Motoristas da saúde enfrentam pandemia de frente em Capão do Leão

Um dos veículos adquiridos pela Prefeitura (Foto: Divulgação)

Neste caderno especial, o município de Capão do Leão destaca o trabalho realizado pelos motoristas da área da saúde. Uma classe de profissionais que se iguala na mesma proporção de perigo aos médicos e enfermeiros, sendo os primeiros a estarem diante do inesperado: o coronavírus.

Embora o secretário de Saúde, Wolke Rodrigues, afirme que todo o cuidado é pouco na proteção dos motoristas, existem por parte da Secretaria protocolos estabelecidos a serem cumpridos. Dentre eles, o motorista deve estar trabalhando com macacão e máscara, todo higienizado. Além disso, os veículos também passam por um trabalho de limpeza.

“Nossa gestão adquiriu 14 veículos novos, somente na área da saúde, melhorando muito o atendimento à população. Em breve, vamos adquirir mais quatro veículos que substituirão os antigos que vão a leilão, assim como foi o restante da velha frota que a Prefeitura possuía”, explicou Rodrigues.

Para o secretário, o trabalho da saúde somente se completa com a participação dos motoristas, pois são eles que levam os pacientes para as referências que o município tem convênio. “Aqui em Capão do Leão, a Secretaria transporta por mês uma média de 300 pacientes ou mais, chegando, anualmente, a transportar mais de 4 mil pacientes para as cidades como Rio Grande, Piratini, Pinheiro Machado, Canguçu, Bagé, Porto Alegre e Pelotas, sem contar os pacientes que transportamos para fisioterapia, exames, hemodiálise que é uma escala fixa de domingo a domingo”, ressaltou Rodrigues.

Ao todo, são 18 motoristas divididos em três categorias: ambulância, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e Secretaria. Henrique Conceição Mendes, conhecido como Brasil, é o responsável pela organização da equipe. De acordo com ele, antes de fazer qualquer viagem, os carros são higienizados e os motoristas usam máscaras e proteção com macacão especial e luvas.

“Nossos motoristas, além de estarem protegidos, orientam as pessoas para que também se protejam, porque uma viagem a Porto Alegre leva num carro duas pessoas e elas têm que estar protegidas, até porque lá na capital o risco de contaminação é ainda maior do que aqui”, citou.

Ainda, segundo Brasil, o cuidado com os motoristas e pacientes é muito rigoroso. Em extrema necessidade, a exemplo de transplantados, o veículo da saúde leva somente esse paciente ao seu destino, sendo conhecido como carro individual. Ele comentou que todos os pacientes são obrigados a usar máscara e fazer a higienização correta das mãos.

Além disso, com 33 anos de atuação na Prefeitura, o motorista Jarbe Porto de Ávila, de 57 anos, começou desempenhar a função de motorista em 1984.

Segundo ele, a vida de um motorista da saúde é de alto risco, porque lida com vários tipos de pacientes em diversos lugares. Como o vírus é invisível, nunca se sabe o que vem pela frente.

“Usamos a proteção, mas protege até ali, nós não temos ideia de como se dá essa contaminação. Não temos horários, às vezes saímos de madrugada e no outro dia chegamos de madrugada, são muitas horas na estrada junto aos pacientes, por isso, o risco de sermos contaminado é alto”, finalizou Ávila.