O Porto do Rio Grande completou 105 anos de atividades, no dia 15 de novembro, e integra o sistema hidroportuário do estado, juntamente com os portos de Porto Alegre e Pelotas, sendo o maior movimentador de cargas do Sul do Brasil.
O atual governo dedica atenção especial para o segmento logístico ao investir em uma gestão qualificada, profissional e técnica, que culminou na criação da Portos RS, uma empresa pública, mas sem a interferência do governo do Estado em seu caixa e que tem à frente, desde 2019, o diretor-superintendente Fernando Estima.
Juntos, os três portos somados aos seus 17 terminais de uso privado são responsáveis pela movimentação de mais de 58 milhões de toneladas anualmente. “Das 19 milhões de toneladas de soja produzidas no estado, 16,5 milhões passam pelo Porto do Rio Grande”, quantifica o superintendente. E vai mais longe: “Dos R$ 130 bilhões do Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho, 25% passa pelo porto”, afirma.
Segundo ele, os recordes no campo se traduzem em recordes no porto, que agora quer incentivar também a atividade industrial, para que as empresas possam aproveitar toda a logística implementada no escoamento dos seus produtos. “Sempre tivemos uma cultura muito atrelada às commoditties e agora queremos atrelar também aos distritos industriais para que as indústrias possam estar mais próximas do porto e com isso, reduzir os custos com logística”, diz Estima.

Rio Grande, Fernando Estima (Foto: Luciara Schneid/JTR)
“Através do projeto Porto-Indústria, são ofertadas aos interessados áreas disponíveis para novos investimentos, pois além da posição privilegiada e estratégica, o Porto de Rio Grande possui a maior área retroportuária disponível do país com mais de 2,5 mil hectares”, afirma. De acordo com ele, a intenção é fortalecer a exportação de produtos industrializados e com isso obter o retorno em mais empregos, renda e impostos.
Recentemente, o porto passou por obras de dragagem, com calado homologado no final do mês de outubro e que o coloca na condição de receber navios de maior porte. As obras tiveram um investimento do governo federal de R$ 500 milhões e permitiram o aumento do calado do cais público e dos principais terminais de 10 a 15 metros. “O contrato de manutenção deve ser efetivado no primeiro semestre do ano que vem e prevê a aspiração permanente e a condução de estudos dos sítios de sedimentos”, explica.

Conforme Estima, os contratos de manutenção são feitos na proporção de um terço do que é dragado e dependendo das marés, boa parte dos sedimentos saem ao natural na água. “A dragagem é tão relevante quanto a duplicação das BRs 116 e 392”, assegura. Segundo ele, a duplicação termina fora da Barra, pois todo este fluxo precisa encontrar no navio a capacidade de carregar o que está sendo produzido.
Outra estratégia buscou antecipar a renovação do convênio de delegação da gestão ao Estado pela União, que venceria em março de 2022, e foi renovado por mais 25 anos. Segundo o superintendente, os portos no Brasil são concessões federais, ou seja, todo este sistema portuário, o Estado só faz a gestão porque lhe é concedido o direito pela União.
A partir de licitação das antigas instalações da Cesa, extinta há mais de três anos, foi criado o Terminal Logístico do Arroz (TLA), para oferecer suporte à exportação do principal produto agrícola da Metade Sul, com uma capacidade estática de 50 mil toneladas e a pretensão de movimentar de 500 a um milhão de toneladas ao ano. Os investimentos já estão em andamento e a unidade deve começar a operar no primeiro trimestre de 2021.

Estima cita, ainda, o potencial dos terminais privados que operam fertilizantes localizados no superporto. “A Yara Fertilizantes, responsável pela produção de 35% dos fertilizantes consumidos no Rio Grande do Sul, está com mais de R$ 2 bilhões em investimentos na duplicação da fábrica”. Ele destaca ainda outros investimentos nesta área, como a Josapar, que vai fazer uma nova unidade no distrito industrial e expansão das operações da Unifértil, Piratini e Timac Agro.
Ele lembrou também que o Polo Naval deve ser visto como um ciclo e não pode ser tratado como majoritário na história dos 105 anos do porto. Neste meio tempo, em vez da construção das plataformas no Brasil, continuou o que é chamado de conteúdo nacional de 25%, que consiste na parte mais industrial e que já está gerando bons resultados com a criação de mais de mil empregos em São José do Norte. A área da Ecovix, por possuir maior profundidade do que o cais público, está sendo destinada aos embarques de gado e produtos florestais, com mais de 20 embarques realizados este ano.
Até o mês de setembro deste ano, foram movimentadas 30.768.601 toneladas pelo Porto do Rio Grande. Entre as principais mercadorias embarcadas/desembarcadas, estão soja em grão, celulose, farelo de soja, arroz, fosfatos, cloreto de potássio, cavacos de madeira, ureia, trigo e milho. As principais origens e destinos são China, Marrocos, Argentina, Arábia Saudita, Estados Unidos, Coreia do Sul, Espanha, entre outros.
“Nossa meta não pode ser o recorde, nossa meta precisa ser ano bom e que a tonelada exportada/importada seja feita com a maior eficiência e o menor custo possíveis”, finaliza.




