Olá, amigos que acompanham esta coluna, onde procuro relatar atos e fatos que dizem respeito as nossas mais caras tradições gaúchas. Vocês sabem que existem muitas entidades tradicionalistas espalhadas pelo mundo afora, mas sabem qual foi a primeira entidade fundada fora do nosso Rio Grande? E que existe até hoje? Então acompanhem o que escrevo a seguir:
Introdução
Começamos com dados sobre a Revolução Farroupilha
Em 1835 era iminente uma rebelião da então Província de São Pedro do Rio Grande, face às práticas políticas e econômicas de exploração e distanciamento impingidas pelo Império, como altos impostos ao charque e ao gado gaúcho, entre outras.
Nesse cenário de tensão, já esticado desde a perda do Uruguai em 1828, nas Guerras Cisplatinas, criadores de gado (estancieiros) e chefes de grupos militarizados da fronteira (caudilhos) e os charqueadores, liderando boa parte da população, decidiram romper com o Império. A deflagração da Revolução Farroupilha ocorre em 20 de setembro daquele ano, sob o comando do maçom, general e estancieiro Bento Gonçalves ao tomar a cidade de Porto Alegre de assalto. No ano seguinte, os farrapos decretam a República Rio-grandense, tendo por presidente Bento Gonçalves, à época preso no Forte do Mar, Bahia, de onde foge e em 16 de novembro de 1837 toma posse na presidência. É o começo daquela que se tornou a mais conhecida de todas as insurreições ocorridas no Brasil do século XIX, durante o período de Regência (1822-1840).
A Revolução Farroupilha (e a Guerra dos Farrapos) durou 10 anos sem que houvesse qualquer sinal de rendição por parte dos farrapos. No dia 28 de fevereiro ou 1º de março de 1845 (conforme algumas publicações), em virtude da aceitação do Tratado de Paz por parte dos farrapos o Barão de Caxias proclama, definitivamente, a pacificação. No Tratado de Paz assinado no acampamento de Poncho Verde, no Rio Grande do Sul, as principais reivindicações dos revolucionários foram aceitas, como anistia geral aos revoltosos. Os oficiais farroupilhas integraram-se, de acordo com suas patentes, ao Exército brasileiro, e o governo imperial assumiu as dívidas da República Rio-grandense.
Fim da Guerra, a vida segue!
Fundação de uma entidade tradicionalista fora do solo gaúcho
Doze anos mais tarde, 8 de novembro de 1857, um destes revolucionários, o filólogo e gramático Antonio Álvares Pereira Coruja fundou, no Rio de Janeiro, junto com outros rio-grandenses abastados, uma Sociedade Beneficente para socorro aos gaúchos necessitados e desejosos de retornar à Província, ou para seu sustento na corte.
No início do século XX, em 1910, e atuando ininterruptamente, essa Sociedade foi acrescentando às suas funções humanitárias, a preocupação na preservação das tradições gaúchas, como as comemorações do Dia do Gaúcho em 20 de setembro, alusão à Revolução Farroupilha e ao seu passado histórico, evoluindo para criar um século depois, um Departamento de Tradições.
Assim é fundado o Centro de Tradições Gaúchas (CTG) Desgarrados do Pago, em 20 de setembro de 1977, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), no bairro de Santa Cruz. Criado sob a égide da identidade e da memória rio-grandense.
O CTG caracteriza-se pelos seus fins, realizações e práticas culturais, visando preservar e divulgar a memória, a cultura, as tradições e a identidade rio-grandenses, explicitadas no vocabulário, na culinária, na indumentária, nas danças típicas apresentadas nas invernadas artísticas, nas tertúlias (festivais de música nativista), nos símbolos preservados dentro e fora do espaço do CTG e espalhados no espaço que divide com a Sociedade Sul Rio-grandense.
Muito ainda podemos contar sobre a Sociedade Sul Rio-grandense, mas por ora deixamos esta coluna para que vocês conheçam um pouco mais sobre as nossas tradições gaúchas.
*NB- Queremos aqui retificar uma informação, pois na coluna que escrevemos sobre a revolução Assisista de 1923, colocamos erroneamente que durou até 1925 e a paz foi assinada em Pelotas, quando na verdade a revolução durou somente 11 meses e terminou ainda no ano de 1923. A paz foi assinada no Castelo do Assis Brasil, em Pedras Altas, na época município de Pinheiro Machado. Agradecemos ao leitor sr. Artêmio que entrou em contato conosco e pediu a retificação. Que bom que os leitores nos dão retorno, muito obrigado amigo leitor.
Gostaram da coluna? Então até a próxima!



