; fortalecimento das condutas preventivas dentro de comunidades; despertar para o sentimento de consciência social; promoção de reuniões com empresários, motivando o pedido para apresentação do comprovante vacinal, e projeto de campanhas publicitárias.

Segundo Pegoraro, as medidas são de extrema importância para que a população atinja a consciência coletiva,, que ele acredita ser o mais importante neste momento. “Precisamos que a população complete o esquema vacinal para ampliarmos o número de pessoas com o sistema imunológico fortalecido. Só assim a região ganhará maior proteção contra os indesejados reveses que o vírus pode causar”, afirmou.

Na quarta-feira (17), o Estado reiterou o Alerta da região Covid de Pelotas na medida em que houve redução de internados em leitos clínicos e estabilização de internados na UTI. Quanto à baixa procura pela dose de reforço da vacina contra Covid-19 na população acima de 70 anos, que havia sido apontada no Alerta emitido, o Gabinete de Crise do Estado apontou que houve avanços, mas que a cobertura ainda é a menor do RS para a faixa etária.

O panorama regional da Covid-19 divulgado pela Azonasul na quinta-feira (18) mostrou que entre os dias 11 e 18 de novembro foram 2.468 novos casos e 28 óbitos por complicações decorrentes do vírus nos 22 municípios da Associação.
A alta dos casos motivou também o cancelamento do evento Sonho de Natal em Capão do Leão.

Presidente do Comitê Covid-19 da UFPel, Marcos Britto Correa ressalta a importância da imunização completa. (Foto: Rodrigo Chagas/Prefeitura de Pelotas)

Atrasos na segunda dose
Em transmissão ao vivo nas redes sociais, a prefeita de Pelotas, Paula Mascarenhas (PSDB), anunciou na terça-feira (16) que mais de 30 mil pelotenses ainda não completaram o esquema vacinal.

Conforme os dados divulgados, são 16.292 aplicações de Pfizer referentes à segunda dose em atraso que, somadas às 10.854 de AstraZeneca e 3.756 de CoronaVac, chegam a 30.902 cidadãos.

A chefe do Executivo alertou a população acerca dos números preocupantes e da necessidade de completar o esquema de imunização contra a doença. ‘“Todos os dias, temos profissionais vacinando. São mais de 30 locais destinados à imunização e que estão recebendo a população. Temos as Unidades Básicas de Saúde (UBSs), de segunda a sexta-feira; no sábado, a Escola Coronel Pedro Osório; às noites, o Shopping Pelotas e, eventualmente, temos o drive-thru”, defendeu.

No final de outubro, a Secretaria Estadual da Saúde (SES) confirmou três casos da variante Delta do coronavírus em Pelotas, após análise de testes realizados em setembro. A secretária de Saúde do município, Roberta Paganini, acredita que o aumento de casos na região tem ligação com a variante e também com o relaxamento nas medidas de prevenção. “A gente tem observado que as pessoas às vezes estão com sintomas gripais e acham que é uma gripe, uma rinite, por causa da primavera, e acabam não procurando um serviço de saúde, fazendo o teste e acabam não se isolando” explica.

Por causa do aumento de novos casos positivos e internações, Pelotas voltou a ampliar os leitos de UTI Covid e agora passa a contar com 39 de internação em Unidade de Terapia Intensiva. Conforme dados do Painel Covid-19 da prefeitura, o município contava, na quinta-feira (18) com 94,9% da população acima dos 12 anos com a primeira dose.

Além disso, 78,2% estão com a imunização completa. No mesmo dia, foram 98 novos casos e quatro óbitos. Em relação aos leitos, 79,5% dos destinados a UTI Covid-19 estavam ocupados, representando 31 dos 39 disponíveis. Nos leitos de enfermaria, 36 dos 52 estão ocupados, ou seja, 69,2%.

Rio Grande registrou surto de casos em Aldeia
Em Rio Grande, a secretária municipal de Saúde, Zelionara Branco, acredita que o aumento dos casos no município se deve ao relaxamento das medidas preventivas, mas também à circulação de turistas. Na última semana, foram 213 novos registrados, conforme o panorama da Azonasul. No sábado (13), a Secretaria de Saúde, por meio da Vigilância em Saúde, comunicou o registro da ocorrência de surto de Covid-19 na Aldeia Indígena Tekoá Pará Rokê-Guarani M’byá, na localidade de Domingos Petroline, no interior da cidade.

Os dois primeiros casos confirmados foram de um casal de indígenas que retornou de viagem. Eles, segundo a secretária, não seguiram o isolamento, culminando na contaminação dos demais. Agora o município vem fazendo o controle dos casos e testagens na Aldeia, realizados pelo Programa Municipal de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas, Equipe Saúde da Família local e equipe da Vigilância em Saúde.

“Eles estão com monitoramento diário lá, de verificação de sinais e acompanhamento de sintomas”, apesar disso, Zelionara dedica à cobertura do processo vacinal o impacto menor em termos de internações e óbitos.

Vacinação completa fornece maior segurança
Para o presidente do Comitê Covid-19 da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Marcos Britto Correa, a diminuição no ritmo de vacinação de Pelotas e Rio Grande, os maiores municípios da região, também é responsável por esse aumento da circulação do vírus.

Marcos explica que a dificuldade em convocar os idosos para a dose de reforço e os jovens para a segunda dose contribui para esse cenário. Segundo ele, o período de setembro, em que a região teve uma queda muito grande nos casos, de número de óbitos e hospitalizações, rendeu uma falsa sensação de segurança por parte desse público.

“As vacinas não tem mostrado uma boa efetividade especificamente em relação a variante Delta, com uma dose só. A proteção se dá com o esquema vacinal completo”, justifica.