A tecnologia de cultivo do morango, como as estufas e estruturas fora do solo, possibilitam a produção e oferta da fruta o ano inteiro e não apenas na safra, que já está começando, com aumento da oferta nos meses de agosto e setembro, atingindo o pico de produção em outubro e novembro.
De acordo com o extensionista da Emater Municipal de Pelotas, agrônomo Rodrigo Prestes, de 2017 para cá, a cultura cresceu significativamente na região, especialmente no município pelotense, que passou de oitavo para quarto maior produtor da fruta no Rio Grande do Sul, com 160 produtores envolvidos, uma área de 40 hectares e produção média anual de 1,6 mil toneladas.
Na região, a fruta atinge área de 72,93 hectares, que envolve 500 produtores e obtém uma produção média de 2.637 toneladas por safra. A fruta é comercializada em toda Zona Sul, com destaque aos mercados de Pelotas e Rio Grande. Segundo levantamento da Emater/RS, esta semana os produtores iniciaram a colheita dos frutos das mudas de soqueira cultivadas no solo. Os preços praticados variam de R$ 9 a R$ 18 o quilo.
O agrônomo observa que é grande o número de produtores, especialmente na região de Pelotas, que trocaram outras atividades – como o leite e o fumo – pelo morango, ou ainda mantém a atividade associada à fruta, para melhorar a renda na propriedade. “A grande vantagem é que as estufas podem ser construídas perto de casa e a mão de obra é menor que o fumo, por exemplo”, explica.
E tem dado certo, pelo menos para o produtor da localidade Ponte Cordeiro de Farias, Eduardo Scheutzow, que se dedicava à produção leiteira junto com o pai, na propriedade dele e viu no morango uma boa perspectiva para investir. “Na época em que eu comecei a plantar morango, o preço do leite, que era a minha única renda, estava muito baixo e deu muito certo”, afirma.
Desde 2017, ele cultiva sete mil plantas em duas estufas com 48 metros de comprimento, construídas a partir de financiamento do programa Mais Alimentos, parcela que consegue pagar com a renda obtida em um mês de produção. “É uma estrutura cara, que precisa ser renovada todo ano e com o financiamento tenho dez anos para pagar”, diz Scheutzow.
As sete mil plantas são na sua maioria da variedade San Andreas, importadas da Argentina e do Chile, com potencial para colher até um quilo de fruta por pé. O produtor conta que ainda não conseguiu atingir esta meta e colhe, em média, 700 gramas por pé, o que já garante um bom resultado e uma produção total de 5 toneladas por safra. “Este inverno foi muito bom para a produção”, garante.
Sua comercialização é direcionada a um cliente fixo e obteve nas primeiras entregas preço de R$ 15 por quilo. “Com o aumento da produção, a tendência é de que este preço caia”, ressalta.
Segundo o produtor, hoje, o morango é a principal fonte de renda da propriedade. No trabalho do dia a dia, ele conta com a ajuda da esposa, que possui outra atividade até o meio-dia, mas pega junto nos trabalhos de manutenção e colheita. Este ano, eles inovaram e investiram também na uva de mesa, com a implantação de uma parreira de Niágara rosa e de outra variedade para suco e vinho.
Para o produtor da Colônia São Francisco, Delmar Born, a mudança do fumo para o morango foi uma questão de saúde. Com problemas de coluna, agravados após 15 anos de dedicação à cultura do tabaco, a troca pelo morango, há três anos, foi uma questão de sobrevivência e é, atualmente, sua principal fonte de renda. “Aqui nesta região temos pouca terra cultivável e culturas como a soja são inviáveis”, explica.
Ele mantém sete estufas com o total de 12 mil plantas, que resultam, em média, 200 quilos por apanha no auge da safra. A comercialização é feita junto a fruteiras e mini-mercados e o preço obtido varia entre R$ 12 e R$ 13 por quilo.
Na propriedade de 16 hectares, menos da metade da terra pode ser aproveitada para a agricultura, que é destinada ainda para culturas como a batata-doce, praticamente perdida para a seca, e hortigranjeiros.
O extensionista ressalta que com a pandemia de coronavírus, os cuidados recomendados através das boas práticas estão ainda mais exigentes, desde a retirada da fruta da planta na lavoura até a chegada no supermercado. “Não apenas no morango, mas em todas as frutas a recomendação é ter um cuidado adicional sempre”, enfatiza.
Lavar bem as mãos e o uso de hipoclorito mais água estão entre as recomendações. As tradicionais feiras ao consumidor ainda estão sendo organizadas, mas a ideia é realizar um dia de comercialização no Centro da cidade e outro nos bairros em Pelotas.
A produção em ambiente protegido (estufas) é a tecnologia predominante na região, com 404 produtores envolvidos e que produzem 2.392 toneladas. O último levantamento da Emater indica que as áreas com morangueiros estão em bom estado, com frutos de qualidade e sabor. A última semana foi bastante favorável à cultura, com dias ensolarados e temperaturas em elevação durante o dia.
Há incidência de doenças foliares principalmente a ocorrência de oídio, que é um patógeno que causa a morte de flores e frutinhos, além de paralisar o crescimento dos frutos maiores. Houve diminuição considerável do ataque das pragas, notadamente o de ácaros e, também, ocorreu relatos de ataques de pássaros nas frutas, no município pelotense.
No município de Turuçu, as mudas de morangueiros provindas da Argentina e do Chile vieram em boas condições, à exceção das cultivares Benícia da Argentina e Fronteras do Chile. Os representantes comerciais visitaram alguns produtores e em contato com a diretoria da Associação de Produtores de Morango de Turuçu, combinaram que procederão as reposições na próxima safra. Os morangueiros de segundo ano no solo (soqueira) estão em floração e frutificação. Estes produtores utilizam como estratégia a manutenção das plantas no segundo ano, pois os custos, assim como a produção, são reduzidos. Porém, permite a comercialização com um bom preço, na média de R$ 9.




